| 17/04/2008 11h26min
A família contemporânea tem uma formação recomposta, as "refamílias", provocada pelos divórcios e separações. A partir disso, aparecem também os filhos, tendo que encontrar um lugar neste novo formato, com os novos cônjuges dos pais e os meio-irmãos.
Na primeira formação, não existem ex-filhos e ex-pais. Quando essa nova família se refaz pela segunda vez, aparecem os ex-enteados e ex-padrastos. E o que resta a esses quando o laço que os unia se desfaz?
Ex-enteados e ex-padrastos são as mais recentes formações familiares. Estamos acompanhando o que está se formando aí. Talvez alguns acabem se tornado "ex" mesmo. Nem todos os laços familiares encontram espaço para ir adiante, vai depender em muito de como de desenvolveu e terminou a relação conjugal. Às vezes, é até necessário o afastamento e um rompimento total para que possam tentar se refazer novamente.
A partir do momento que se desfaz esse "renúcleo", a convivência pode ir perdendo sentido, mesmo se a relação entre enteados e padrastos foi amistosa. Muitas vezes, simultaneamente, já entra outra pessoa na história. Aí parece super-lotação: alguém precisa ficar de fora para que isso tudo funcione.
A estrutura familiar tem reformulações e novas modalidades. Quando se pensa que a separação dos pais não implica na separação dos filhos, ficam as interrogações para estas novas modalidades familiares e seus desdobramentos dentro das famílias reconstituídas. As "refamílias" são fruto de um momento da sociedade na qual o tempo e a velocidade com que as pessoas vivem não permitem um espaço para elaborar o que lhes acontece. Isso pode gerar desordens também emocionais, já que o laço biológico não dá garantia de ausência de sofrimento ou de menos angústia.
Vivemos uma revolução no conceito de família, com novas formas de parentalidade se estabelecendo. Talvez seja cedo ainda para avaliarmos alguns resultados disso, mas vamos acompanhando as pistas. Temos hoje famílias rompidas e recompostas muitas vezes. A família humana se reinventa permanentemente, mantendo-se, desde o início dos tempos, como uma instituição insubstituível para nossa própria constituição de sujeito humano.
A família continua sendo a expectativa de lugar de acolhida para o sujeito, e as pessoas continuam tendo desejo de família. Mesmo com as rupturas e recomposições conjugais mais presentes, vai se reinventando, com seus conflitos e novas configurações. Temos hoje Famílias Contemporâneas "refeitas", feitas de novo, mas com cara nova, com nova tentativa de dar conta da dificuldade que é fazer parte de uma delas.
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