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 | 17/04/2008 11h15min

Reduza os traumas da segunda separação

Relacionamento entre madrastas e enteados pode ser mantido após o fim da relação conjugal

Cristina Wagner  |  cristina.wagner@rbsonline.com.br

O conceito de família já não é mais o mesmo há muito tempo. Com o advento do divórcio, e a busca pela segunda chance de felicidade no casamento, a formação de laços começou a variar: meios-irmãos convivendo com irmãos emprestados, avós só de um dos filhos, filhos de mesmo pai, mas de mães diferentes e vice-versa.
 
A dinâmica familiar fica ainda mais complicada quando a separação ocorre pela segunda vez. Os laços, positivos ou negativos, e a convivência que foram criados com a nova relação são rompidos. Novas funções são assumidas, e todos precisam readaptar-se mais uma vez.
 
A diferença é que, desta vez, não há ligação sangüínea com os ex-padrastos ou madrastas. Nos filhos, pode surgir a sensação de que o relacionamento chegou ao fim. Essa continuidade ou não depende da maneira como ocorreu o rompimento do casal. Se foi de forma amigável, fica bem mais fácil manter os laços afetivos.
 
Tanto crianças como adolescentes sentem a falta da família como era antes do novo rompimento. É comum que fiquem ansiosos, chorosos, tristes, irritados, com baixa tolerância à frustração, e até que tenham uma queda no rendimento escolar. Caso estas reações durem muito tempo, é necessário buscar a ajuda de um terapeuta para evitar danos no desenvolvimento emocional.

>> Leia o artigo Refamílias e Ex-alguma coisa

COMO LIDAR COM A SITUAÇÃO
Fonte: Lisandra Dias Cozzatti, psicóloga, membro do Ceapia (Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência)
 
> Os pais devem ser sensíveis na hora de tratar do assunto da separação, para que os filhos não fiquem com a sensação de serem abandonadas pela madrasta ou pelo padrasto
> As crianças devem se acostumar a conviver com a família do antigo companheiro do pai ou da mãe de maneira menos freqüente
> As funções exercidas pelo padrasto/madrasta na vida dos filhos devem ser mantidas. Isto alivia o sofrimento e a sensação de abandono dos pequenos e assegura que continuarão sendo amados mesmo à distância
> É comum os pais sentirem ciúmes da relação com o ex-padrasto ou a ex-madrasta. Cuide para não causar nos filhos a sensação de estar traindo a mãe ou pai
> Caso a separação não seja amigável, deve haver um intermediário (avós, tios, irmãos mais velhos) que possibilite o contato entre os filhos e o antigo companheiro
> A comunicação entre pais e fillhos sobre os sentimentos deve ser clara e empática
> Preserve os filhos dos conflitos, da intimidade e das batalhas judiciais entre o ex-casal
> A comunicação aberta na família constrói uma base de amor, respeito e confiança. Assim, todos ficam emocionalmente preparados para as situações inesperadas.
Leia depoimentos de quem conseguiu manter os laços depois da nova separação
Mariana Vergara, 23 anos, fala sobre sua relação com Denise, ex-mulher do seu pai
AFINIDADES

Minha relação com a Dê é a melhor possível. Ela sempre me tratou bem, com se eu fosse sua própria filha.

Gostamos das mesmas coisas: somos coloradas. Adoramos carnaval, vamos a todos os ensaios das escolas de samba, dançamos e damos muitas risadas junto com as minhas amigas. Nosso relacionamento é show. Nos vemos sempre.

RELACIONAMENTO

Tenho irmãos por parte de pai, filhos da Denise, que eu amo demais. Sábado, dia 5 de abril, levei-os para tirar foto com o Fernandão e com o Nilmar depois do jogo. Eles amaram!
No início do ano, eu estava cuidando da minha irmã, por isso nos víamos todos os dias.

Se algum dia minha mãe teve ciúmes do meu relacionamento com a Denise, nunca demonstrou. Nunca me meti na relação do meu pai com ela. Eles são eles, e eu sou eu.

O QUE APRENDI COM ISSO

Que todo mundo tem que se dar muito bem. Que, se um relacionamento não deu certo, e se os filhos gostam dos novos parceiros dos pais, se tratam os filhos bem, não tem por que ser contra o relacionamento entre eles.

CONSELHO

Um recado para a galera que adora os ex-padrastos ou ex-madrastas: continuem com o contato. A amizade vale a pena. Tem muita coisa que não contamos para os pais e contamos para eles. Vão por mim: conto tudo para a Denise.
Margareth Lima, Relações Públicas, ex-madrasta de Felipe Freitas, de 15 anos
Conheci o Felipe quando ele tinha 5 anos, e agora ele tem 15. Ele sempre viajou conosco, inclusive para passar o Natal com minha família no Uruguai. Desde os 9 anos ele viajava sozinho e vinha passar feriados na nossa casa.

Sempre respeitei o espaço dele com o pai. Dava minha opinião quanto aos estudos como se ele fosse meu filho, mas tentei sempre me manter no papel de amiga e não madrasta ou boadrasta”.

O pai dele e eu terminamos há dois anos, e o Felipe é meu amigo de Orkut, de MSN. No último verão, quando passei pela casa do pai dele em Canasvieiras, ele passava o dia comigo na praia enquanto o pai trabalhava.

Ele sempre foi uma criança muito tranqüila e continua sendo um adolescente assim. Como eu sou mais agitada, acho que por isso nos damos bem.Ele gosta de música e de viajar, eu também!

Nos vemos pouco. De vez em quando, me dá vontade de saber dele, mas não quero me intrometer, já que não sou mais da família, digamos. Por isso, me limito a falar com ele via internet.

Ficou o respeito e carinho e quando nos vemos ele tira fotos abraçado comigo, vejo isso como um sinal de saudades.

Na separação, o pai dele e eu mantivemos distância no início, mas logo no primeiro ano eles viajaram comigo para passar férias na casa de meu irmão em Punta del Diablo. O Felipe se dá muito bem com meus sobrinhos.

Aprendi a ser mais paciente e generosa, porque no início não foi fácil, mas com o tempo as coisas vão se resolvendo de maneira natural.

Não tem receita para lidar com essa situação, mas acho que o principal é pensar no bem estar da criança e ter em mente que ele é filho de outra mulher, mas com o homem que se ama ou se amou um dia. Essa é uma boa base para um relacionamento de respeito e, principalmente, de amizade.
Divulgação / 

Com maturidade emocional, é possível manter os laços com os ex-enteados
Foto:  Divulgação


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