A conquista do acesso à Série A do Campeonato Brasileiro deu à Chapecoense um novo status no cenário catarinense e nacional. E é com o desafio de não deixar a peteca cair que o Verdão do Oeste entra em campo neste 8 de abril diante do Rio Branco (AC), na Arena da Floresta, na estreia da Copa do Brasil. Como um clube de primeira divisão, as responsabilidades são maiores e os anseios também. Em sua quarta participação no torneio, a Chape deseja alçar voos mais altos e tem a chance de consolidar sua marca no futebol brasileiro.

Histórias da Copa do Brasil

D

esde 2008, quando fez sua estreia, a Chapecoense tem disputado a Copa do Brasil nos anos pares. E todas as vezes iniciou a competição sem estar bem no Estadual. Em 2014, será a quarta participação. E pela primeira vez sem trocar de técnico no Catarinense. Na primeira vez, o técnico Luiz Carlos Cruz assinou o contrato na segunda-feira e, dois dias depois, estreou contra o Guarani (SP). Em 2010, Suca entrou no lugar de Mauro Ovelha. Em 2012 o gerente de Futebol Cadu Gaúcho assumiu o time durante a viagem ao Espírito Santo, após um empate contra o Camboriú.

 

Outra coincidência é que, em todos os anos, a Chapecoense enfrentou na primeira fase  um time mediano e se classificou. Eliminou o Guarani em 2008, bateu o Brasiliense dois anos depois e, em 2012, superou o São Mateus (ES). Agora, repete a sina pegando o modesto Rio Branco (AC). O único problema é que, em todas as vezes, enfrentou um time de Série A na segunda fase e foi eliminado: Internacional, Atlético-MG e Cruzeiro.

 

Contra o Inter, que tinha remanescentes do time campeão Mundial de 2006, a Arena Condá lotou. Mas a Chapecoense acabou eliminada em casa. Um dos jogos memoráveis foi a vitória por 1 a 0 sobre o Atlético Mineiro, treinado por Luxemburgo, em 2010. O lateral esquerdo Sagaz, autor do gol, relembra o lance neste especial. O goleiro Nivaldo, presente em todas as campanhas, destaca que a Copa do Brasil ajudou a tornar a Chapecoense conhecida no Brasil. Essas e outras histórias são destaques a partir de agora.

A primeira vez

A voz da experiência

A queda do Luxa na Condá

Técnico por um dia

A primeira vez

 

O ano era 2008. Depois de ter conquistado a primeira vaga para a Copa do Brasil, a Chapecoense ia mal no Estadual. Três dias antes da estreia na competição nacional, a equipe empatou em casa por 2 a 2 com o lanterna Cidade Azul. Com o resultado, o técnico Abel Ribeiro foi demitido. Para seu lugar foi contratado Luiz Carlos Cruz, que havia treinado o Palmeiras "B", Fortaleza, Ceará, Sergipe, Joinville e Figueirense, e estava na época morando em São Lourenço do Oeste. Estava praticamente acertado com outro time quando surgiu a proposta da Chape. O então vice-prefeito de São Lourenço do Oeste, que é seu amigo, João Carlos Ecker, fez a ponte com a direção do clube.

 

- Resolvi aceitar pois era importante comandar a Chapecoense em sua primeira participação e depois poderia encarar o Inter, que tinha jogadores da conquista do Mundial de 2006 - recorda Cruz.

 

Na segunda-feira, dois dias antes da estreia, ele foi até o Posto de Marco, em Chapecó, e fechou contrato. De lá foi direto para o treino. Na quarta, o time já encarou o Guarani. Cruz disse que motivou o time que vinha mal das pernas e conseguiu a vitória por 3 a 1. No segundo jogo, o empate sem gols garantiu a classificação para segunda fase.

 

Sabendo que a região Oeste torcia para os times de Inter e Grêmio, além da Chapecoense, fez uma campanha para que a região adotasse o time da cidade.

 

- Antes era comum camisas do Inter e Grêmio na arquibancada, mas a cidade se vestiu de verde para o jogo - afirma.

A voz da experiência

 

Na Chapecoense desde 2006, quando o clube vinha de dez anos sem título e quase tinha fechado as portas, o goleiro Nivaldo foi decisivo na conquista do título estadual de 2007, que deu a inédita vaga para a Copa do Brasil.

 

Na estreia, em 13 de fevereiro de 2008, Nivaldo lembra que a torcida não levava muita fé no time, que enfrentava um Guarani (SP), conhecido pelo título Brasileiro de 1978. Mas a torcida era que a Chapecoense passasse para enfrentar o Internacional, que tinha muitos torcedores na região. O time do Oeste eliminou o Guarani e conseguiu realizar o sonho de encarar o clube gaúcho.

 

- Os ingressos foram esgotados em quatro horas, se tivesse espaço para 30 a 40 mil pessoas iria lotar - relembra.

 

Nivaldo conta que mesmo sempre sendo eliminado na segunda fase, contra Inter (2008), Atlético-MG (2010) e Cruzeiro (2012), as participações na Copa do Brasil serviram para começar a tornar a Chapecoense conhecida em todo o Brasil. Agora, o time não é mais aquela equipe desconhecida do interior de Santa Catarina.

 

Agora, a Chapecoense entra na competição como um time de Série A.

A queda do Luxa na Condá

 

Uma Chapecoense que estava na zona de rebaixamento do Catarinense versus o poderoso Atlético Mineiro, de Obina, Marques, Júnior e Diego Tardelli, treinado por Vanderlei Luxemburgo. O confronto era na noite de 17 de março de 2010, pela segunda fase da Copa do Brasil.

 

- Ninguém esperava que nós ganhássemos o jogo - lembra o lateral-esquerdo Sagaz, que tinha 19 anos na época e fazia sua quarta partida como profissional.

 

Apesar da dificuldade do desafio, Sagaz estava tranquilo. E foi com essa calma que, aos 10 minutos, ele fez o gol da vitória mais inesperada da Chapecoense na Copa do Brasil. O Atlético pressionou, mas não conseguiu empatar.

 

- As pessoas me ligavam sem parar - conta Sagaz, sobre a repercussão do gol da vitória por 1 a 0 (veja mais no vídeo ao lado).

 

No jogo de volta, a Chapecoense levou 6 a 0, mostrando que havia uma grande diferença entre os times.

 

Mas o gol de Sagaz ficou marcado na história. Hoje, o lateral está no Madureira (RJ). Mas em Itajaí, onde moram seus pais, estão guardadas como troféus a chuteira e a camisa do confronto contra o Atlético.

Técnico por um dia

 

Todas as vezes em que a Chapecoense disputou a Copa do Brasil, sempre nos anos pares, o time não ia bem no estadual. Em 2008, Abel Ribeiro foi demitido três dias antes da estreia. Em 2010, Mauro Ovelha foi mandado embora e assumiu Suca.

 

Dois anos depois, Gilberto Pereira também foi demitido três dias antes da estreia na Copa do Brasil, após o empate por 3 a 3 contra o Camboriú. A mudança, desta vez, provocou uma situação inusitada no clube do Oeste.

 

Como o time foi direto de Camboriú para Colatina (ES), onde enfrentaria o São Mateus, sem tempo hábil para o novo treinador, Itamar Schulle, viajar, quem assumiu de forma interina foi o gerente de Futebol, Cadu Gaúcho.

 

- Nem deu tempo de treinar, só conversei com o grupo e expliquei como iríamos jogar - conta Cadu.

 

Mesmo com a derrota por 2 a 1, o gol fora, marcado por João Paulo, foi importante para o jogo de volta, quando a Chapecoense venceu por 3 a 1 e garantiu a vaga.

Chapecoense 0 x 2 Internacional

Chapecoense 3 x 0 Brasiliense

Chapecoense 1 x 0 Atlético-MG

Chapecoense 1 x 1 Cruzeiro

A Chapecoense na Copa do Brasil

Galeria de fotos

Em 2014

A

prioridade do ano da Chapecoense é permanecer na Série A. Mas, primeiro, teve que garantir a permanência na primeira divisão do Catarinense, pois caiu no hexagonal da morte. Agora, livre do rebaixamento, o Verdão do Oeste encara a Copa do Brasil querendo fazer bonito.

 

- Vamos com força - disse o técnico Gilmar Dal Pozzo.

 

Ele afirmou que o objetivo é valorizar a competição, pois ela é a segunda mais importante no cenário nacional. O técnico admite que não vai ser fácil conciliar o final do hexagonal e o início do Campeonato Brasileiro com a Copa do Brasil.

 

O time conta com vários lesionados. Mas alguns reforços contratados para o Brasileiro também vão ser utilizados na competição nacional. Desta vez, o time não quer morrer novamente na segunda fase. Pois é a primeira vez que encara a competição como um clube de Série A.

 

Ficha de jogadores

A opinião

dos colunistas

Os times para o jogo

Gilmar Dal Pozzo

Rodrigo Gral

Fabiano

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Reportagem: Darci Debona   Edição: Rodrigo Herrero   Arte: Mariana Weber    Vídeos: Márcio Cunha, Rafaela Martins  e Caio Figueiredo

Abril de 2014