| 28/04/2008 16h28min
O balanço das exportações de mel foi muito positivo nos três primeiros meses deste ano. Os preços internacionais continuam subindo e o volume das vendas também está aumentando.
A receita das exportações (US$ 6,24 milhões) cresceu mais de 361% e as quantidades comercializadas (3,26 mil toneladas) aumentaram mais de 303% na comparação com o mesmo período do ano passado. O valor médio pago pelo mel exportado (US$ 2,11/Kg) é o mais alto dos últimos três anos.
Apesar da suspensão do embargo do mel brasileiro para o mercado europeu, ocorrida em março, o país ainda não realizou nenhuma venda para a Europa.
– Isso se deve ao fato de, até o momento, ainda não haver nenhum entreposto habilitado pelo Ministério da Agricultura para exportar mel para o mercado europeu – explica o coordenador nacional dos projetos de apicultura do Sebrae, Reginaldo Resende.
Por conta disso, o principal destino das exportações do mel brasileiro continuou sendo o mercado americano, que importou US$ 1,78 milhão de mel em março. O resultado é equivalente a mais de 85% do valor total comercializado com o mercado externo naquele mês (US$ 2,09 milhões).
O montante exportado para o mercado americano, em março, representou um aumento de mais de 106% no valor das exportações de mel do Brasil para os Estados Unidos, na comparação com o mesmo período em 2007.
Os dados constam do levantamento consolidado pelos consultores da Unidade de Agronegócios do Sebrae e coordenadores nacionais da Rede Apicultura Integrada Sustentável (Rede Apis), Reginaldo Resende e Lazara de Fátima Borges. A referência é o Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet (Alice-Web), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Preço
Os melhores preços pagos pelo mel brasileiro são os da Austrália (US$ 2,30/Kg) e do Japão (US$ 2,40/Kg). No entanto, a participação desses países na formação da receita de exportação do produto ainda é muito incipiente: 2,2% e 0,7%, respectivamente.
O Estado de São Paulo liderou as exportações de mel em março (US$ 619,3 mil), respondendo sozinho por 29,6% das exportações do País. O segundo colocado foi o Paraná (US$ 407 mil), seguido pelo Rio Grande do Sul (US$ 317,3 mil), Piauí (US$ 277,6 mil) e Ceará (US$ 254,7 mil).
Cenário
Especialistas apontam que o cenário favorável observado nesse primeiro trimestre pode ser revertido por conta da demora no retorno ao mercado europeu, além de outros fatores, como a forte dependência do mercado americano, a exigência do Ministério da Agricultura do registro das casas de mel e as dificuldades para implantar, em curto prazo, as Boas Práticas e o Sistema HACCP/APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle).
– A dependência do mercado americano pode se agravar se a Argentina voltar a ocupar o lugar de destaque que sempre teve como fornecedora de mel para os EUA. Além disso, a exigência de registro para as casas de mel também pode comprometer o retorno das exportações de mel para a União Européia a curto e médio prazo – destaca Reginaldo.
Como atenuantes para o cenário desfavorável, pode-se destacar a perspectiva de um aumento na produção de mel e da produtividade brasileira neste ano. Esse fato, associado a uma possível estagnação ou queda na safra argentina de mel, poderá sustentar a tendência de alta de preços observada nos primeiros meses deste ano. Isso pode repercutir favoravelmente no desempenho das exportações de mel do País.
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