Caxias do Sul – O auge do final dos anos 1970, quando a dupla Ca-Ju disputou o Campeonato Brasileiro, deu lugar a uma retração no começo da década seguinte. A queda, somada à redução do número de clubes, tirou o futebol caxiense do cenário nacional por cinco temporadas.
O retorno do Ju só aconteceu em 1986, e o do Caxias, em 1987, ano em que o Clube dos 13 rebelou-se contra a CBF e realizou a Copa União. O Campeonato Brasileiro foi dividido em quatro módulos: Verde (integrado pelos 16 clubes de maior torcida), Amarelo, Azul e Branco.
A dupla Ca-Ju integrou o Azul, formado por 24 clubes do Sul e Sudeste. Ambos passaram pela primeira e segunda fases e se enfrentaram num mata-mata que valia vaga ao triangular final.
O Juventude ganhou o primeiro por 1 a 0, gol de Capanema. Três dias depois, no Centenário, o Caxias vencia por 1 a 0, o que lhe bastava por ter melhor campanha, quando o técnico Célio Maciel colocou em campo o garoto Claudinho. O centroavante dos juniores não se intimidou. Em cruzamento do zagueiro Dorotéo Silva, empatou o clássico de cabeça e classificou o Ju. Na fase decisiva, o time acabou em terceiro, perdendo o título para o Americano, de Campos (RJ). Foi o primeiro de cinco gols que fizeram de Claudinho um personagem dos Ca-Jus dessa época.
Seu equivalente pelo lado grená foi o meia Gerson Lopes, que balançou a rede do rival seis vezes. Uma delas também em 1987, numa vitória que credenciou o Caxias a decidir (e conquistar no sorteio) o primeiro turno do Gauchão contra o Grêmio.
Com outros dois gols, o camisa 10 de cabelos encaracolados comandou os 4 a 1 num clássico pela Série B nacional de 1988, até hoje o maior placar do Caxias na Era Ca-Ju (pós 1976). Numa revanche do Brasileiro do ano anterior, desta vez foi o Caxias quem seguiu na competição, até ser eliminado, curiosamente, também pelo Americano.
A volta por cima estava em curso. Em 1990, o Caxias do guerreiro volante Caçapava, recordista absoluto em Ca-Jus disputados, pela primeira vez sagrava-se vice-campeão gaúcho. Só não foi além pela lesão grave que tirou o goleiro Barbirotto do futebol e por ter empatado, justamente, os dois Ca-Jus do quadrangular final, enquanto o Grêmio venceu os dois Gre-Nais.
Coube ao Juventude o grande salto do período ao assinar, em 1993, o contrato de co-gestão com a Parmalat. No ano seguinte, a papada comemorava o título da Série B e ingressava na elite do futebol brasileiro (eliminando, adivinhe quem? O Americano...). De quebra, também foi vice estadual no mesmo ano.
Ser campeão gaúcho deixava de ser um sonho tão impossível. Algo que o futebol caxiense provaria no capítulo seguinte dessa série.
Dorotéo Silva, 50 anos, zagueiro, jogou no Juventude de 1985 a 1990, com uma breve saída nesse período. Disputou 18 clássicos. Uruguaio, hoje trabalha nas categorias de base do Juventude.
Renato Ubirajara Formoso Pires, o Caçapava, 47 anos, foi volante do Caxias de 1983 a 1991. Hoje é funcionário da Fras-Le e treina times da empresa. É quem mais jogou Ca-Jus: 34 clássicos.
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| Lateral artilheiro |
| O Juventude lutava contra o rebaixamento e Carlos Froner decidiu escalar um lateral-direito como centroavante no clássico de 13/9/1981, no Jaconi. O improvisado Catarina fez dois na vitória por 3 a 0. |
| 11 clássicos |
| foram disputados em 1987: seis pelo Gauchão, um amistoso em Uruguaiana e quatro pelo Brasileirão. Houve duas vitórias para cada lado e sete empates. |
| Nos pênaltis |
| Caxias e Juventude encontraram-se na semifinal do primeiro turno do Gauchão de 1988, em jogo único no Centenário. Após 0 a 0 no tempo normal e 1 a 1 na prorrogação, gols de Capanema (J) e Zico (C), o Caxias garantiu a vaga nos pênaltis. |
| Peixoto faturou 300 |
| O Ju vinha mal em 1992 e encarava o Caxias embalado. Roberval Davino foi chamado de louco ao improvisar o zagueiro Peixoto como centroavante. E ainda prometeu 150 mil cruzeiros por gol. |
| Ariomar fez Caxias 1 a 0. Peixoto empatou aos 16 e virou aos 43, tudo no primeiro tempo. Na etapa final, o goleador foi substituído antes que pudesse marcar mais um: |
| Eu só tinha 300 mil cruzeiros... justificou Davino, aos risos. |
| O último nacional |
| Caxias e Juventude se enfrentaram pela última vez em Brasileiros na Série B de 1991. |
| Em 18/2, no Jaconi, o Caxias ganhou por 2 a 1. |
| Em 7/4, no Centenário, o troco: Juventude 2 a 1, dois gols de Claudinho. |
| O ano do três |
| Que jogaço em 15/3/1994, no Jaconi, pelo Torneio Festa da Uva. O Juventude vencia por 3 a 0, mas o Caxias buscou o 3 a 3. Nos pênaltis, deu Ju. |
| Pouco depois, em 24/4, pelo Gauchão, o Ju voltou a abrir 3 a 0, e desta vez segurou a goleada. |
| O troco veio em 11/12. Ainda em festa pela conquista da Série B, uma semana antes, e metido numa maratona de jogos todos os dias para completar a tabela do Gauchão, o Ju teve a faixa carimbada no Centenário: Caxias 3 a 1. Foi o primeiro Ca-Ju profissional de um certo Washington. |
| A série |
| Terça-feira 1935/1950 |
| Quarta-feira 1951/1965 |
| Quinta-feira 1966/1980 |
| Hoje 1981/1995 |
| Sábado 1996/2010 |
| Ca-Ju inesquecível |
| O Ca-Ju que mais me marcou foi no Centenário. Estávamos perdendo de 1 a 0 e tínhamos que ganhar para classificar no campeonato nacional (em 28 de novembro de 1987, com o resultado o Juventude classificou-se para disputar o Módulo Amarelo de 1988, equivalente à Série B). Terminou 1 a 1, fizemos gol aos 40 do segundo tempo (Claudinho, de cabeça, em cruzamento de Dorotéo). |
| Clássicos |
| A cidade se movimentava muito. Sempre lotavam os estádios, a torcida participava bastante. Tinha uma boa propaganda. Os dois estavam com bons times. Era muito parelho. A rivalidade vai ficar na história. Era bem puxado, um clássico muito disputado. Durante a semana sempre se comentava. O jogo era mais técnico. |
| Anos 1980 |
| Em clássico sempre teve cobrança, principalmente do torcedor. Da parte da diretoria não era tanta. A cobrança era mais entre nós mesmos, porque todo jogador gostaria de ganhar o Ca-Ju. Na minha época tinha muito jogador técnico, Cuca, Plein, Neni, Simão, Capanema... Agora o futebol é mais rápido e tático. |
| Convivência |
| A rivalidade era muito grande, mas eu tinha amizade com jogadores do Caxias. Dentro de campo cada um defendia o seu clube. No Vitória da Bahia um treinador me pediu uma referência de um zagueiro e indiquei Sergio Odilon, que era do Caxias. |
| Lembranças |
| Em 1986 fui escolhido o melhor jogador da cidade. Depois que saí, mas sempre ficou uma boa lembrança e amizade, por isso hoje estou em Caxias. |
| Ca-Ju inesquecível |
| Teve vários, mas cito o de 1990 (Caxias 1 a 0, gol de Nilson, em 20 de maio), quando fomos vice-campeões do Estado. Na época falei que convocaria a torcida do Caxias para ir ao salão de festas, que era o Alfredo Jaconi. A torcida do Juventude ficou meio chateada, mas falei aquilo com a intenção de promover o clássico. |
| Recorde de Ca-Jus |
| Posso dizer que sou o mais experiente dos clássicos, foram 34 Ca-Jus, e entrar para a história como quem mais jogou clássicos me deixa muito realizado e feliz. |
| Anos 1980 |
| Os clássicos eram mais vibrantes. Os estádios ficavam cheios. Depois perdeu um pouco a força pelo fato de ter ficado muito tempo sem ter Ca-Ju, especialmente no Gauchão. Teve alguns, mas com time B. A violência afastou muitas famílias e crianças dos estádios. Aos poucos, está se recuperando o espaço perdido, já que os estádios têm câmeras de segurança. Já se vê no Alfredo Jaconi e Centenário muitas crianças, os futuros torcedores da dupla. |
| Como se jogava |
| Na minha época se jogava com três atacantes, hoje é um, dois, no máximo. O clássico era mais bonito, jogado mais para frente. Hoje é mais truncado e o treinador depende muito do resultado. |
| Convivência |
| Criei minha imagem dentro da equipe do Caxias. Nas seleções do Pioneiro e enquetes do Caxias o Caçapava foi o jogador mais votado em sua posição na época do Estádio Centenário. Criei uma imagem ali. Mas também joguei no Juventude (segundo semestre de 1986, no Campeonato Brasileiro), então criei um vínculo de amizade lá também. |
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