Atualizada em 03/07/2009 às 15h34min
João Henrique Machado | joao.machado@pioneiro.com
Falta de postos rodoviários, de infraestrutura nas ruas e estradas, de policiais e de educação dos motoristas. Tudo isso somado ao aumento do número de veículos. Estas são as constatações das autoridades de trânsito da Serra para explicar o crescimento de mortes em acidentes na região. No primeiro semestre deste ano, foram registradas 120 vítimas fatais. No ano passado, houve 106 no mesmo período, 14 a menos que em 2009.
Para o comandante do 3º Batalhão Rodoviário da Brigada Militar, em Bento Gonçalves, major Ordeli Savedra Gomes, a construção de mais dois Grupos Rodoviários são essenciais. De acordo com o policial, deve haver mais esforço para tornar realidade os postos de Caxias do Sul, previsto para o entroncamento da RSC-453, a Rota do Sol, com a BR-116, e de São Francisco de Paula, com terreno cedido às margens da RS-020, próximo à Rota.
Segundo o major, cada um dos grupos necessita da compra de duas viaturas e também da contratação de pelo menos 15 patrulheiros.
— Nem deveríamos
chamar de acidentes esses eventos de trânsito. Em quase 100% dos casos, as mortes são causadas pela imprudência dos motoristas. Precisamos fazer ações ostensivas e fiscalizações, mas os trechos são muito longos — reclama Gomes.
Falta de efetivo também é um dos problemas crônicos da 5ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Caxias do Sul. Há pelo menos três anos, o chefe do órgão, inspetor Rodrigo Aver Pizzolatto, clama por mais patrulheiros. Na avaliação de Pizzolatto, seriam necessários pelo menos 80 policiais para trabalhar nos postos de São Marcos, Caxias e Nova Petrópolis, sob jurisdição da 5ª Delegacia. Atualmente, a repartição conta com 42 servidores.
— Recebemos radares fotográficos e bafômetros, mas há fatores que preocupam. A frota de veículos se elevou em 9,5% no Estado, e em nosso trecho há 10 anos não temos grandes obras. Pelo menos deveriam estar projetando passarelas ou elevadas, mas não tenho notícias disso — reclama o inspetor.
Problemas com a estrutura
viária também são apontados pelo chefe da 6ª Delegacia da PRF, em Vacaria, inspetor Tiago Pires de Souza. A principal reclamação dele é sobre os acessos irregulares construídos ao longo dos anos na BR-116 e na BR-285, ambas rodovias que cortam o perímetro urbano vacariense.
De acordo com o policial rodoviário, apesar da instalação de lombadas eletrônicas nos trechos de maior tráfego de pedestres na cidade, em 2007, há poucas semanas houve uma morte por atropelamento próximo a um desses redutores de velocidade.
— Esse trecho (da BR-116) é delegado ao Estado. Mas essa área urbana não faz parte da concessão do pedágio. Daí, ficamos na mão. Já questionamos o Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem) desde o início deste ano, mas até agora, nada — queixa-se o chefe da 6ª Delegacia.
CONTRAPONTO
O que diz o Daer sobre os problemas apontados pela PRF em Vacaria:
“Naquele perímetro urbano, encontram-se diversas situações que
contribuem como fatores de risco. Os acessos de particulares à rodovia em situação irregular se constituem em um desses problemas. No ano passado, a autarquia realizou levantamento dos problemas naquelas travessias e notificou os respectivos proprietários sobre as irregularidades que vão desde a instalação indevida de placas até acessos para veículos sem autorização do órgão. A irregularidade nesses casos recebe tratamento e solução jurídica, a partir do encaminhamento das notificações à Procuradoria Geral do Estado. Além disso, o Daer analisa e encaminha soluções de engenharia para aumentar as condições de segurança.
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