As grandes decisões e descobertas da humanidade, em geral, tiveram a mesma motivação: sobrevivência. Para garantir a própria vida, o homem teve de fazer escolhas e encontrar soluções que mudaram os rumos da história. Com a invenção dos métodos anticoncepcionais não foi diferente. Era preciso encontrar uma maneira de controlar o número de nascimentos e evitar o colapso de uma superpopulação, sem, é claro, abrir mão do prazer do sexo.
Motivados a recontar o caminho percorrido (desde a Antiguidade até o Século 20) para entender o mecanismo da reprodução humana e saber como controlá-la, médicos e pesquisadores da Universidade de São Paulo lançaram o livro História da Anticoncepção (Editora Casa & Leitura Médica, preço médio de R$ 50). São 168 páginas recheadas de curiosidades sobre métodos usados séculos atrás, os mitos relacionados à gravidez e os equívocos cometidos na tentativa de evitá-la. Também estão contados os percalços enfrentados nesse trajeto, sobretudo devido à resistência da
Igreja e aos
valores morais de cada época.
Desde a civilização egípcia, foram registradas algumas tentativas de se evitar a gravidez. Um desses documentos, datado de 2200 a.C, cita, por exemplo, o uso de um pano embebido com uma mistura de excremento de crocodilo e farinha fermentada, que era colocado na vagina para impedir a entrada do esperma. Se era eficaz ou não, é difícil dizer. O mais importante desse registro é entender que a preocupação em limitar o número de indivíduos vem de muitos séculos atrás.
O processo para conseguir ter controle sobre a fertilidade foi longo. Até os métodos contraceptivos fazerem parte da vida sexual de um casal, preconceitos foram rompidos e muitos anos foram dedicados às pesquisas médicas. Afinal, o primeiro passo para se evitar uma gestação era saber como funcionava o corpo humano e o processo de fecundação.
– Nos primórdios, não se sabia como uma mulher engravidava. Inclusive, escolhemos para a capa do livro um quadro de 1910,
que reproduz uma mulher batendo com
uma sombrinha na cabeça de uma cegonha, como se ela fosse realmente a responsável por trazer os bebês – diz uma das autoras, a ginecologista Angela Maggio da Fonseca.
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