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14 de maio de 2008 | N° 15601AlertaVoltar para a edição de hoje

A longa espera pelos pequenos corpos da escola

Se Zhang Zhiyin tivesse parado e pensado por um minuto, hoje estaria morto.

Ele acabara de chegar do almoço com alguns amigos, na segunda-feira. Colocara o pé na sala de aula, quando as paredes se mexeram, o teto começou a desabar, e o chão, a tremer. Zhang correu para a mesma porta que segundos atrás cruzara. Tão logo pisou fora do prédio, o prédio da escola Juyuan, em Dujiangyan, na China, veio abaixo diante de seus olhos. A maioria de seus colegas não teve a mesma sorte.

- Não sei quantos de meus amigos estão vivos - afirmou Zhang.

Cerca de 900 estudantes, crianças e adolescentes, estavam na escola quando o prédio veio abaixo devido ao terremoto. Poucos conseguiram ser retirados pelos próprios pais, que, na falta de equipamentos apropriados, escavaram com as mãos. Um punhado de outras crianças foi salvo à noite, depois da chegada de equipes de resgate. Médicos não sabem ao certo quantos alunos foram levados para o hospital - talvez 15, talvez 50. Ontem, um dia depois da tragédia, as lágrimas de pais e mães em frente à escola misturavam-se à chuva.

- Meu filho, meu filho! - gritava uma mulher na frente de um soldado que trabalhava em Dujiangyan.

A cidade está em choque. Roupas de crianças e adultos, cobertores, panelas e outros pertences estão empilhados nas ruas enlameadas. Próximo à escola, Tian Jiajun lamenta:

- Não há nada de pé a minha volta. Estou vivendo agora em uma barraca de campanha.

Muitos moradores passaram mais uma noite ao relento

Sobreviventes ainda confusos perambulam pelas ruas vestindo pijamas. Vários tremores secundários foram registrados após o grande terremoto de segunda-feira. As pessoas ainda estão com medo de voltar para as poucas casas que resistiram. Muitos ainda passaram a madrugada passada ao relento.

Cuidadosamente, uma mulher cobriu a pequena mão de seu filho e seu ombro. A chuva contínua não apenas lavou as ruas da cidade, esfriou a normalmente quente província de Sichuan. O rosto do menino não transparecia terror. Apenas sujeira e sangue marcavam sua testa.

A mulher acariciou o cabelo do menino. Foi, então, que eles fecharam o zíper do saco negro. Levaram seu menino. Ficaram os gritos de desespero da mulher. Ela tinha visto o rosto de seu filho, pelo menos. Poucas mães de Dujiangyan tiveram esta chance.

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