Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Até onde se sabe, Santos-Dumont nunca esteve na China ou na Ásia. Mas ajudou a chegar até lá uma professora de Nova Bassano que aproveitou a engenhosidade do pai da aviação para colocar no mesmo avião duas de suas paixões – a educação e a informática. E a bordo dessa combinação, voou longe.
Marli Fiorentin, 47 anos, a paparicada “profi” de alunos de 3ª, 7ª e 8ª séries do Colégio Estadual Padre Colbachinido, na serra gaúcha, foi a Hong Kong disputar com cerca de cem colegas de 50 países a etapa final do prêmio Educadores Inovadores 2008, promovido pela gigante Microsoft.
Voltou do outro lado do mundo carregando um arsenal de impressões deslumbradas e um título de terceiro lugar na categoria Colaboração com um projeto pilotado com três outras professoras de coordenadas que só a www permitiria convergir – Barra do Piraí (RJ), Portugal e França, além de Nova Bassano. As quatro colegas se encontraram na blogosfera e, sem se conhecer pessoalmente, configuraram uma comunidade
de aprendizagem e
intercâmbio entre suas escolas.
– O computador foi uma ponte. A idéia era fazer o aluno produzir e não só consumir informação – ensina.
Para construir o projeto, as educadoras usaram a internet, a fissura dos alunos pela informática e o livro Seis Tombos e Um Pulinho, em que o escritor brasileiro Cláudio Fragata relata a vida e as criações do aviador Santos- Dumont. O pai da aviação foi pretexto para aprender português, geografia, história, matemática, ciências, arte e, claro, informática. O resultado virou um blog e foi parar no certame da Microsoft. A viagem para a Guatemala, cenário da final latino-americana do prêmio, foi a primeira vez que Marli fez num vôo internacional.
– Nunca me passou pela cabeça chegar tão longe. Para Hong Kong, então, parece um sonho – conta a professora gaúcha com modéstia.
Marli escaneou detalhes da viagem para usar em aula
O sotaque carregado, a fisionomia e os
brios transpiram as origens de Marli, uma típica descendente de italinos
da Serra, onde cresceu entre parreirais da família, na zona rural de Nova Bassano. Aos 18 anos, tomou o ônibus para Porto Alegre, onde começou a trabalhar numa escola infantil.
Tempos depois, de volta à cidade de origem com o diploma, começou a se interessar pela informática. Fuçar, como costuma dizer. Comprou o primeiro computador, em tese, para os filhos. Mas acabou ela própria mergulhando no teclado, descobrindo a internet e suas maravilhosas ferramentas.
– Criei um blog, mas queria usar a internet pedagogicamente – lembra.
Antes do projeto Vôo BPF (Brasil, Portugal e França), que embarcou no centenário de Santos-Dumont, Marli já tinha dado asas a outro projeto, que lhe rendeu segundo lugar no EducaRede, em 2007. Depois, virou tutora no portal, acumulando alunos virtuais.
Para Hong Kong, levou uma bandeira do Estado e seu inseparável notebook, com fartas fotos dos alunos. Na tela de fundo do computador, um casal de crianças de
bombacha e vestido de prenda, na festa da escola
em 20 de setembro. Foi para eles que procurou presentes entre as lojas de Hong Kong. Mas, mais do que as lembranças, escaneou cada detalhe da viagem para usar em aula e contar aos alunos.
– Eles são a razão de ser de tudo isso. Alguns são uns terremotos, mas são estímulo constante – derrete-se.
Lurdete Ertel viajou a convite da Microsoft do Brasil
lurdete.ertel@zerohora.com.br
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