O momento não é para criticar, somente. O aguaceiro que submergiu Caxias foi muito maior do que a cidade poderia suportar.
Criticar a quem, afinal?
O cidadão, que ainda não se relaciona adequadamente com o próprio lixo?
A prefeitura, que ainda não conseguiu educar o cidadão adequadamente e que investe insuficientemente em infraestrutura?
A natureza?
O momento é muito mais de resolver os problemas que a chuva causou e buscar soluções para o curto, médio e longo prazo do que criticar o, a, os.
Não há culpados, pois.
De todo modo, o aguaceiro empurrou para o meio da sala um assunto que não tem mais como ser deixado escondido sob o tapete: a mesma Caxias que cresce sem parar não está recebendo os investimentos necessários que deem suporte ao seu próprio crescimento.
O ano é eleitoral, e no país inteiro corre a antiga máxima de que o cidadão deve aproveitar o ano eleitoral para obter o máximo de garantias de que algo será feito por ele ao longo de quatro anos.
Em Caxias não é diferente, o caxiense não é um cidadão diferente do cidadão brasileiro, os políticos daqui também não são diferentes dos demais políticos brasileiros.
A eleição deve, ou deveria, ser interpretada por todos, cidadão e candidato, como um momento de assinar contratos temporários de trabalho.
Fique claro que, nessa relação, o patrão somos nós, o cidadão.
Na eleição seguinte, é o patrão (ops, o cidadão) que decide quem seguirá contratado e quem receberá cartão vermelho.
A chuva que cai aqui é a mesma chuva que cai em qualquer lugar, inclusive com os mesmos efeitos nefastos. É quando o assunto aquele é tirado de sob o tapete.
Talvez o único ponto positivo que essas tragédias proporcionam é mostrar, claramente, o que queremos e o que não queremos na condução das cidades, dos Estados, do país.
Que chovam mais e mais eleições sobre nossas cabeças.
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