| 12/05/2008 11h23min
Tentar convencer uma mãe de que pé descalço em chão gelado, cabelo molhado no sereno e pouca roupa em dias muito frios não são garantia de uma gripe imediata é quase impossível. Lições caseiras, mantidas e repetidas há gerações, podem proporcionar mais conforto, mas não são determinantes para livrar pais e filhos de alguns dos maiores transtornos do inverno: gripes e resfriados, problemas causados por vírus, transmitidos no contato com pessoas e objetos contaminados. Ou seja: o pé frio e descalço leva a culpa desde sempre e não tem nada a ver com isso.
Ou quase não tem. Mudanças bruscas de temperatura – sair de um ambiente com ar-condicionado direto para uma noite de termômetros beirando o zero – são sempre arriscadas para pacientes alérgicos, que sofrem de asma ou rinite, por exemplo. Estes, sim, devem ser cercados de mais cuidados, para que alguns comportamentos, que fazem o corpo sofrer grande impacto na transição entre frio e quente, não sejam desencadeadores de uma crise.
Crianças
que freqüentam escolas infantis são mais sensíveis, principalmente até por volta dos cinco anos, quando o sistema imunológico ainda está se aperfeiçoando. Durante esse período, é necessária, além de cuidados, uma boa dose de conformismo – mais sensíveis, as crianças contraem a maioria dos vírus. Observe: se uma fica doente, é bastante provável que os demais colegas apresentem sintomas semelhantes em seguida.
O pneumologista pediátrico Renato Tetelbom Stein estima em cerca de 10 o número de infecções virais que uma criança pode ter por ano. Se as viroses se concentrarem no período de março a outubro, o que é mais comum, significa dizer que os pequenos poderão sofrer com uma a cada três semanas.
– Entender que isso é uma coisa normal já ajuda a relaxar – diz o professor da Faculdade de Medicina da PUCRS.
Assim como em outros temas referentes ao dia-a-dia, pediatras divergem em alguns pontos. Uns recomendam a vacina contra o vírus Influenza,
causador da gripe, outros preferem tratar a
enfermidade quando e se ela se manifestar. Há os que perdoam matar o banho e aqueles que defendem a higiene diária, sem pular os dias mais gelados.
É importante que os pais confiem no profissional escolhido para acompanhar a criança e nas orientações passadas no consultório, ainda que muitos resistam em afrouxar a vigilância – principalmente quando a dúvida envolve questões como a quantidade de roupa necessária para um dia de baixas temperaturas.
– As pessoas botam muito peso nisso, achando que ajuda um monte ou prejudica um monte. É a mesma coisa que não dar banho, não sair de cabeça molhada. É uma questão de bom senso, pois é desagradável sair com a cabeça molhada e gelada. Provavelmente essas coisas têm algum papel na defesa imunológica das pessoas, mas o mais importante, principalmente nas crianças abaixo de cinco anos e que vão para a creche, é o contato com ciclos de vírus - alerta Stein.
– Você não enxerga o vírus. Enxerga a
criança que andou de pé no chão, que
não estava bem agasalhada, que tomou banho de noite e no outro dia estava resfriada. Às vezes são coincidências, não têm tanta relação de causa e efeito – completa.
Muitos dos cuidados adotados pelos pais no frio são desnecessários
Foto:
Julio Cordeiro - BD ZH 8/5/2008
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