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04 de novembro de 2007 | N° 15408AlertaVoltar para a edição de hoje

Loucos por ônibus

Um grupo de busólogos gaúchos dedica boa parte do tempo de seu dia para fazer pesquisas e fotografar o veículo que, para a maioria das pessoas, não passa de um meio de transporte

Eles são vistos em estações rodoviárias, em paradas de ônibus ou nas áreas das bibliotecas destinadas à história do transporte coletivo.

São capazes de passar horas fotografando um veículo usado como meio de transporte. E consideram um prazer o que, para muitos, é sinônimo de sacrifício: andar de ônibus.

Conhecidos como busólogos, palavra que não consta nos dicionários mas que em uma busca rápida na internet aparece cerca de 33,5 mil vezes, eles são os aficionados por ônibus. Estimativas dão conta de que, no Brasil, somam entre 10 mil e 20 mil. No Rio Grande do Sul, o número fica entre 400 e mil pessoas. Os grupos, em geral formados por homens, trocam informações sobre modelos, chassi, motores, dados históricos, empresas e itinerários.

Reúnem-se virtualmente em sites de relacionamento, blogs ou em grupos de discussões por e-mail, mas também trocam informações por meio de uma das mais tradicionais formas de comunicação, a carta. Para eles, o ônibus está longe de ser apenas um meio de locomoção: é um objeto de admiração e de estudo, cuja memória precisa ser preservada. Em uma única rede de discussões de Porto Alegre, há cerca de 380 usuários.

- Um avisa o outro quando uma empresa compra um ônibus novo, quando um carro antigo é descoberto ou quando há uma foto nova. Trocamos todo tipo de informação sobre o assunto - comenta Salomão Jacob Golandski, 59 anos, de Eldorado do Sul.

Um desses apaixonados é Vladimir Monteiro, 41 anos. No passado, o hobby foi motivo de briga entre ele e a mulher, Rosângela de Oliveira Costa, 36 anos. Mas depois de 17 anos de convívio, ela acabou por se habituar a dividir espaço em casa com 6,8 mil fotos de ônibus, prospectos de montadoras e miniaturas. Em parte da sala, estão ainda uma roleta e uma parada de ônibus.

Uma paixão que começou na infância

O técnico em turismo e frentista se interessa pelo assunto desde a infância. A primeira viagem de ônibus fez aos 10 anos, quando a família se mudou de Rio Grande para Porto Alegre. Achou fascinante. Para completar, foi morar perto da Viação Belém Novo. Ainda pequeno, conversava com motoristas e cobradores para conhecer a história da empresa e dos veículos.

Hoje, Monteiro ocupa as manhãs para pesquisar a história dos ônibus ou fotografar novidades. Sai de casa, no bairro Restinga, por volta das 8h e, até as 13h, horário em que começa a trabalhar, caminha pelas ruas da Capital e freqüenta bibliotecas. Em ferros-velhos ou em desmanches de carrocerias da Região Metropolitana, busca peças que possam integrar a futura biblioteca do transporte, que sonha um dia inaugurar.

Quase metade do salário, admite, é comprometida com o passatempo. Parte do material que possui, entre eles uma catraca, é comprado. Mas também ganha muita coisa depois que se apresenta como colecionador e explica a paixão. É o caso de uma placa indicativa de parada de ônibus que recebeu depois de uma visita à então Secretaria Municipal de Transportes de Porto Alegre, há mais de 10 anos.

- Às vezes estou fotografando um ônibus e o dono complica. Mas mostro meu álbum, digo que sou colecionador e ele entende - conta.

( carla.dutra@zerohora.com.br )

CARLA DUTRA | Vale do Sinos/Casa Zero Hora
Números
O número de aficionados por ônibus é de até 1.000 pessoas no Rio Grande do Sul

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