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  • Caxias do Sul
  • 27 de maio de 2012

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13/03/2010 | N° 10685Alerta Voltar para a edição de hoje

COTIDIANO | CIRO FABRES (INTERINO)

  • PROIBIR É VEXATÓRIO

    Ter de chegar ao estágio da proibição é uma lástima. Proibir o funcionamento de lojas de conveniência depois da meia-noite, o ato de proibir como resposta, isso é muito ruim. Significa o naufrágio da convivência respeitosa entre pessoas que têm interesses divergentes. Uns querem se divertir, outros pretendem dormir, porque estão cansados e precisam levantar cedo. Em ambos os casos, santas e justas pretensões, o diabo é que elas não conseguem se harmonizar.

    Por esse ângulo, a proibição é trágica, um símbolo de nossos fracassos. Não são poucos os que criticam as proibições como resposta. Claro que sim, o melhor dos mundos é aquele onde seria proibido proibir, como declaravam os movimentos de juventude – olha a juventude aí! – nos anos 60. Ocorre que há respostas a serem oferecidas cotidianamente aos desrespeitos, às inconveniências, aos excessos e barbarismos praticados por alguns que contaminam o todo. Então é preciso providências, a serem analisadas caso a caso.

    É assunto para policiamento, claro, essas confusões noturnas. Precisa fiscalização para conter a falta de educação e de bons modos que afronta o que está no Código de Posturas, ou até mesmo para conter situações de risco e insegurança. Ocorre que faltará gente no serviço público para cuidar de toda a cidade. E aí, como é que faz? Ou esperamos até os governos contratarem mais fiscais e policiais?

    Proibir é vergonhoso. Antipático e não raras vezes um excesso de quem proíbe. Mandar fechar lojas de conveniência depois da meia-noite é, antes de tudo, medida burra para uma cidade que quer crescer. Mas proibir é vergonhoso e vexatório para toda uma comunidade que não consegue conciliar diferenças e a convivência e coloca a alternativa de proibir como um dos instrumentos cogitados como resposta.

    Proibir no mais das vezes, aquele ato de proibir que não se justifica apenas para regular o funcionamento da cidade, que é uma medida antipática, coercitiva, de imposição de força, esse proibir significa que não temos a capacidade de nos entender. É uma hematoma no corpo da cidade.

    A quantidade de proibições com as quais convivemos dá uma boa medida do tamanho de nossa falta de educação e da ineficiência dos serviços públicos. Uma boa medida do estágio de uma civilização, portanto. O nosso, por aqui, anda lá embaixo.

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