Leitor faz contato para alertar que nem todo folgado tem a noção de estar sendo inconveniente.
Será?
Esse leitor, vamos chamá-lo de Paulo, argumenta que o dono de um cachorro pode jamais ter ouvido falar que o correto é recolher o cocô do mascote durante os passeios.
Pode ser.
O cotidiano nos prega tantas peças que talvez ainda haja mesmo gente morando em apartamento mas agindo como se vivesse em caverna. Cabe a nós, portanto, trazer o folgado à realidade. Como? Oferecendo uma sacolinha para que acondicione os excrementos do bicho, conforme muito bem ensinou a leitora Norma nesta semana.
Segundo o leitor Paulo, esse exemplo dos cachorros que levam os donos para passear é apenas um entre outros exemplos de folgados acidentais, gente inconveniente que jura não estar provocando ruído algum na paisagem. Essa categoria de folgados precisa, e merece, um empurrão para melhorar sua convivência entre os bandos civilizados.
Aos poucos, espera-se que logo, não haverá mais cachorro algum defecando em público sem dar a descarga. O combate aos folgados em geral requer paciência, insistência, rigor, algum humor e muito, mas muito constrangimento e intolerância, embora as autoridades prefiram o termo “conscientização” para prometer consertar tudo o que está errado, do trânsito ao meio ambiente.
Se a criatividade humana foi capaz de conceber a salada de batatas com maionese feita em casa, como não seremos capazes de fazer prevalecer alguns itens básicos de educação, etiqueta e comportamento?
O leitor Paulo pode ter razão quando diz que nem todo folgado sabe que é folgado, mas também é verdade que tudo pode ser mudado: nós precisamos avisar o folgado. Alguns folgados, porém, são tão inconvenientes que acabam compensando, com sobras, a distração de seus colegas. O que dizer do sujeito que ainda mantém o celular ligado no cinema ou no teatro? Não tente me convencer que o folgado não conhecia celular, comprou o aparelhinho e entrou no cinema para assistir a um filme. Daí o celular tocou!
Desde que conferimos ao celular a importância de um braço ou de uma perna, sabemos que há ocasiões em que o aparelho deve ser desligado. Para enfrentar esses inconvenientes, a sugestão é respirar fundo e torcer para que o telefonema recebido seja o chefe anunciando a promoção do folgado para a filial no Oriente Médio.
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