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Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Promovidas nos últimos dias em diferentes Estados brasileiros, as manifestações dos movimentos liderados pela Via Campesina e os conflitos com a polícia têm um componente particularmente inquietante no Rio Grande do Sul, por razões distintas. Entre elas, estão a crise política registrada no Estado, a instabilidade gerada pela recente troca de comando na Brigada Militar e o fato de o foco preferencial dos manifestantes ser uma área da qual o Estado não pode prescindir para expandir e consolidar sua economia: o agronegócio.
Ao elegerem a alta dos preços dos alimentos como tema central dos protestos, representantes da sociedade organizada dedicados à defesa das causas sociais reforçaram as preocupações de líderes dos setores público e privado no Brasil e no mundo. A questão é que é difícil imaginar saídas para a crise alimentar sem um equilíbrio adequado entre quem produz em grande escala, como é o caso das empresas mais visadas nos protestos, e as pequenas e médias propriedades. Ao mesmo
tempo,
culturas rechaçadas em atos como os de ontem, como é o caso da cana-de-açúcar destinada à produção de etanol, podem não se constituir em alimento, mas têm potencial para reduzir o seu custo, que é influenciado também pelo impacto dos preços dos combustíveis no transporte.
Nesse quadro, a intenção dos manifestantes de assegurar acesso à terra para o plantio de alimentos é mais do que legítima. O inaceitável é a insistência em chamar a atenção para a causa por meio de velhas táticas como invasão de empresas urbanas e de propriedades rurais e de ocupação de prédios públicos, indústrias e canteiros de obras, além de bloqueio de rodovias. O encaminhamento de demandas por meio das instituições democráticas, que existem para isso, no mínimo serviria para evitar conflitos como os registrados ontem.
A sociedade gaúcha certamente é favorável a uma força policial eficiente e firme no cumprimento da lei, como se constata agora. Ainda assim, é preciso evitar o risco de que um
comando forte seja
interpretado como chancela para ações arbitrárias.
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