ornalista, filha do militar e político Pedro Américo Leal e secretária estadual da Cultura, Mônica Leal (PP) visitou Caxias do Sul pela primeira vez desde que assumiu a pasta. E a poucos dias de deixar o cargo, já que a partir de abril é candidata a deputada estadual. Veio na semana passada fechar um convênio para exibição de filmes gaúchos na TV Câmara e aproveitou para visitar a Festa da Uva.
– Já estive em Caxias como vereadora (de Porto Alegre) e candidata ao Senado (em 2006), mas como secretária acredito que não. Tenho uma ligação afetiva muito grande com amigos de Caxias – disse.
A seguir, trecho da entrevista que ela concedeu ao Pioneiro.
Pioneiro: Encontros sobre a Lei de Incentivo à Cultura (LIC) Estadual estão sendo feitos em todo o Estado. Por que há tantos problemas com os projetos enviados e quando esses seminários vêm para Caxias e região?
Mônica Leal: Tivemos esses seminários depois de
constatar que 99% dos projetos chegavam na Secretaria
inabilitados por erros básicos, de formatação ou de exigências legais. Foi tanta a procura que já levamos para Santa Maria, Encantado, Santana do Livramento, Gramado, Igrejinha e vamos estar em Caxias, se houver uma solicitação. São os municípios que precisam se manifestar. Queremos trazer palestras para museus. Eles guardam coisas do tempo, mas não podem se perder no tempo. Desde que se faça a solicitação ao Museu de Artes do Rio Grande do Sul (Margs), também é possível que se tenham exposições itinerantes.
Pioneiro: A Secretaria da Cultura adotou uma nova postura após os escândalos envolvendo a LIC em 2008?
Mônica: Tomamos muitas providências, entre elas fazer um diagnóstico para entender por que ocorreram as fraudes. Chegou-se à conclusão que havia uma estrutura muito frágil, ou seja, nós necessitamos de um sistema automatizado para trazer maior rigor nesse controle e maior agilidade.
Pioneiro: Como
promover uma descentralização dos bens culturais da Capital
para o Interior?
Mônica: Trabalhando com patrimônio cultural, investindo naquilo que é a manutenção da nossa memória. Em casas como a do ex-presidente Jango, em São Borja, a LIC se fez presente com cerca de R$ 1,1 milhão, fazendo a casa virar um museu. Dessa forma, nós nos aproximamos do Interior. Eu viajo muito para conhecer as necessidades culturais de cada município. A LIC se faz presente em 93% dos projetos no Interior do Estado.
Pioneiro: Especificamente em Caxias, sem contar a LIC, que outras iniciativas estaduais trazem atrações culturais para Caxias? E a Secretaria reconhece a cidade como polo cultural?
Mônica: Não poderia pontuar, pois são inúmeras e lido com projetos de 496 municípios. Nós investimos e incentivamos todo e qualquer projeto que tenha cunho cultural. A LIC tem dinheiro, R$ 28 milhões, e está saneada, não tem mais dívidas. A Secretaria só pode apoiar projetos por meio da LIC, eu não
tenho verba orçamentária para incentivo nenhum de outra
forma. Caxias é uma cidade reconhecidamente histórico-cultural, com vida própria, e tem uma economia que se movimenta em função desse polo cultural. Gera renda, gera emprego e é reconhecida por nós.
babiana.mugnol@pioneiro.com
| Comentários da secretária estadual da Cultura, Mônica Leal, sobre: |
| A demissão do professor e historiador Voltaire Schilling do Memorial do Rio Grande do Sul, em fevereiro: |
| Ele vinha fazendo um trabalho que não estava em sintonia com o meu e também haviam denúncias a ser examinadas. O cargo do professor Voltaire era de confiança e eu achei por bem que era o momento de rompermos aquele vínculo. |
| A participação na Cavalgada do Mar, em que dois cavalos morreram: |
| Eu fui fazer aula de hipismo porque fiz uma promessa à governadora Yeda Crusius que, caso ela fosse eleita a primeira mulher a governar o Rio Grande, eu montaria, e daí em diante passei a participar de todos os eventos. A morte dos cavalos é uma fatalidade, a cavalgada tem 26 anos e, que eu saiba, não morreram tantos cavalos assim para se querer terminar com ela. Eu acho que é valida uma discussão com veterinários, porque deve ter acontecido algum erro, da escolha do percurso, do horário da saída, que iniciou às 9h com 40 graus, ou outro. |
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