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 | 11/11/2007 | 21h31min

Anúncio dos vencedores do Fato Literário encerra Feira do Livro

Na categoria voto popular foi premiado o projeto Ler em Casa, de Picada Café

Como já virou tradição em Porto Alegre, a Feira do Livro encerrou-se neste domingo com o anúncio dos vencedores de mais uma edição do prêmio Fato Literário, em solenidade no Clube do Comércio. Os vencedores da edição 2007, a quinta da premiação, foram um projeto dedicado a difundir a leitura, uma experiência de unir a literatura e a medicina e um mestre da literatura nacional.

O título de vencedor da categoria voto popular, cujo prêmio era de R$ 10 mil, coube a um projeto de apenas um ano de execução, o Ler em Casa, iniciativa realizada no município de Picada Café, no qual sacolas com livros passam por diferentes ruas da cidade, de casa em casa, levando obras para serem lidas pela população. O programa recebeu 65% dos 36.561 votos. O modelo do projeto é o de antigas procissões religiosas, nas quais uma imagem de santo percorria toda uma vizinhança, abrigada a cada dia numa residência. Iniciado em outubro de 2006, com cinco sacolas percorrendo ruas da cidade, o projeto pretende encerrar o ano com 20 delas.

— Este prêmio para nossa iniciativa é o testemunho de que ações pequenas e sérias, com o comprometimento da comunidade, dão certo — disse a secretária de Educação e Cultura de Picada Café, Carla Chamorro, coordenadora do programa.

Já na votação do júri oficial, composto por 90 pessoas, entre escritores, jornalistas e personalidades ligadas ao livro e à literatura no Estado, pela primeira vez o prêmio foi dividido entre uma personalidade das letras e um projeto. O projeto vencedor, com 35 dos 90 votos, foi o Literatura Infantil e Medicina Pediátrica, programa de contação de Histórias desenvolvido pela PUCRS no setor de pediatria do Hospital São Lucas. Pelo projeto, que já funciona há 10 anos, alunos de graduação em Letras na universidade narram histórias para crianças enfermas de seis meses a 12 anos de idade. A idéia da instituição agora é aproveitar os R$ 20 mil do prêmio para equipar com acervo a biblioteca infanto-juvenil que o programa vinha tentando criar e que já tinha até instalações prontas.

— Era uma biblioteca sem livros, e agora temos como adquiri-los. Esse prêmio veio na hora certa — comentou Solange Medina Ketzer, representante da instituição.

Já a personalidade eleita pelo júri oficial foi o escritor Sergio Faraco, um dos maiores contistas em atividade no Brasil e nome consagrado das letras rio-grandenses, uma consagração que se espelhou inclusive na votação obtida por Faraco: dos 90 votos do júri, 72 foram para o autor de Lágrimas na Chuva, e seu nome foi recebido com palmas entusiasmadas pelos espectadores da cerimônia, que lotavam o salão do Clube do Comércio.

— Um reconhecimento como este não faz com que alguém escreva melhor, mas estimula esse alguém a alcançar a última fronteira de sua capacidade — comentou Faraco no breve discurso de agradecimento.

O Fato Literário é uma parceria entre o Grupo RBS, o governo do Estado e o Banrisul, patrocinador exclusivo da premiação, entregue anualmente a projetos e personalidades ligadas à literatura que tenham se destacado durante o ano. A cerimônia contou com a presença do prefeito José Fogaça e da secretária estadual da Cultura, Mônica Leal, entre outras autoridades. Ao comentar o prêmio, o vice-presidente de Rádios e Jornais do Grupo RBS, Geraldo Corrêa, ressaltou a ligação da empresa com a cultura no Estado:

— Nós temos um compromisso de estar ao lado do conhecimento.

O vice-presidente do Banrisul, Rubens Bordini, comentou que o Fato Literário é mais um projeto que fortalece o Rio Grande:

— Este prêmio é uma iniciativa vencedora.

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Carla Chamorro, Faraco e Solange Medina Ketzel - Genaro Joner

Carla Chamorro, Faraco e Solange Medina Ketzel
Foto:Genaro Joner


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