| 15/10/2008 15h26min
O impacto da crise financeira na produção de alimentos foi debatido nesta quarta, dia 15, durante seminário que marcou a Semana Mundial da Alimentação. Segundo o governo brasileiro, não vão faltar recursos para a safra. Mas as Nações Unidas alertam que ainda é cedo para precisar os efeitos da recessão no Brasil.
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome abriu o evento destacando as ações do governo para fortalecer a produção de alimentos no país. Durante o discurso, Patrus Ananias se exaltou ao afirmar que, mesmo com a escassez de crédito, os gastos com programas sociais, como bolsa família, não vão ser cortados.
– Esses que defenderam o modelo neoliberal insistem ainda agora em que nós não façamos os necessários investimentos nas políticas sociais, acusadas de serem obstáculos ao crescimento econômico – afirmou.
Segundo Ananias, a situação econômica brasileira está sob controle.
– Tudo isso está sendo monitorado pelas áreas técnicas específicas do governo e nós estamos trabalhando normalmente na implementação dos nossos programas – assegurou.
De acordo com o secretário de Aqüicultura e Pesca, o setor pesqueiro também não precisa se preocupar. Altemir Gregolin garante que não faltará crédito.
– Esta crise, na nossa avaliação, está sendo gradativamente equacionada. O Brasil tem uma condição de estabilidade bastante sólida, então acredito que não seremos afetados no setor com o problema da crise – garantiu.
No entanto, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou nesta quarta um estudo em que afirma que, apesar da previsão de produção mundial recorde de grãos nesta safra, a turbulência dos mercados financeiros pode dificultar o financiamento das indústrias agrícolas nos países em desenvolvimento. Para o representante da FAO no Brasil, apesar das medidas anunciadas nos últimos dias pelo governo, o futuro da produção brasileira ainda é incerto.
– Nós não sabemos qual seria a efetividade dessa recessão e os impactos da recessão na economia brasileira – disse José Tubino.
Para o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Renato Maluf, os impactos da crise na produção brasileira de alimentos não podem ser subestimados. Ele acredita que o momento atual é de investir nos pequenos produtores.
– Acho que a questão do Brasil é recuperar instrumentos de abastecimento, uma visão mais descentralizada, uma produção mais agroecológica, familiar, mais isso do que reforçar o grande modelo de produção.
CANAL RURAL
Para representante da FAO, José Tubino, futuro da produção brasileira é incerto apesar das medidas anunciadas pelo governo
Foto:
Antonio Cruz, Agência Brasil
Grupo RBS Dúvidas Frequentes | Fale Conosco | Anuncie | Trabalhe no Grupo RBS - © 2026 clicRBS.com.br Todos os direitos reservados.