Em quatro participações na Copa do Brasil, o Joinville nunca conseguiu passar da segunda fase da competição. No ano passado, superou o primeiro adversário, mas caiu diante do Santos. Nesta edição, o objetivo é de ir o mais longe possível e, quem sabe, surpreender o país. Para isso, tudo começa neste 9 de abril, quando o clube enfrenta o Novo Hamburgo (RS), no Estádio do Vale. No entanto, o jogo da estreia está entre as finais do Campeonato Catarinense, o que divide a atenção neste princípio de competição.

Histórias tricolores na Copa

Ficha de jogadores

1990

2001

2002

2013

1990

 

Acostumado a participar do Brasileirão desde os primeiros anos de fundação, o Joinville não encarou como uma grande novidade jogar pela primeira vez a Copa do Brasil, em 1990, na segunda edição da competição. A vaga veio depois de ser vice-campeão do Catarinense do ano anterior.

 

Maior ídolo do JEC, Nardela participou daquela edição e lembra que o time entrou em campo sem muita expectativa. Afinal, o Tricolor já não vivia mais um bom momento no cenário nacional - não estava mais na Série A e fazia campanhas irregulares na segunda divisão. Além disso, o adversário na Copa do Brasil era o Grêmio, campeão do torneio em 1989.

 

- Naquele ano, nosso time não estava tão forte assim. Já estava meio decadente de investimento em relação aos anos anteriores. Então, não tínhamos muita ambição. Era um time médio e sabia-se que a caminhada seria complicada - recorda o ex-jogador (veja mais no vídeo ao lado).

 

Apesar da diferença de força entre as duas equipes, o Joinville empatou por 1 a 1 no Ernestão, com gol de Nardela, e forçou a partida de volta em Porto Alegre. Foi no Olímpico onde o sonho em avançar na competição acabou. Com dois gols de Paulo Egídio e um de Cuca, o Grêmio venceu por 3 a 1 - o JEC marcou com Joel. Coube ao Joinville voltar toda a atenção para o quadrangular final do Catarinense, no qual terminou na segundo colocação.

2001

 

Foram 11 anos de espera após a eliminação na Copa do Brasil de 1990 para o JEC voltar à competição. No entanto, mais uma vez, um grande time do futebol brasileiro entrou no caminho tricolor. O Corinthians visitou o Ernestão em março daquele ano e os comandados de Vanderlei Luxemburgo conseguiram vencer por dois gols de diferença, eliminando a partida de volta.

 

- A nossa equipe vinha de uma boa fase, tinha sido campeã catarinense. Naquela partida, a gente entrou para endurecer, mas a superioridade do Corinthians era grande. Foi um jogo bonito, que fica marcado na memória até hoje - lembra o lateral-esquerdo Magal (veja mais no vídeo abaixo).

 

O jogo foi sofrido. O Corinthians abriu o placar aos 32 minutos de jogo com André Luiz e, sete minutos depois, o JEC empatou com Marlon. No segundo tempo, Luizão colocou o time paulista de novo à frente, aos 27. O resultado forçava a partida de volta em São Paulo. No entanto, Marcelinho fez o gol da classificação corintiana aos 46 minutos. Era o fim do sonho tricolor de seguir no torneio.

 

- A gente já estava contando em ir a São Paulo para o segundo jogo, mas infelizmente o Marcelinho, com o pé de anjo dele, acertou uma bola que o Marcão não conseguiu defender. Ali, o sonho acabou - descreve Magal.

2002

 

Em 2002, pelo segundo ano consecutivo, o Joinville chegou à Copa do Brasil após vencer o Estadual. O confronto da primeira fase foi contra o Americano (RJ), time que também disputava a Série B do Brasileiro. A partida de ida ocorreu no estádio Godofredo Cruz, em Campos dos Goytacazes, no Norte do Rio de Janeiro.

 

O time carioca surpreendeu o Tricolor e abriu o placar com um gol de cabeça de Camilo, aos 25 minutos. No segundo tempo, com um jogador a menos em campo - Roberto foi expulso ainda no fim do primeiro tempo-, o Joinville não resistiu a pressão do time da casa e levou mais dois gols, marcados por Marcelo Magalhães e Luciano Viana. O 3 a 0 fora de casa forçava o JEC a vencer pelo mesmo placar para levar a decisão para os pênaltis ou vencer por mais gols de diferença para se classificar diretamente.

 

- Tivemos o jogo de volta na outra semana. Da mesmo forma com que eles entraram lá, a gente fez a nossa parte dentro de casa. Fizemos um grande jogo, mas a Copa do Brasil pune - lembra o goleiro Marcão, que jogou as duas partidas com a camisa tricolor (assista ao vídeo ao lado).

 

Naquela noite, o JEC abriu 3 a 0 com gols de Luiz Gustavo, aos 31 minutos, Lico, aos cinco do segundo tempo, e Marlos, aos 15. O jogo se encaminhava para os pênaltis quando Flavinho, aos 24 minutos, em uma cobrança de falta, acabou com a esperança tricolor. O gol sofrido obrigava o time da casa a marcar mais dois para avançar na competição, mas a marcação do Americano não permitiu. Sem a alteração no placar, era o fim de mais uma Copa do Brasil para o Joinville.

2013

 

A Copa do Brasil de 2013 foi muito esperada pelos torcedores tricolores. No sorteio para definição do primeiro confronto, houve motivo para comemoração. O adversário, teoricamente mais fraco por disputar a Série D do Brasileiro - o JEC estava na B -, foi o Aracruz (ES). Após um empate fora de casa e uma vitória simples na Arena, o Tricolor se classificou pela primeira vez à segunda fase. No entanto, o balde de água fria veio com o rival seguinte.

 

- Não passar pelo Santos era uma coisa previsível porque eles tinham, em termo de investimento, uma equipe melhor e mais experiente do que a nossa. Nós fomos guerreiros e tivemos até situações com possibilidade de conseguirmos o resultado. Infelizmente, não ocorreu - explica Arturzinho, ex-treinador do JEC que comandou a equipe na Copa do Brasil (ouça o áudio).

 

Na primeira partida, na Arena, o Santos venceu por 1 a 0, com gol de Durval.  No jogo de volta, na Vila Belmiro, o empate sem gols foi o suficiente para garantir o time paulista na próxima fase. Para Arturzinho, a luta e a entrega dos jogadores do JEC foram dois aspectos positivos do confronto, assim como o atacante Neymar ter passado em branco.

 

- Eles tinham o melhor jogador do Brasil na atualidade e um dos melhores do mundo. Nós criamos uma situação para impedi-lo de jogar e acho que conseguimos na maioria do tempo de jogo - garante.

 

Baseado na experiência adquirida ao longo dos anos, Arturzinho sugere que o clube não pode perder sem marcar gols fora de casa e precisa vencer em seus domínios sem tomar gols para ter sucesso.

O

Joinville entra na Copa do Brasil deste ano dividindo as atenções com o Campeonato Catarinense. Finalista do Estadual, o Tricolor inicia a competição contra o Novo Hamburgo, com um olho no jogo de volta da decisão estadual contra o Figueirense.

 

Para o goleiro Ivan, o objetivo na competição é ir o mais longe possível. Inspirado nas conquistas de times de menor expressão, como Paulista de Jundiaí e Santo André, o ídolo da torcida tricolor não descarta o sonho pelo título. Segundo ele, a Copa do Brasil dá espaço para clubes menores surpreenderem por ser disputada no sistema de mata-mata, o que diminuiu o favoritismo dos clubes grandes.

 

O treinador Hemerson Maria prega respeito ao Novo Hamburgo e acredita que o confronto será difícil. Para o comandante tricolor, dos cinco times catarinenses na competição, o Joinville foi o que pegou o adversário mais difícil. De qualquer forma, o JEC sonha em chegar, como em 2013, na segunda fase da copa nacional, para poder alçar voos maiores.

A opinião

dos colunistas

Os times para o jogo

Galeria de fotos

Em 2014

Ficha de jogos do Joinville

Goleiro Ivan

Joinville 0 x 1 Santos - 2013

Santos 0 x 0 Joinville - 2013

Aracruz 1 x 1 Joinville - 2013

Joinville 1 x 0 Aracruz - 2013

Hemerson Maria

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Reportagem: Hassan Souza Edição: Rodrigo Herrero: Design: Mariana Weber Vídeos: Rodrigo Philipps, Diogenes Bandini, Thiago Pereira e Caio Figueiredo

Abril de 2014