Vestibular | 01/10/2009 14h24min
A prova do Enem que vazou vai virar um simulado, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad. De acordo com o ministro, é possível que o exame seja disponibilizado para os estudantes testarem conhecimentos antes da nova aplicação, que será realizada em novembro. O ministro disse ainda, em entrevista ao Jornal Hoje, que quem já fez a inscrição não precisará repetir o processo.
— As inscrições estão rigorosamente mantidas, quem se inscreveu não precisa se reinscrever. Nós faremos a prova possivelmente em novembro. Em outubro não será possível em virtude da necessidade de imprimir uma nova prova, uma vez que os itens desta foram descartados e vão servir para um simulado para os estudantes verificarem como seria a prova. Mas a nova prova conta com um novo banco de itens. É uma prova que precisa ser impressa com segurança para sua realização — disse o ministro.
O Ministério da Educação (MEC) ainda não decidiu se irá manter o contrato com a empresa responsável
pela impressão,
distribuição e aplicação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O MEC ainda vai estudar com a empresa responsável pela aplicação dos testes a melhor data, no próximo mês, para a nova prova.
Segundo Haddad, serão levadas em consideração as datas de realização de outros vestibulares, para que não haja coincidência de datas, o que impossibilitaria a participação dos estudantes em mais de um processo seletivo.
Algumas universidades federais usarão o resultado do Enem como primeira fase do processo seletivo, aplicando em seguida uma segunda etapa. Como o resultado do exame também será adiado em função do cancelamento da prova, é possível que haja atraso no ingresso. Mas, de acordo com Haddad, havia uma folga no calendário e será possível ajustar essas datas.
Uma reunião, hoje (1º) à tarde, entre representantes do MEC, do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) e do consórcio, cuja empresa líder é a Consultec, da Bahia, vai
definir os próximos passos e tentar
mapear onde pode ter ocorrido o vazamento da prova.
Haddad afirmou que ainda não é possível dizer se o exame vazou de dentro do Inep, no processo de impressão ou de distribuição. Mas, como a jornalista do Estado de S. Paulo teve acesso a uma prova impressa, ele acredita que isso tenha ocorrido após a passagem do texto pela gráfica responsável pela impressão, a Plural, de São Paulo.
Felizmente isso ocorreu antes da prova ser aplicada, senão nós teríamos que cancelar a prova, e o prejuízo seria muito maior, afirmou Haddad. A prova seria realizada sábado (3) e domingo (4) próximos.
De acordo com o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, o ponto mais sensível a fraudes é a distribuição. As provas já estavam sendo distribuídas para algumas localidades, especialmente na Região Norte. Os custos para imprimir as provas - que já estão elaboradas - giram em torno de R$ 36 milhões, 30% do valor do contrato com a empresa.
Segundo o
ministro, a segurança do Enem neste ano foi reforçada.
Caso a investigação da Polícia Federal responsabilize o consórcio, as empresas poderão ser responsabilizadas, e um novo contrato emergencial poderá ser feito, sem necessidade de licitação. Entretanto, nenhuma outra empresa se candidatou na licitação para fazer esse serviço. Haddad não soube informar de que forma a empresa pode ser punida caso seja responsabilizada pela fraude.
Entenda o caso
A informação sobre o vazamento da prova foi revelada em reportagem do site do jornal O Estado de São Paulo. Um homem teria ligado para a redação pedindo R$ 500 mil em troca da cópia da prova. Após consultar o material para checar sua veracidade, sem se comprometer com sua compra, as infomações foram repassadas por telefone e e-mail para o ministro, e a fraude foi confirmada por técnicos do Inep, órgão responsável pelo Enem.
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