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  • Caxias do Sul
  • 27 de maio de 2012

O PIONEIRO - Jornal de Caxias com notícias, esportes, colunistas e mais

10/02/2012 | N° 11292Alerta Voltar para a edição de hoje

COTIDIANO | GILBERTO BLUME

  • NOSSAS ESCOLHAS

    Seres políticos que somos, ou que deveríamos ser, politizamos até a tragédia. É o caso dos alagamentos desta semana. Há que se ter cautela, porém. Cautela, em política, é igual caldo de galinha: não faz mal para ninguém.

    O que quero dizer?

    Quero dizer que não é o atual governo o único, o principal e nem o maior culpado pelos alagamentos. Também não será o atual governo que vai solucionar os problemas. Talvez sequer o próximo resolva.

    O governo Sartori tem tanta responsabilidade nos alagamentos desta semana quanto teve o governo anterior, do Pepe, ou do governo anterior ao do Pepe, do Vanin, ou ainda do governo anterior ao do Vanin, ou.

    Para não ser injusto, é preciso dizer que os vereadores de todos os tempos têm a mesma responsabilidade que recai sobre os prefeitos.

    Para não ser injusto, ainda é preciso dizer que a população de Caxias também tem responsabilidade pelas enchentes, tanto quanto os prefeitos e os vereadores.

    Por quê?

    Os prefeitos: porque os prefeitos investiram pouco, nada ou equivocadamente em saneamento. Porque os prefeitos não conseguiram educar o povo adequadamente, para que o povo soubesse conviver consigo mesmo, com ou outros e com a natureza.

    Os vereadores: porque os vereadores foram incapazes de criar leis que ordenassem a ocupação da cidade. Porque os vereadores foram incapazes de fiscalizar o cumprimento das leis existentes.

    A população: porque eu, nós ainda burlamos as leis existentes que regulam a ocupação da cidade. Porque eu, nós ainda sujamos, emporcalhamos a cidade como se vivêssemos isolados de tudo e de todos.

    O ciclo do atual infortúnio se fecha assim, como em diversos outros aspectos de nossas vidas: somos seres incultos, pretensamente políticos, a espernear quando a água bate no queixo, a buscar culpados quando estamos sem saída, a golpear abaixo da cintura quando nos convém.

    Ao invés de procurar culpados, agora, o aconselhável seria tentar somar, enriquecer o debate.

    Como?

    Mirando-nos no espelho com alguma crítica e cobrando providências, sempre e sempre.

    Os alagamentos verificados nesta semana vão se repetir mais cedo ou mais tarde, não sejamos otimistas apostando no contrário. Até lá, contudo, podemos ir aperfeiçoando nossas atitudes pessoais e coletivas, nossas políticas públicas, nossas escolhas.

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