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  • 27 de maio de 2012

O PIONEIRO - Jornal de Caxias com notícias, esportes, colunistas e mais

07/09/2010 | N° 10838AlertaVoltar para a edição de hoje

CHARGE JORNALÍSTICA

Caras do cartum

Feras das tiras analisam a liberdade na charge jornalística

A representação da vontade de criticar que todos nós temos, a expressão mais eloquente da liberdade, um gênero jornalístico marcado pela análise e estilo pessoal, uma arma silenciosa ou o cinema feito à mão por um cara só. Estas foram apenas algumas definições que fizeram parte do painel Charge Jornalística: Cartum, Liberdade e Poder, um dos últimos a ocorrer no 33º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), encerrado ontem na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Para discutir o tema, quatro nomes de peso da caricatura, charge e cartum brasileiros, os gaúchos Santiago, Edgar Vasques, Canini e Celso Schröeder, e ainda o jornalista português e representante da Associação Ibero-Americana de Comunicação Luis Humberto e o professor Adolpho Queiroz foram convidados.

Dividindo o papel de humoristas com o de jornalistas, cartunistas e chargistas usam seus traços a favor da crítica desde muito tempo.

– O primeiro jornalismo impresso que houve na história foi a charge – comentou Vasques.

O tema liberdade e poder veio a calhar numa área da arte/jornalismo que sempre sofreu com a censura. Conforme o chargista Santiago, não existe humor a favor, ele deve ser sempre contra, é regra criticar tudo e todos. Mas isso costuma implicar em problemas, principalmente no que diz respeito ao modelo de jornalismo atual.

– A charge opinativa é inviável nos jornais de hoje, que são muito mais empresas do que imprensa. Vejo humoristas reclamando (sobre a lei eleitoral que impede a ridicularização de candidatos políticos), mas muitos deles são censurados no dia a dia, dentro da empresa em que trabalham, e ficam quietos. É hipocrisia – criticou Santiago, que considera a internet e a literatura melhores plataformas para a charge.

A visível capacidade de síntese e de fazer rir na medida em que expõe contradições pode ser o que coloca a charge e o cartum na mira das censuras.

– Alguns jornais são incapazes de absorver a crítica, de produzir reflexão no leitor. A charge não pode ser enquadrada nesse ou naquele interesse – disse Schröeder.

Ao longo do debate, não faltaram análises sobre as especificidades do humor gráfico, mescladas com histórias marcantes da trajetória dos profissionais da opinião desenhada. Luis Humberto, o único da mesa não ligado diretamente à área do desenho, resumiu o importante papel dos colegas no jornalismo:

– Os cartunistas são aqueles que põem o dedo na ferida chamando a atenção para situações, sobretudo àquelas em que o poder se sobrepõe à sociedade. A charge é uma crônica que lida com a deformação ou amplificação de elementos atuais.

siliane.vieira@pioneiro.com

SILIANE VIEIRA
- Canini – responsável por dar o traço brasileiro ao gibi Zé Carioca, escreveu mais de 100 histórias para os Estúdios Disney, com um traço completamente fora dos padrões americanos. Criador das tiras do indiozinho Tibica. Contribuiu com publicações como Pasquim e Pancada, além de ter ilustrado diversas obras infanto-juvenis.
- Edgar Vasques – jornalista, chargista, cartunista, caricaturista e aquarelista. Criador do personagem Rango, símbolo de resistência a ditadura militar nos anos 1970. É autor de vários livros e criador da série do Analista de Bagé em quadrinhos publicadas na revista Playboy.
- Santiago – iniciou sua carreira de cartunista em 1975, na extinta Folha da Tarde, de Porto Alegre. Trabalhou também para o Jornal do Comércio, Jornal do Brasil e para editoras de livros didáticos. Também publicou livros.
- Celso Schröeder – cartunista, ilustrador e chargista desde 1974. Leciona no curso de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC). Foi chargista do Correio do Povo. É presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Objetivos
Entre os objetivos do Intercom estão contribuir para a reflexão sobre problemas da comunicação e prover e difundir a liberdade de expressão e de pensamento.

 

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