Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Bailei na Curva está de volta ao Theatro São Pedro, de amanhã até domingo, em uma curta temporada para marcar o aniversário de 25 anos da montagem. Os motivos para comemorar, entretanto, são enormes: com um público estimado de mais de 600 mil pessoas, a peça deixou para trás a condição de peça de teatro e ganhou status de ícone pop, transformada em símbolo idealizado de uma geração idealista.
Os motivos para comemorar, entretanto, são enormes: com um público estimado de mais de 600 mil pessoas, a peça deixou para trás a condição de peça de teatro e ganhou status de ícone pop, transformada em símbolo idealizado de uma geração idealista.
O diretor, ator e roteirista do Bailei na Curva, Júlio Conte, recebeu Zero Hora no consultório onde exerce a profissão de psicanalista. Mas sua análise do sucesso do Bailei não esconde a emoção. Conte, 53 anos, lembra que ele, mais Cláudia Accurso, Flávio Bicca Rocha, Hermes Mancilha, Lúcia Serpa, Cláudio Cruz, Márcia do Canto e Regina
Goulart tinham um objetivo
muito claro quando se trancaram para improvisar em uma sala de 30 metros quadrados no centro de Porto Alegre:
- Vivíamos um tempo de ditadura. E queríamos confrontar o que nos disseram com o que sentíamos.
O enredo inicial era simples: começava com várias crianças se relacionando na manhã seguinte ao Golpe Militar de 31 de Março, depois passeava gostosamente por experiências infanto-juvenis como reúnas dançantes e o primeiro beijo, experimentava a vida universitária, a responsabilidade de assumir uma gravidez.
- Bailei era muito autobiográfico. Toda a discussão política da peça, que envolve desde a direita até a esquerda, nós vivíamos com nossas famílias.
A análise de Julio consegue explicar por que Bailei não se perdeu por aí. O sucesso, nos anos 80, teria muito a ver com sincronicidade. Bailei estreou em outubro de 1983, um mês depois, em São Paulo, ocorreu o primeiro ato das Diretas-Já. Os anos seguintes foram de intensa
mobilização popular, que encontrava tradução em Bailei
na Curva.
- Também era uma época de valorização do jovem, e o Bailei foi um dos primeiros textos visando esse público. Nos anos 80, começou um movimento que tentava fazer dramaturgia com a vida das pessoas. Foi o caso das peças Schools Out (1980), aqui em Porto Alegre, e Trate-me Leão (1977), que certamente influenciou muita gente em todo o Brasil.
O elenco que estará hoje em cena não é mais o original - uma das integrantes, Juliana Brondani, inclusive, nasceu no mesmo ano que a peça estreou (confira abaixo). Mas Bailei segue em frente:
- Acho que porque, embora fale muito de memória, é uma peça que acredita no futuro.
Terminando com um pouco de memória, confira o que aconteceu com os criadores de Bailei, alguns deles bem longe das ruas de um porto não muito alegre: Júlio continua fazendo psicanálise e teatro, Márcia é psicopedagoga e atriz, Cláudia trabalha como fisioterapeuta em Porto Alegre, Flávio é ator, produtor e diretor de
teatro, Hermes morreu em 1998, Lúcia vive em João
Pessoa e terminou uma dissertação de mestrado sobre o Bailei, Cláudio é professor universitário em Florianópolis, Regina mora em São Paulo.
| zerohora.com |
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