Desarmando bombas

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Além de acompanhar de perto os investimentos da Petrobras, durante esse primeiro ano Graça Foster teve outros desafios pela frente: travou uma batalha pelo reajuste dos combustíveis, viu se acentuar a queda no preço das ações da empresa e precisou explicar ao mercado os lucros minguados da companhia.


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2012

2013

28 de fevereiro


Alta do petróleo no mercado mundial pressiona preço dos combustíveis. A variação da cotação do barril do petróleo em Nova York pula de US$ 97,61 em 1 de fevereiro para US$ 109,77 no dia 24 do mesmo mês. A pressão que um eventual aumento dos preços dos combustíveis exercerá sobre a inflação passa a preocupar o mercado financeiro.

13 de junho


O plano estratégico da estatal para o 2012-2016 é aprovado com aumento de 5,2% sobre o anterior. Plano de negócios prevê investimento de US$ 236,5 bilhões. Analistas consideram que, sem reajustar o preço dos combustíveis, a empresa pode ter dificuldade de financiar o programa de investimentos.

19 de junho


Ministro Edison Lobão cede e admite reajuste no preço dos combustíveis dizer que o governo está preocupado com os efeitos do congelamento de preços dos combustíveis no caixa da estatal.

22 de junho


Governo aproveita o momento de uma inflação considerada bemcomportada para aplicar o aumento dos combustíveis. A Petrobras anuncia um reajuste de 7,83% para a gasolina e de 3,94% para o diesel vendido nas refinarias. Para tenta evitar que o impacto chegue ao consumidor final o Governo utiliza a mesma estratégia utilizada em novembro de 2011 e reduz tributo para os dois combustíveis.

20 de julho


A Petrobrás aprova a assinatura de 10 contratos, no valor total de US$ 4,5 bilhões, que preveem a construção de plantas para a exploração de reservas do pré-sal.

3 de agosto


A empresa registra o primeiro prejuízo em mais de 10 anos. A estatal fecha o segundo trimestre de 2012 com perda de R$ 1,346 bilhão, surpreendendo até os analistas mais pessimistas, que esperavam queda no lucro, mas não o pesado resultado negativo. Novos pedidos de aumento no preço dos combustíveis ganham força.

30 de agosto


Dilma quer royalties do pré-sal para educação.

17 de setembro


Graça Foster visita, junto com Dilma, o polo naval de Rio Grande e confere de perto a construção da plataforma P-58 e a fase final de montagem da P-55, considerada a maior plataforma semissubmersível do país.

19 de setembro


Após quase quatro anos sem ofertar novos blocos de exploração de petróleo, Governo anuncia 11ª rodada de licitação de blocos e 1º leilão do pré-sal para 2013.

12 de outubro


Graça Foster defende novo reajuste para diesel e gasolina e afirma que sem aumento a empresa precisaria cortar investimentos. As Refinarias Premium I (Maranhão) e II (Ceará) estariam na lista.

26 de outubro


A Petrobras registra retração de 12,1% no no terceiro trimestre do ano. O número, porém, contrasta com o prejuízo de R$ 1,346 bilhão reportado pela companhia três meses antes.

06 de novembro


Petrobras dá início à produção de petróleo na camada pré-sal na plataforma FPSO Cidade de Anchieta, no litoral Sul do Espírito Santo.

22 de novembro


Em visita ao polo naval de Rio Grande, no sul do Estado, Graça Foster afirma que a gasolina precisará ser reajustada em 15%, conforme prevê o plano de negócios da empresa. A fabricante de cerveja Ambev ultrapassa o valor de mercado da Petrobras pela primeira vez na história.

30 de janeiro


Petrobras anuncia aumento de 6,6% da gasolina e 5,4% do diesel na refinarias.

05 de fevereiro de 2013


O lucro da Petrobras cai 36% em 2012 para R$ 21,182 bilhões - o pior resultado desde 2004. Cai também pela primeira vez desde 2004, a produção de petróleo. Diante da queda do lucro, a presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que a estatal manterá, em 2013, a "busca permanente pela paridade com os preços internacionais" do petróleo e derivados.


Uma estranha no ninho

Ao assumir a presidência da Petrobras, Maria das Graças Foster se tornou a primeira mulher em um grupo até então dominado exclusivamente por homens. Confira o perfil de quem comandou a empresa na gestões de FHC e Lula


José Sergio Gabrielli (2005-2012)


Um dos fundadores do PT na Bahia, Gabrielli era considerado um perfil político dentro da Companhia. Amigo de vários integrantes da alta cúpula do PT, entre eles, José Dirceu, o economista baiano sofria resistência da então ministra Dilma Rousseff, que não nutria nenhuma simpatia por ele.




José Eduardo Dutra (2003-2005)


Primeiro presidente da era Lula, o geólogo assumiu a maior empresa do país, prometendo usar o poder da estatal para incentivar a indústria nacional. Cancelou licitação de plataformas e não perdia a oportunidade de criticar a gestão anterior, do banqueiro Francisco Gros.
Ainda no início da sua gestão afirmou que apesar de a Petrobras não ter como função fazer política social, faria isso de forma coadjuvante. A declaração, aparentemente banal, inaugura um modelo de gestão na Petrobras.



Francisco Gros (2002-2003)


Economista, formado pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Iniciou sua carreira profissional em Wall Street, num banco de investimentos, aos 29 anos. No Brasil, ocupou postos de destaque nas principais instituições governamentais, como a presidência do Banco Central e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).



Henri Philippe Reichstul (1999-2001)


Professor e economista francês, inaugurou a era do lucros bilionários da empresa. Também sob seu comando, a empresa causou um vazamento de quase 2 milhões de toneladas de óleo na baía da Guanabara, matando peixes, aves e ameaçando todo o ecossistema, em janeiro de 2000. Seis meses depois, em julho, um novo vazamento, três vezes maior que o do Rio, ocorreu no Paraná. No período de sua gestão, tentou, sem sucesso, trocar o nome da companhia para PetroBrax.



José Coutinho Barbosa


Graduado em geologia, ingressou na Petrobras em 1965, atuando ao longo de sua carreira em diversas posições técnicas e gerenciais.
Assumiu a presidência da companhia por duas semanas. Depois de deixar o cargo ocupou até 2003 a diretoria de Exploração e Produção da companhia.



Joel Mendes Rennó (1992-1999)


Engenheiro, foi o presidente que por mais tempo ficou no cargo. Comandou também a Companhia Vale do Rio Doce.