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 | 29/04/2008 12h06min

Como lidar com as brigas entre os filhotes

É recomendado não exagerar na hora de intervir

Não é possível prescrever uma receita com a garantia de prevenir ou solucionar os desentendimentos entre irmãos. Cada criança ou adolescente em conflito reagirá de uma maneira, e é importante que os pais observem como os filhos se comportam em situações cotidianas – brincando juntos, por exemplo.

– Talvez um irmão seja passivo e ache que tem que emprestar sempre, tem outro que vai ser tirano, usa e abusa do outro. O primeiro não briga, não reclama, faz tudo que o outro quer. Tem que prestar atenção se um deles não está se submetendo sempre, enquanto o outro patrola – orienta a psicóloga Patrícia Mazeron.

A intervenção do adulto para acabar com uma briga, além da decisão sobre aplicar ou não uma possível punição, deve ser conduzida com cuidado, para que não se transforme em um episódio traumático – enquanto um sofre com o castigo, o outro pode ter que agüentar a pena que sente do outro, além da culpa por ter contribuído para a punição do irmão.

– Se um apanha e chora e o outro fica com culpa e medo, pode ser muito traumático. Os pais têm que explicar por que estão dando um castigo. Mas que não seja algo fora da medida, não se deve exagerar na punição – completa Patrícia.

Caroline Rubin Rossato Pereira, psicóloga especialista em terapia familiar e de casal, destaca que as relações fraternas tendem a ser as mais duradouras na vida, e por isso os irmãos devem ser estimulados desde cedo a conviver em um ambiente que privilegia o carinho e o respeito. À medida em que crescem, os pais devem procurar intervir cada vez menos nos desentendimentos dos filhos, permitindo que eles se acertem sem intermediadores. Quando pequenos, precisam ser amparados na hora de lidar com a própria agressividade em situações tensas.

– O mais importante é os pais estimularem as crianças, gradativamente, a abandonar a expressão puramente física de agressão, choro ou brabeza por estratégias mais bem desenvolvidas, como a conversa, a negociação e a troca. Crianças em idade pré-escolar já são capazes de lançar mão dessas habilidades. Os pais devem evitar resolver os desentendimentos entre os filhos, dando oportunidade para que aprendam a negociar e encontrar um acordo por conta própria – sugere Caroline.

A vida familiar funciona como um laboratório: é dentro de casa que se fazem exercícios para aprender a negociar, cooperar e competir, e a desenvoltura adquirida com essas experiências será levada, mais tarde, para o mundo lá fora. Os adultos devem intervir, entretanto, sempre que houver o risco de que alguém se machuque. É importante ouvir e ajudar os filhos a se acalmar e a encontrar uma saída.

– Deve-se estar atento para não sobrecarregar o irmão mais velho ou o do sexo masculino com a responsabilidade de não expressar raiva, não discutir, ceder em prol da irmã ou do mais novo. Quando os pais defendem sempre um dos filhos, deixam de possibilitar que ele desenvolva forças para lidar com as dificuldades. Ao aliarem-se a um deles, diminuem as chances de que os irmãos se percebam como iguais e desenvolvam uma relação de parceria – diz Caroline.

>> Leia mais na matéria Acordo de paz entre irmãos 


Fonte: Patrícia Mazeron, psicóloga clínica especialista em adultos, casais e famílias, colaboradora do Departamento Científico do Contemporâneo - Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade
Por trás das brigas
A rivalidade entre irmãos começa muito cedo, antes mesmo do nascimento do segundo filho. As brigas refletem um sentimento de exclusão do primogênito - com a chegada de um ou mais irmãos, tudo passará a ser partilhado: os pais, os avós, os objetos, o espaço físico. Surgem sentimentos como a inveja e o ciúme, que podem ser velados ou declarados. São inevitáveis essas sensações, já que a realidade será, de fato, outra: a casa precisará de mais silêncio para o bebê dormir, o colo da mãe não estará sempre disponível etc.

Procure entender o que está por trás da motivação inicial da briga. As disputas por um brinquedo ou pelo empréstimo de uma peça de roupa normalmente escondem outras razões, como as tentativas de provar, um ao outro, quem é o mais forte e o mais amado e admirado pelos pais. Converse com eles e acalme-os.

Tenha cuidado na hora de interferir na discussão, pois você pode aumentar a rivalidade. Você defende e apóia sempre o mesmo filho? Está sempre contra o outro? Observe com cautela a interação entre eles, pois crianças sabem manipular situações para que o outro leve a culpa. Quem belisca e provoca o choro e os gritos pode alegar, depois, na hora da reprimenda, que estava apenas brincando.

Ao pedir sempre para o mais velho ceder em benefício do caçula, usando a fragilidade e a idade do menor como argumentos, os pais podem acentuar sensações de exclusão e perda de espaço. Não use apenas frases como "seu irmão não entende ainda" para pôr fim às brigas. O mais novo também deve ser solicitado para entender o mais velho. Estimule a compreensão entre ambos: "Por que você não ensina a ele como fazer quando quiser pedir um brinquedo emprestado?". Construa uma relação amigável, em que os dois procurem tentar se entender.

Crianças devem aprender a compartilhar brinquedos, principalmente quando não é possível presenteá-las com duas bicicletas, dois videogames, duas bonecas que falam. Incentive as trocas. Mas atenção: a menor não pode sempre herdar os objetos usados da maior. Precisa, às vezes, ganhar presentes novos, comprados especialmente para ela.

O mesmo vale para roupas: é importante que haja um equilíbrio nos empréstimos. Monitore as trocas para evitar que os conflitos tenham início. Tem um irmão que sempre empresta, outro que nunca empresta, um que pega emprestado e não lava? Seus filhos devem ter, igualmente, o direito de não querer ceder determinadas peças. Respeite-o.

Regra para toda a família: respeitar o espaço dos outros, promovendo a convivência solidária. Cada membro da família tem seu canto, seus objetos, suas roupas.

Reconheça as habilidades de cada um e evite fazer comparações. Não eleja como padrão o ótimo desempenho de um deles em matemática. Valorize-os separadamente, sem depreciar os demais.

Em datas especiais, como aniversários, explique por que um deles está merecendo uma refeição especial, uma festa, um presente. Se você estiver tranqüilo com isso, eles vão entender. Por outro lado, ao deixar transparecer o sentimento de culpa, eles percebem que há algo errado. É fundamental ter equilíbrio nas escolhas de presentes em geral.

Procure solucionar os conflitos à medida em que surgirem, para evitar que seus filhos passem a infância inteira às turras e corram o risco de que essa tensão interfira na relação entre ambos na vida adulta.

Não force um pedido de desculpas. Esse pode ser o seu desejo, para que tudo fique bem logo, mas seus filhos precisam sentir que podem, de fato, se desculpar e retomar a convivência tranqüila.
 CynTurek, Divulgação  / 

O modo de lidar com as brigas pode reduzir a rivalidade entre irmãos
Foto:  CynTurek, Divulgação


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