| 16/10/2008 13h10min
Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado nesta quinta, dia 16, mostra que a crise financeira, desencadeada em agosto, “representa uma das maiores ameaças para a economia mundial na história moderna”.
O documento intitulado O Relatório sobre o Trabalho no Mundo 2008: Desigualdade de Renda na era das Finanças Globais indica ainda que a restrição do crédito e o colapso do mercado de valores começam a afetar os investimentos das empresas, os rendimentos dos trabalhadores e o emprego.
O estudo examinou elementos como o salário e o crescimento em mais de 70 países desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento e sugere medidas de longo prazo para diminuir as desigualdades.
Segundo o levantamento do Centro de Pesquisas da OIT, o emprego mundial aumentou em 30% entre o início dos anos 1990 e 2007, mas isso não significou redução das desigualdades.
– Em 51 dos 73 países para os quais existem dados disponíveis, a participação dos salários como parte do total da renda diminuiu nas duas últimas décadas – aborda o estudo.
A maior queda, de 13 pontos percentuais, ocorreu na América Latina e no Caribe. Logo atrás estão a Ásia e o Pacífico (-10 pontos percentuais).
De acordo com a OIT, na comparação com períodos anteriores de expansão, os trabalhadores receberam uma cota menor dos frutos do crescimento econômico, “uma vez que a participação dos salários na renda nacional diminuiu na grande maioria dos países para os quais se dispõe de dados”. A organização alerta que a desaceleração da economia mundial pode afetar "de maneira desproporcional os grupos de baixa renda”.<
De acordo com o estudo, os países analisados estão “preocupados” com as excessivas desigualdades e mantêm organismos “fortes de proteção social”. E essa é a melhor forma, segundo a OIT, de “progredirem não somente em termos de emprego, mas também na restrição da tendência ao aumento das desigualdades econômicas”.
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