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Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Diferenças e semelhanças só podem se estabelecer por um universo anterior ao que se compara. Explico: quando comparamos um homem de 1m90cm com outro de 1m60cm, dizemos que são diferentes; mas isso só ocorre porque o universo que antecede a comparação é a idéia de "homem". Se comparássemos os mesmos indivíduos com uma mulher, diríamos que os homens se parecem mais entre si e destacaríamos as diferenças de ambos com a mulher, porque mais significativas. Por isso, se comparamos um homem e uma mulher com um símio, as diferenças entre as duas espécies é que serão destacadas, não as diferenças de gênero.
Todos os seres humanos descendem de um mesmo ser que viveu há 150 mil anos. Já com nossos "primos" chimpanzés temos um ancestral comum que viveu há cerca de 5 milhões de anos. Por isso, geneticamente, as diferenças entre os humanos são 10 vezes menores do que aquelas que temos com um chimpanzé. Mas, se a escala for outra, chegaremos à conclusão de que somos muito parecidos com eles (sabe-se,
por exemplo,
que nosso DNA é idêntico em 98,4% ao dos chimpanzés), e poderíamos repetir o que disse a Rainha Vitória em 1842 quando viu, pela primeira vez, um destes animais: "eles são assustadora, dolorosa e desagradavelmente humanos", afirmou.
Descartes entendia que apenas os humanos eram "racionais", uma visão que foi atualizada pelos behavioristas, para quem os animais só reagiam a estímulos. Estas idéias foram trucidadas por Jane Goodall, em 1960, com suas observações sobre os chimpanzés nas margens do lago Tanganica. Desde então, sabemos que eles lidam com ferramentas, que são capazes de transmitir hábitos e técnicas aos filhos (como a prática de quebrar nozes com martelos improvisados em uma bigorna de pedra), o que constitui, ainda que limitadamente, "cultura". Depois disso, imaginou-se a diferença no fato de que apenas os humanos fazem a guerra – ou são capazes de planejar matar. Então, em 1974, se constatou que os chimpanzés empregavam estratégias de extermínio de tribos rivais, atacavam de
surpresa
seus adversários e os espancavam até a morte. Houve quem dissesse que a linguagem é o que nos distingue, o que veio "por água abaixo" com a comprovação de que os golfinhos "falam" do seu jeito, que os micos possuem um "vocabulário" para identificar vários predadores e pássaros etc.
Resumindo, a ciência presta reverência ao prodigioso gênio de Darwin, que em 1871 já havia escrito: "Mentalmente, a diferença entre os homens e os animais, embora seja grande, é certamente de grau, não de tipo".
Bem, resolvi tocar no assunto só porque considero que os que lutam pelos animais estão muito à frente da nossa época. Assim como os que se decidiram pelo vegetarianismo por motivos éticos – pela recusa de compartilhar da dinâmica pela qual os animais são estupidamente submetidos a sofrimento. Por isso, porque reconheço o bem que promovem e porque identifico em vegetarianos e vegans (os que recusam produtos de origem animal) uma força moral superior a minha, tenho sido, pelo menos,
um aliado. Não é muito,
sei, mas pelo menos não atrapalho.
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