| 24/04/2008 10h02min
Acostumado a lidar com o universo adolescente, o psiquiatra Jairo Bouer, conselheiro da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), resolveu entrevistar, durante os meses de outubro e novembro deste ano, 7.520 jovens com idades entre 13 e 17 anos para saber o que eles pensam sobre sexo, drogas e relacionamentos. Entre os resultados, um dos que mais surpreendeu o médico foi a constatação de que jovens tímidos, ansiosos e com dificuldades de conversar com os pais são os que mais se envolvem em comportamentos de risco, como fazer sexo sem preservativo, beber em excesso e se envolver com pessoas que conheceram pela internet.
De acordo com a pesquisa, 70% dos jovens entendem o que significa sexo seguro, mas menos da metade (44%), acredita que pode contrair alguma doença sexualmente transmissível nas relações sexuais. Cerca de 60% dos jovens não conversam sobre sexo com os pais, apesar de 23% já terem tido relações sexuais completas, 15% com mais de cinco parceiros. Mais de 11% dos
jovens já fizeram sexo
com alguém que conheceram pela internet, e esse número sobe para 41% entre os adolescentes que se consideram tímidos e inseguros.
– A pesquisa em si não é tão supreendente, porque há tempos sabemos que o brasileiro tem um início de vida sexual precoce. O que pudemos fazer foi cruzar os dados para descobrir e entender por que certos grupos de adolescentes são mais vulneráveis as pressões do sexo e da bebida. Aqueles que se rotulam como tímidos, têm uma ansiedade grande para iniciar a vida sexual e não têm abertura para falar de sexo em família, são os que mais se envolvem em comportamentos de risco – explica o médico.
Para Jairo Bouer, a auto-estima do adolescente, em especial a da menina, tem influência direta em como ele escolhe lidar com sexo e drogas nessa fase. Segundo o psiquiatra, o Brasil ainda tem um alto índice de gravidez na adolescência em parte porque as garotas ainda preferem confiar na palavra do parceiro em vez de pedir que ele use a camisinha durante a transa.
– Dados do Ministério da Saúde de 2006 também mostram que a Aids aumentou mais entre as meninas do que entre os meninos, em uma proporção de 10 para 6. A adolescente tem que entender que mesmo que ela esteja apaixonada pelo parceiro, há o risco de doenças, especialmente porque as relações são muito instáveis nessa fase da vida. A garota tem que trabalhar sua auto-estima, já que quando ela está segura de si fica mais fácil recusar sem culpa o sexo sem camisinha - diz.
Conversas em família são essenciais para dar segurança ao jovem
Apenas 30% dos entrevistados conversam sobre sexo em casa. Para Jairo Bouer, essa estatística está longe de ser a ideal.
– Entendo que nem sempre o jovem quer falar de sexo, e muitos pais acreditam que os filhos já recebem bastante informação pela televisão, pela internet e nas escolas e, por isso, não precisam se preocupar. Só que é importante para o adolescente saber que a porta para a conversa está aberta em casa e os pais precisam se mostrar flexíveis para lidar com o assunto. O jovem precisa poder recorrer aos pais - lembra Bouer.
Os pais têm papel fundamental na formação da auto-estima e da confiança dos filhos. Dados da pesquisa mostram que os adolescentes brasileiros estão extremamente inseguros com a aparência - cerca de 30% dos meninos e 60% das meninas não se sentem à vontade com o próprio corpo - o que aumenta as chances de eles se envolverem em comportamentos de risco.
– A informação está aí e o jovem sabe o que é certo e o que é errado. Falta ele entender que é preciso colocar o conhecimento na prática - resume.
AGÊNCIA GLOBO| Outros dados da pesquisa |
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| > 6% dos jovens tiveram a primeira vez com menos de 12 anos. > 55% dos jovens com mais de 16 anos têm vida sexual ativa. > 9% das adolescentes já engravidaram. > 10% dos rapazes não usam camisinha nunca. > 17% dos adolescentes usam o preservativo na maioria das relações. > 28% dos adolescentes pretendem deixar de usar camisinha quando estiverem em uma relação considerada estável. > 74% dos jovens consideram a camisinha o melhor método contraceptivo, seguido pela pílula (20%) |
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