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Menos de dois anos depois de o caso Natascha Kampusch - a jovem que foi mantida como refém por oito anos (veja quadro) - sacudir a Áustria, um novo episódio envolvendo cárcere privado chocou o país europeu no fim de semana. Aparentando "grande perturbação psicológica, a austríaca Elisabeth Fritzl, 42 anos, contou à polícia ter sido mantida prisioneira durante 24 anos por seu pai, Josef Fritzl, que a violentou seguidamente e lhe deu sete filhos.
Elisabeth, que estava desaparecida desde 29 de agosto de 1984, também declarou ter permanecido sedada durante boa parte do período de encarceramento, que ocorreu em um porão da casa do pai, na cidade de Amstetten, a 120 quilômetros da capital, Viena. Segundo a polícia, ela era mantida prisioneira juntamente com três dos filhos, que não freqüentavam a escola. Tinham acesso apenas a roupas e comida de tempos em tempos.
Outras três crianças eram criadas pelo pai, hoje com 73 anos, que aparentemente convenceu sua mulher, Rosemarie,
de que elas foram
abandonadas por Elisabeth na porta de casa. Rosemarie possivelmente não estava a par do que ocorria. Uma sétima criança morreu pouco após o nascimento. Conforme Elisabeth, o pai teria incinerado o corpo. Os outros seis filhos têm hoje entre cinco e 20 anos.
Segundo a polícia, um mês antes de desaparecer, Elisabeth enviou uma carta aos pais pedindo que não a procurassem mais. As autoridades suspeitavam de que ela, na época com 18 anos, tivesse caído nas mãos de alguma seita. Franz Polzer, diretor do Departamento de Assuntos Criminais da Baixa Áustria, informou que Josef está detido. Serão feitos exames de DNA para comprovar a paternidade dos filhos de Elisabeth.
O caso só veio à tona depois que a filha mais velha da austríaca, Kerstin, foi internada no hospital de Amstetten gravemente doente, no final de semana retrasado. A polícia localizou Elisabeth e seu pai no sábado à noite. Ela só concordou em falar depois que as autoridades asseguraram que não teria mais contato
com o pai. Ontem, a
polícia descobriu o cativeiro. O local é aberto por um sistema elétrico, acionado por um código.
- Não há um único cômodo, mas vários: um para dormir, um para cozinhar, além de instalações sanitárias - revelou Polzer.
| O caso Natascha |
| Em 2006, os austríacos ficaram chocados com o caso de Natascha Kampusch. Ela tinha 10 anos quando foi seqüestrada em Viena ao ir para a escola, em março de 1998. |
| A garota foi encarcerada em um porão por oito anos e meio por Wolfgang Priklopil, que morava em um subúrbio tranqüilo da capital. |
| Priklopil se suicidou, jogando-se em frente a um trem, horas depois de Natascha escapar do cárcere. |
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