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Segurança | 04/07/2009 | 04h33min

Conexão Paraguai: joias roubadas na Capital saíam do país

Polícia prendeu oito suspeitos de atacar seis joalherias desde o início do ano

Francisco Amorim | francisco.amorim@zerohora.com.br

Ao investigar assaltos a joalherias ocorridos no primeiro semestre, a Delegacia de Roubos descobriu que o Paraguai era o destino de parte das joias e relógios roubados na Capital.

A série de seis ataques em Porto Alegre foi realizada por duas quadrilhas que tinham em comum o mesmo receptador: um comerciante da Capital que pagava em dinheiro pelos produtos roubados. Ao longo das duas últimas semanas, oito suspeitos foram presos após terem a prisão preventiva decretada pela Justiça. Um outro suspeito está foragido, e outros dois envolvidos não foram identificados.

As escutas telefônicas revelaram que os dois bandos que integravam a rede criminosa agiam sempre sob encomenda. A partir do pedido do receptador, os assaltantes escolhiam a joalheria a ser atacada. Antes do assalto, os criminosos visitavam a loja.

– Dois dias antes do ataque ou na véspera, um dos criminosos tinha a responsabilidade de verificar se a joalheria tinha os produtos que interessavam à quadrilha – explica o delegado Juliano Ferreira, titular da Delegacia de Roubos.

Em vídeo, a ação da quadrilha nas joalherias Ajax:


Horas após os assaltos, os produtos roubados eram repassados ao receptador. Ele seria apenas um atravessador das joias que tinham como um dos destinos o Paraguai. Para evitar ser visto com os ladrões após os assaltos, o comerciante utilizou, em alguns crimes, o serviço de um taxista. O motorista conferia os produtos com os assaltantes e efetuava o pagamento em dinheiro.

– Precisamos descobrir como elas eram levadas até o Paraná – afirma o delegado.

Com as quadrilhas fora de atividade, a missão da polícia agora será identificar o comerciante e o taxista envolvidos no esquema. Como os suspeitos presos preferiram só falar em juízo e as escutas foram desativadas, a missão será difícil, confessa o delegado:

– Um dos passos será identificar quem comprou as joias roubadas lá em Foz do Iguaçu (PR). Já sabemos que peças da Joalheria Ajax foram vendidas lá.

Além das escutas, as imagens das câmeras de segurança das joalherias foram decisivas para a investigação. Segundo o delegado, como os criminosos não usavam máscaras ou toucas, a identificação foi mais fácil do que em outros tipos de assaltos, como roubos a banco.

Os ataques da quadrilha
- 13/05/2009 – Às 15h30min, dois homens assaltam a Joalheria Pupila, na Avenida Bento Gonçalves, bairro Partenon. Os donos reagem e um deles, Cleber Dias, é morto a tiro no local.
- 6/05/2009 – Às 14h, um homem invade a Joalheria Domani, no Shopping Total. Após render as funcionárias e encher sacolas com joias, o ladrão sai caminhando. Na fuga, é auxiliado por um comparsa em uma motocicleta.
- 29/04/2009 – Às 9h30min, quatro homens atacam a Joalheria Galimberti, na Avenida Azenha. O roubo dura menos de três minutos.
- 20/04/2009 – Quatro assaltantes entram na joalheria Ajax da Andradas e rendem as funcionárias. Em poucos minutos são levados óculos e joias.
- 11/04/2004 – Seis assaltantes invadem o Bourbon Shopping Ipiranga, rendem vigilantes e anunciam o assalto na Joalheria Coliseu. O grupo age com violência. Um dos vigilantes é ferido com uma coronhada, e as vitrines são quebradas.
- 11/04/2009 – Às 10h40min, dois homens entram na joalheria Ajax, do Shopping Total, passando-se por clientes e anunciam o assalto. Entregam para uma das vendedoras uma sacola para colocar as joias.

 

 

 

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