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Se há aparente unanimidade sobre alguma estratégia eficiente para evitar que parentes de presos entreguem drogas, armas e celulares a apenados, ela se chama parlatório. Trata-se de uma sala, com cabines vigiadas, onde os presos revêem seus parentes, separados por vidros. A conversa acontece por telefone, e não há contato físico.
O superintendente dos Serviços Penitenciários, Bruno Trindade, admite que o ideal seria realizar as visitas em parlatórios, como já é feito com os advogados.
- Porém, os nossos presídios não têm estrutura física para tanto, devido à superlotação. Além disso, por questões sociais e culturais, a população carcerária e os visitantes não aceitariam que a visita familiar se desse através de um parlatório - explica o superintendente.
O Estado diz não ter recursos para adequar todos os presídios gaúchos.
Para o promotor da Vara de Execuções Criminais Gilmar Bortolotto, o Estado deve voltar seus esforços para
desafogar as cadeias. Ele entende que a volta da
revista íntima é resultado de uma política penitenciária estadual que, ao longo das últimas décadas, superlotou os estabelecimentos penais.
- Após, praticando nova distorção, optou por deixar que visitantes ingressassem nos pavilhões para garantir, por exemplo, a visita íntima no interior das celas. Quando opta pela revista íntima em vez de investimentos em tecnologia e construção de pavilhões para a realização de visitas, a Susepe dispensa o Estado de investir no sistema prisional, repetindo a política da meia-sola aplicada ao longo de décadas e que produziu o resultado que temos hoje na execução da pena. Parece que não há vontade de sair da Idade Média - avalia o promotor.
Bortolotto considera secundária a discussão sobre se a revista íntima diminuirá ou não o ingresso de objetos proibidos nas prisões, mesmo acreditando que a medida surtirá efeito.
- O fato é que isso (a revista íntima) não é solução. É certo que alguns presos bem conhecidos
continuarão recebendo aquilo de que
precisam para continuar praticando crimes. O que importa é discutir política prisional, o que não se faz - completa.
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