Em 4 de fevereiro de 1992, o tenente-coronel Hugo Chávez liderou um golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez. O motivo alegado era a crise econômica, que empobrecia a população com inflação e desemprego altos. Antes disso, manifestações populares já vinham ocorrendo, com destaque para o "Caracazo", em 1989, contra o aumento do preço das passagens de ônibus. Ônibus foram incendiados e casas comerciais foram saqueadas.
Depois de ter sido preso em razão do golpe contra Pérez, Chávez funda o Movimiento Quinta República (MVR).
Nas eleições presidenciais de 6 de dezembro, apoiado por uma coligação de esquerda e centro-esquerda – o chamado Polo Patriótico –, Chávez é eleito com 56% dos votos.
Assume a presidência da Venezuela, para mandato de cinco anos. Põe fim a quatro décadas de hegemonia dos partidos tradicionais, o Acción Democrática (AD), de Pérez, e o Comité de Organización Política Electoral Independiente (Copei). Promove um referendo sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte. Em 25 de abril, 70% dos venezuelanos se manifestam favoráveis. Em plebiscito, a nova Constituição foi aprovada por 71,21% dos votos.
Com base na nova Constituição, são realizadas eleições presidenciais.
Chávez confirma seu mandato (para alguns, uma reeleição, para outros, uma eleição sob as novas regras), com 59,7% dos votos.
O governo aprovou a Lei Habilitante, que lhe permitia governar por decreto durante um ano, o que foi feito de forma intensa. Surgem daí as primeiras acusações segundo as quais ele seria um ditador.
Chávez promulga 49 decretos, em sua maioria com teor polêmico. Entre eles, a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação do Estado no setor petrolífero em 51%, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de latifúndios. Seus adversários reagem, reclamando de centralização, autoritarismo e intervencionismo em excesso.
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Uma marcha por Caracas pede a destituição de Chávez. No Palácio Miraflores, havia uma contramanifestação. As duas se encontram. Quinze pessoas morrem nos embates. No dia seguinte, o general Lucas Rincón anuncia que Chávez renunciara. No seu lugar, assumiria o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, que dissolve a Assembleia e assume poderes extraordinários. Militares alinhados a Chávez promovem o contragolpe. Chávez, então, deixa a prisão na ilha de La Orchila e é recebido por uma multidão, retomando o controle do governo.
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Em novembro de 2003, a oposição promove uma coleta de assinaturas para a convocação de uma consulta popular sobre a permanência de Chávez no poder.
O referendo ocorre em 15 de agosto de 2004: 58,25% apoiaram a permanência de Chávez na presidência até o fim do mandato, o que reforça sua figura de caudilho e pavimenta seu futuro.
Reeleito com 62.9% dos votos, derrotando Manuel Rosales, que teve 36.9%. Em seguida, Chávez anuncia que iria unir os 23 integrantes de sua coalizão no PSUV, sendo ele o cacique partidário.
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O governo foi mais tranquilo: não havia oposição no Congresso. Em uma estratégia que hoje os próprios oposicionistas contestam, eles boicotaram as eleições legislativas. O presidente conseguiu ampliar seus poderes para governar por 18 meses através de decretos. Em dezembro, uma reforma da nova Constituição foi submetida ao veredicto do povo, num plebiscito. A maioria rejeitou as emendas, e Chávez se mostrou magnânimo, acatando a decisão popular.
Leia a reportagemGrave crise diplomática entre Venezuela e Equador, de um lado, e a Colômbia, de outro. O desconforto ocorreu depois que tropas da Colômbia mataram Raúl Reyes, líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Leia a reportagemA Venezuela entra em uma profunda crise energética. O governo propõe que os venezuelanos tomem menos banhos para economizar água e energia. Também nacionalizou os bancos que se recusassem a oferecer mais crédito aos correntistas.
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A oposição muda de estratégia e disputa as eleições parlamentares. O chavismo mantém maioria no parlamento, mas apenas com maioria simples, o que representa, de certa forma, uma derrota.
Nas eleições mais disputadas dos últimos tempos, Chávez derrota o oponente Henrique Capriles, com 55% dos votos. Debilitado pelo câncer, ele ainda assim saiu em campanha, surpreendendo quem não o imaginava em atividades eleitorais de rua. Em seguida, colocou Nicolás Maduro como vice-presidente, para ser seu eventual substituto.
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O Tribunal Supremo de Justiça autoriza Chávez a não tomar posse em 10 de janeiro para o quarto mandato, e estabelece que o líder assuma a presidência apenas quando estiver em condições, mas o presidente morre em 5 de março.
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