| 02/10/2009 12h12min
A primeira hipótese a ser investigada pela Polícia Federal (PF), com base nos elementos preliminares levantados pelo Ministério da Educação (MEC), é a de que o vazamento da prova do Enem tenha ocorrido entre a etapa de impressão das provas, na gráfica Plural, em São Paulo, e a da distribuição dos kits por todo o país.
Confira ao lado as provas do Enem e o gabarito do exame.
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A PF não descarta nenhuma pista e vai começar a investigação pelo rastreamento de cada etapa do Enem, desde a confecção das provas, o que inclui tomar depoimento de servidores em Brasília ligados ao programa, até a distribuição dos exames, aplicados em mais de 10 mil pontos de 1.828 municípios.
Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, os primeiros elementos de prova podem estar nas fitas de vídeo que monitoram 24 horas tanto a gráfica como a sala de segurança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Brasília, onde está guardado o material digitalizado com os exames. De acordo com o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, o controle na gráfica é tão rigoroso que chega a
exigir que os seus funcionários troquem de roupa ao
entrar e sair do local.
O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, disse ontem ao ministro Haddad que o superintendente da PF em São Paulo, Leandro Coimbra, vai indicar o delegado responsável pelo inquérito o mais rápido possível. Mas já está definido que a investigação ficará a cargo da Polícia Fazendária.
Defesa
A Plural Indústria Gráfica Ltda. informou ontem, por meio de nota, que "não teve qualquer responsabilidade" no episódio do vazamento da prova do Enem. A empresa também se comprometeu a colaborar com as autoridades para esclarecer o ocorrido e vai entregar 122 DVDs com imagens da operação de produção da prova em suas diversas fases.
Na nota, a gráfica ainda diz que "cumpriu suas obrigações relacionadas à segurança" e "as áreas de equipamentos de impressão e acabamento foram isoladas, com acesso restrito e utilização de detector de metais". Todos os profissionais envolvidos na operação assinaram termo de
responsabilidade de sigilo.
Maioria das
universidades vai manter datas de seleção
Consultadas pela reportagem do Estado , a maior parte das universidades que aderiram ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de seleção para o vestibular informou ontem que o cancelamento da prova, a princípio, não altera o calendário de exames. As instituições aguardam posicionamento do Ministério da Educação (MEC) sobre a nova edição do exame nacional.
As principais universidades públicas paulistas, USP, Unicamp, Unesp e Unifesp não preveem alterações até agora e prometem avisar aos alunos com antecedência sobre eventuais mudanças no cronograma. No entanto, a Fundação Getúlio Vargas pretende alterar o calendário do vestibular na próxima semana.
No Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) suspendeu temporariamente as inscrições de seu processo seletivo ontem de manhã. A reitoria não quis se manifestar sobre o assunto. Segundo o ministério, 24 universidades
federais aderiram à prova como forma única
de seleção.
De um total de 21 universidades que responderam questionamentos da reportagem, apenas 5, a Universidade Federal do Amazonas, a Universidade Tecnológica do Paraná, a Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade Federal de Rio Grande e a UFRJ já confirmaram ontem alterações nos calendários. A Universidade Federal de Goiás anunciou que pretende cancelar o uso do exame.
Parte das universidades, no entanto, discute soluções, antes mesmo da decisão do MEC sobre um novo exame. Na hipótese de ocorrer uma incompatibilidade de datas do vestibular com o Enem, a Unesp, que utiliza 10% da pontuação do exame, pretende alterar todo o seu calendário com o objetivo de aproveitar a nota da prova nacional.
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