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Mãe só tem uma, diz certo ditado. É verdade. Cada um de nós tem a sua. Mas as mães são muitas. E são sempre diferentes – não há ser humano igual a outro. No entanto, são mães e nisso são todas iguais – desde que se tornam mães, nunca mais deixarão de ser. Existe ex-namorada, ex-esposa, ex-amante e até ex-amiga. Não pode, não é possível, contudo, existir ex-mãe. A mãe é sempre mãe.
Toda mãe é um começo. Toda mãe é infinita. Com a mãe começa o ciclo da vida, com ela se perpetua o ciclo da espécie. Cada mãe gesta, cada mãe espera, toda mãe acolhe – no ventre, a semente; no peito, o novo ser. Toda mãe é também um fim. Fim enquanto destino, finalidade. É para ela que nos voltamos quando tudo está indo mal. À comum severidade do pai opõe-se o colo da mãe. A comidinha da mãe. O conselho da mãe. Cada mãe ajuda como pode. Mãe não erra, mãe se engana – disse certo ancião.
Toda mãe teve pai e para ser mãe precisou do pai. Toda mãe foi filha. E toda filha deseja ser mãe. As que não desejam é porque desejam, mas não estão sabendo ainda. Cada mãe quer ver a filha mãe. Cada filha quer ver a mãe por perto na hora de ser mãe. Nem todas as mães são felizes, infelizmente, apesar de o poeta ter afirmado o contrário.
Há mães e mães. Há mães que perdem o juízo e sacrificam os filhos recém-nascidos. Melhor não lembrar – são matricidas de que nunca mais gostaríamos de ouvir falar. Há mães que sacrificam os filhos sem matá-los, no entanto. São mães que fazem da superproteção uma dose quase fatal. Melhor esquecê-las – não são matricidas, mas também envergonham a maternidade. Há mães que se sacrificam – estas são as mais numerosas. São as mães que dão sangue e suor pelos filhos e estão sempre prontas a renovar os votos de sua maternidade generosa.
Há mães solteiras. Há mães de aluguel. Há mães bem casadas, mal casadas, separadas, amigadas, felizes, infelizes, pobres, ricas, enfim, há mães gordas, há mães magras, há mães que são anônimas, há mães que são celebridades. Todas, no entanto, sempre conhecem muito bem os filhos. Dotadas da famosa intuição maternal, sentem o que o filho sente, sabem o que o filho pensa – mães sabem tudo. E experimentemos discordar.
O amor da mãe é o único de que se pode dizer: é incondicional. Nenhum outro amor se sustenta como o amor da mãe. É o amor maior de todos. Por mais que os amantes jurem recíproco e incondicional amor, jamais chegarão aos pés do amor materno. O amor da mãe é sempre compreensivo. Releva tudo, perdoa tudo e mais que isso – é sempre redentor e jamais se esgota ou diminui. O amor da mãe só cresce e aumenta a cada dia. E mesmo depois que a mãe se vai, seu amor fica.
Por toda parte, há mães. E não se trata de reduzir tudo à figura da mãe. Sem pai não existe mãe. Mas também não existe pai sem mãe. São unidades complementares do conjunto que transforma dois em três. Todavia, se aproxima o Dia das Mães, então é hora de celebrar a nobre maternidade. A todas as mães, desejemos não somente um Feliz Dia das Mães. Mas que sejam felizes sempre – porque dia das mães é todo o dia.
Eu não sou velho. Sou de uma geração que não viu o Internacional alcançar grandes glórias. Lembro de ter que aturar no colégio os amiguinhos gremistas, que usavam as suas camisas azuis, caçoando de mim, um dos poucos colorados remanescentes na turma. E vocês sabem como crianças podem ser más. Lembro-me que, indagado sobre algum título de expressão que eu tivesse assistido, cheguei a mentir que acompanhei a campanha da Copa do Brasil de 1992. A minha única lembrança daquele título era de pular no sofá com o meu pai, sem saber direito o que estava acontecendo: o chute mesclado de terra e bola que o Célio Silva deu na goleira Gigantinho era menos importante do que a farra com o meu velho. Tive de mentir. Sentia vergonha.
A minha camisa vermelha não saía do armário com tanta frequência. Cheguei a chorar com a alegria dos vizinhos. Minha mãe, que nem do futebol é, vinha me consolar. Aquela história que contavam sobre a primavera e a mudança das cores não era verdade: elas continuavam tão cinzas quanto no resto do ano. E eu sofria, mas a paixão não esmaecia.
Vi o Inter ser desclassificado do Brasileirão pelo Bragantino. Assisti à eliminação na Copa do Brasil para adversários do calibre de Fortaleza, America-MG e Ceará. Tive um lampejo de esperança de chegar a uma final de Copa do Brasil que foi estraçalhado pelo Juventude. As minhas maiores alegrias se resumiam a três vitórias: uma por 5x2, outra com um gol do Dunga no último minuto (e como eu fiquei rouco) e, a última, em Belém do Pará. Vocês também se lembram.
A história, até aqui, não é bonita, mas aí está justamente a sua beleza: a redenção.
Me recordo do jogo que marcou a virada do Inter deste cenário injusto: era fevereiro de 2003 e chovia a cântaros no litoral norte – Grenal no Olímpico. Eu estava com minha irmã no carro e tivemos de pará-lo para não ser levado pela água que tinha na rua. Ouvi o gol de Luis Mário para o adversário com censurável resignação: 1x0 e o rádio desligado. Ao chegar em casa, mais de duas horas depois, sou recebido com um sorriso largo do meu pai, ao que lhe indaguei qual o motivo de tanta alegria e ele, então, me conta que Vinícius, de cabeça, e Daniel Carvalho, entortando todo o Olímpico, nos deram a vitória.
Dali em diante as primaveras mudaram. Ainda tivemos alguns infortúnios, mas notava-se que os tempos eram outros. Na Rua da Praia, sempre tomada pelos tons cinzentos pessoas sérias, houve como que um desabrochar rubro. Tímido ainda, é verdade, mas era só o início.
Não paramos de ganhar Grenais. Tiraram-nos um Brasileiro na mão-grande, mas já víamos que éramos o melhor time do país. Consegui realizar o sonho de ver o capitão do meu time levantando a taça de Campeão da América. Ainda tive o privilégio de ver in loco o Gabiru marcar o gol mais importante dos nossos 100 anos de história. Vi o Pato e, quem diria, o Pinga acabarem com o Pachuca e coroarem a nação vermelha. Vi o Nilmar fazer gol de bicicleta na Inter de Milão. Ouvi falar que o Fernandão e seus guerreiros tocaram 8 pra cima de uns polenteiros. Assisti ao Nilmar, de biquinho, na prorrogação, carimbar-nos com o título de “Campeão de Tudo”. Vi o melhor primeiro tempo de um jogo em 20 anos com um 7x0 arrasador. Não me lembro a última vez que vi o maior rival ganhar da gente. Fresquinho na memória tenho o Fernandão, o Iarley, o Edinho e o Guiñazu levantando um monte de taças.
Esta poderia ser só mais uma história da guinada colorada e a emoção com nossas cada vez mais frequentes glórias. Mas a análise que eu proponho aqui é outra. É pessoal. Diz muito respeito a algo que eu não tive: essa infância.
A felicidade toma conta de mim quando vejo crianças, guris e gurias, vestindo o manto rubro sem nenhuma vergonha; mais, com orgulho. Podem ir pro colégio e fazer graça dos colegas que, coitados, nunca viram um título de expressão. Podem dizer que não deixam mais entrar com celular no Beira-Rio porque é proibido em casa de espetáculo. Podem usar todas as camisas do Inter que têm e ainda assim não é o suficiente. O peito estufado e a altivez com que dizem: sou colorado!
E tais crianças vestindo vermelho se multiplicam em progressão geométrica pelas ruas, tomando conta do nosso estado junto com tantos outros de todas as idades. Ah, que prazer ser colorado. Que bom poder acordar e olhar o pôster do nosso time estampado na parede sem estar desbotado. Que bom ter o privilégio de ir ao Beira-Rio e poder fazer piadas que se está bravo, pois só viu 5 gols, e não 8. Que bom que esta nova geração está mal-acostumada de ver tantos craques jogando simultaneamente pelo Internacional. Que bom ver que estes jovens escolhem o clube do povo para torcer por ser aquele que mais orgulha o Rio Grande. Que bom ser torcedor do time de todas as glórias. Que bom ser Campeão de Tudo!
Ah, como é bom ser colorado! Uma mensagem de orgulho a todos aqueles colorados que, assim como eu, acham que as primaveras, bem como as outras estações, ficam muito mais bonitas assim, com a beleza do vermelho.
Marcos Brossard Iolovitch
Este texto foi enviado pela leitor Marcos Brossard Iolovitch pelo canal Palavra do Leitor. Você também pode participar. Clique aqui e mande seus textos.
ESTRELAS PODEM SER ANJOS
NO CÉU...
QUE VIAJAM PELO UNIVERSO
A FIM DE NOS DAR AUXILIO E LUZ,.
DURANTE TODA A ETERNIDADE.
E ESTES MESMOS ANJOS
ESTAS MESMAS ESTRELAS
PODEM SER NOSSOS PENSAMENTOS
MAIS SECRETOS
MAIS DEVASSOS
MAIS BRILHANTES.
QUE CONTAM COM OS ANJOS E COM O BRILHO DAS ESTRELAS PARA SE REALIZAREM POR TOTAL!
MARY DO RAP. POETA.
Em tempos onde muito se fala na paz dentro e fora dos estadios,atitudes como a de Celso Roth tecnico da equipe do Gremio não estão ajudando.No jogo em Erechim Roth teria ordenado aos seus jogadores que batessem no menino Taison do Inter.Durante a semana que antecedera o Gre-Nal,Roth fez pouco do campeonato e do adversario. Ja domingo durante o jogo Roth bateu boca e tentou desconcentrar o mesmo Taison que alias fez uma grande partida.Atitudes como esta deveriam ser evitadas,ainda mais por se tratar de um profissional como é Roth.Este tipo de ordem,declaração e comportamento altera perigosamente o animo dos jogadores. O torcedor que já estava tambem exaltado por tudo que havia escutado e visto percebe o descontrole dentro das quatro linhas e o transfere para as arquibancadas e ruas.Os resultados são brigas,vandalismo agressões baratas e ate mortes.
Ta na hora de pensar no que se fala,de lembrar que o exemplo vem de cima.
Celso Roth e um grande profissional,se em suas declarações e ao lado do gramado ele estava apenas tentando motivar seus jogadores,ele ja deveria imaginar que tem muito torcedor cabeça fraca que não entende desta maneira.
Quando se discute a necessidade de recuperar o centro de uma cidade é importante que se questione e se entenda o melhor possível quais as decisões tomadas no passado que levaram a degradação dessas importantes áreas urbanas, com todas as conseqüências daí decorrentes. Veja-se que somente decisões importantes e estruturais são capazes de propiciar alterações de usos e costumes tão relevantes como as que ocorrem para que toda a dinâmica de funcionamento de uma região central ou polo urbano seja afetada e igualmente alterada. Assim, a perda desde os anos 80 de cerca de um terço da população do centro de Porto Alegre não ocorreu por acaso.
Decisões que dificultaram e até mesmo impediram uma correta Acessibilidade de Veículos ao coração de Porto Alegre deve ser o ponto primordial de qualquer discussão onde se pretenda com seriedade tomar medidas inversas que possibilitem a reanimação do centro.
Infelizmente, quando se discute hoje a questão de Acessibilidade de Veículos ao centro de Porto Alegre ainda se fala em falta de vagas para o estacionamento de veículos, ao invés de se analisar o que foi feito para impedir ou dificultar a Acessibilidade e o que ocorreu com os investimentos feitos para atender uma população que era crescente até que a degradação passasse a provocar a verdadeira fuga de cidadãos e mesmo investidores.
Pois bem, os Edifícios-Garagens projetados e construídos na década de 70 estão todos no mesmo local. Deteriorados, sub-aproveitados e muitos escondidos por uma dinâmica de trânsito que simplesmente desconsiderou as Garagens como equipamento urbano fundamental para qualquer cidade.
O famoso duplo-binário onde a chegada ao centro pela Av. Independência foi banida teve o condão de colocar no ostracismo Garagens de chegada ao centro, nessa mesma avenida, como na Rua Pinto Bandeira, Rua Coronel Vicente e várias outras (na Riachuelo, General Câmara, Dr. Flores, ...) que foram construídas e que poderiam atender uma demanda crescente nas décadas seguintes. Da mesma forma, Prédios Residenciais que seriam clássicos de Arquitetura como o Santa Tecla ficaram isolados e desvalorizados.
Alguém quer investir em um Edifício-Garagem no centro de Porto Alegre ?
Precisa ?
Uma política adequada de Acessibilidade de Veículos em consonância com uma circulação de trânsito que valorize os investimentos já realizados em Garagens no centro de Porto Alegre, inclusive com negociações entre o Poder Público e os estacionamentos já existentes com vistas a um preço adequado a ser cobrado nesses estacionamentos rotativos parece ser a alternativa acertada.
Para se entender a importância do papel do professor e sua formação como fator-chave para o sucesso educacional de um país, se faz necessário resgatar a trajetória histórica da educação, sobretudo a brasileira ao longo dos séculos.
Compreender a Educação no Brasil, hoje, requer conhecimentos dos diversos pensamentos filosóficos e educacionais pelo qual passou a educação nestes últimos séculos, visto que estes pensamentos influenciaram e perpassam por todas as mudanças educacionais, sejam elas, locais, nacional e mundial.
Moacir Gadotti na sua obra História das idéias pedagógicas faz uma análise acerca das teorias mundiais que direta ou indiretamente influenciaram esses pensamentos, evidenciando também as contribuições destes teóricos para a formação da Educação no Brasil, destacando ainda, a época contemporânea e o pensamento pedagógico brasileiro.
O pensamento pedagógico brasileiro veio deslanchar no final do século XIX, com o iluminismo, trazido por alguns intelectuais europeus. Esse pensamento se auto-afirmou no século XX, mais precisamente na década de 20 com a implementação da primeira reforma educacional como enfatiza o referido autor.
Gadotti afirma que esse pensamento ficou muito definido em duas tendências, ainda bastante difundida nas escolas brasileiras: a tendência liberal e a progressista.
A liberal que defende a liberdade de ensino, de pensamento e de pesquisa e a progressista que defende a formação atuante nas mudanças sociais.
No entanto é pertinente ressaltar que embora tenhamos absorvido as influências dessas tendências e das diversas preocupações, sejam elas, pedagógicas, filosóficas ou sociológicas, temos um sistema educacional ainda muito arraigado do pensamento pedagógico tradicional, na qual, uma das principais características reside no papel do professor que continua sendo detentor do saber, característica que foi herdada da nossa educação jesuítica.
Discutir o papel do professor no contexto atual exige que façamos uma reflexão a partir da sua formação docente. Paulo Freire nos instiga a refletir sobre a ética na prática educativa, bem como o aprender a prender, uma vez quando estamos ensinando, há uma reciprocidade ensinarmos e sermos ensinados. É o aprender fazendo, é o refletir na práxis.
Cabe lembrar, que essa reflexão sobre a prática docente deve levar em conta diversos fatores: o contexto histórico, social e cultural; a formação inicial, a instituição formadora bem como o programa de ensino.
Com a implantação da LDB (lei 9394/96) que determina um prazo de dez anos para os professores serem graduados, para que possam continuar trabalhando na educação básica (ensino fundamental especificamente), houve um aumento significativo de faculdades particulares que estão a todo preço “vendendo” pacotes promocionais de curso de formação docente. Ora, questionamos: que tipos de profissionais estão sendo formados? De que forma esses profissionais estão contribuindo para a melhoria da educação? Se eu não tiver uma boa formação como vou formar bem meu aluno?
São esses e tantos outros questionamentos que nos levam a refletir sobre a desvalorização do profissional da educação, será que a questão salarial não está relacionada com essa formação.
No que diz respeito à organização do ensino e do currículo é visível as contradições existentes, implementou-se reformas, muitas vezes para atender as perspectivas sociais, políticas e econômicas, e não preparam os sistemas educacionais para operacionalizá-los.
Em suma, a Educação no Brasil hoje passa por uma situação que merece, por parte de todos os envolvidos no contexto da sala de aula, sobretudo, professores e professoras, uma reflexão mais crítica sobre nossas práticas, pois só assim poderemos levar a educação de todos a um lugar melhor.
Quando muito se fala em Segurança no Trânsito e somos bombardeados com notícias como esta do acidente em Venâncio Aires, onde 8 pessoas morreram, temos que ver também o lado dos responsáveis por nossas estradas. Um exemplo que presenciei a dias atrás é o abandono do trevo na BR 158, que dá acesso à Cruz Alta. No local, existe vegetação tomando conta, o que tira totalmente a visibilidade dos motoristas. Que o DAER ou seja quem for o mantenedor do local tome providências, para que evitemos casos trágicos e poupemos vítimas inocentes.
O complexo de SUV
Não há nada mais perigoso no trânsito de uma cidade do que um motorista sexualmente frustrado manejando um SUV. Não tenha dúvidas que, na primeira oportunidade, ele jogará seu SUV em cima de algum incauto colega de avenida. A prática das ruas me mostra que, no fundo, o SUV serve mesmo é pra isso. O recalcado proprietário de um SUV regozija-se ao intimidar, humilhar e até passar por cima de quem ouse, por exemplo, cortar-lhe a frente.
O amigo não sabe o que é um SUV? Desculpe-me a falta de jeito. É que eu estou tão indignado, que acabei colocando a carreta na frente dos bois.
“SUV” é a sigla de Sport Utility Vehicle. Uma categoria de carros que é a atual coqueluche da indústria automobilística. Particularmente populares nos Estados Unidos, estes veículos são desenvolvidos a partir de chassis de caminhonetes, e se caracterizam pela altura e tamanho avantajados. Com o trânsito das grandes cidades cada vez mais neurótico e violento, esse tipo de carro está caindo nas graças de um número cada vez maior de pessoas, em especial aquelas que buscam alguma forma de auto-afirmação.
O supra sumo da categoria é o modelo Hummer, nascido na guerra do Iraque. Um monstro automotivo que é uma mistura de carro com tanque de guerra e custa mais de meio milhão de reais. Para quem quer meter medo, mas não tem tanta bala na agulha, modelos mais “populares” como Cherokees, Pajeros e Pathifinders dão conta do recado.
O proprietário de um SUV dirige como se pertencesse a uma raça superior de motoristas. Muitos deles, aliás, organizam-se em clubes fechados que promovem encontros e expedições a lugares inóspitos como as cordilheiras e a Terra do Fogo, onde mortais proprietários de carros “normais” não ousam chegar.
Um bom exemplo da mentalidade “SUV” é o comercial que vem sendo veiculado na tevê do modelo Tucson, da coreana Hyundai. A peça publicitária consiste em entrevistar felizes proprietários do veículo. Na propaganda, a dona de um destes SUVs afirma que gosta do carro por seu tamanho avantajado e pela incrível sensação de “olhar os outros carros de cima”. Outro diz que o carro é forte e lhe passa a impressão de “imponência” (antônimo de impotência?). Outra proprietária destaca um compartimento que existe entre os bancos onde pode guardar seus CDs (homens poderiam usá-lo como porta-Viagras).
Enfim: tá com medinho do trânsito, zero-seis? Pede pra sair ou compra um SUV!
A essas alturas do campeonato, o caro amigo deve estar me achando o pior dos preconceituosos. Pois afirmo que não sou. Como taxista, sou muitas vezes vítima de preconceito e, por isso mesmo, o abomino. Desprezo qualquer tipo de generalização. Antes que a associação dos proprietários de SUVs peça a minha cabeça, quero esclarecer que estou usando esse tipo de carro como uma metáfora. Na verdade o complexo de SUV pode se manifestar em qualquer motorista. O taxista dirigindo seu Fiat Siena que aperta um fusquinha, o motorista do Fusca que toca por cima de um motoqueiro, o motoqueiro que fecha um ciclista...e assim por diante.
Quanto à questão da impotência sexual dos proprietários de veículos grandes, não é preciso ser nenhum Freud para fazer este tipo de relação. Certa vez uma garota de programa, enquanto eu a levava no táxi para atender a um cliente em um motel, me disse que é capaz de avaliar o desempenho sexual do seu cliente antes mesmo de vê-lo. Basta olhar o tamanho do seu carro na garagem do motel. Quanto maior o veículo, maior será a dificuldade que ela terá em satisfazê-lo sexualmente. Palavra de uma expert no assunto.
Portanto o que me move a escrever não é o rancor de um proprietário de carro popular (sem nem regulagem da altura do banco), mas a preocupação de um profissional do trânsito, que vive se deparando com lamentáveis e crescentes demonstrações de prepotência por parte de certos motoristas. Comportamento que é alimentado por modelos de veículos cada vez mais potentes e belicosos.
A indignação que referi no começo deste texto, deve-se a uma situação ocorrida hoje, em uma das tantas corridas que fiz. Eu levava um paciente em estado grave para o Hospital de Pronto Socorro, pela rua José Bonifácio, onde só passa um carro por vez, quando tive que parar para esperar que o proprietário de um SUV estacionasse seu carro. Indiferente aos sinais de que eu transportava uma pessoa em estado crítico (faróis acesos, alerta ligado, buzina aberta), o arrogante cidadão não deu passagem ao táxi antes de conseguir (depois de várias tentativas) estacionar seu enorme veículo. Com certeza a lógica do sujeito era a seguinte: pessoas nascem e morrem a todo o momento, já uma vaga que caiba meu SUV, não é todo o dia que se encontra.
Fica, então, o alerta. É preciso ficar atento aos motoristas que dirigem a mais de metro e meio acima do nível do asfalto. Protegidos por películas escuras (todo o SUV que se preze tem vidros escurecidos), os cidadãos que compraram esses carros em busca de “imponência” vão fazer valer o investimento. E a vítima pode ser você.
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