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  • Caxias do Sul
  • 8 de fevereiro de 2012

O PIONEIRO - Jornal de Caxias com notícias, esportes, colunistas e mais

21/12/2009 | N° 10616AlertaVoltar para a edição de hoje

EMPREGO

Fim de ano sem férias coletivas

Cerca de 60% dos trabalhadores do setor metalmecânico de Caxias não terão descanso neste fim de ano

Caxias do Sul – Passar o verão trabalhando pode ser um motivo para reclamações. Mas, neste ano, férias é o que menos importa para a maioria dos trabalhadores. Isso porque no fim de 2008 a crise mundial resultou numa avalanche de demissões, férias prolongadas, clima de insegurança e o medo de perder o emprego. Passar o verão de 2009 trabalhando é sinal de recuperação econômica para as empresas e garantia de emprego para os trabalhadores.

O orientador Rodrigo Stecanela, 29 anos, trabalha na Randon há uma década. Ele conta que em 2008 teve 20 dias de férias, mas neste ano não haverá pausa.

– Eu vejo isso como um momento bom. Se não há férias é porque tem bastante trabalho, e isso quer dizer que o mercado está bom – afirma Stecanela.

Uma pesquisa do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) com empresas do setor metalmecânico revelou que cerca de 60% dos 50 mil trabalhadores caxienses não terão férias coletivas.

O diretor-executivo do Simecs, Odacir Conte, explica que apesar de a economia estar voltando ao normal, a recuperação é lenta. O crescimento se iniciou em julho, com um percentual de cerca de 3% ao mês. Conte informa que o ano será fechado com um índice de 10% a 11% menor que o ano passado em termos de desempenho econômico. Os níveis de desemprego também não serão zerados.

– Com essa aceleração, nós estamos tentando recuperar os cerca de 6 mil trabalhadores dispensados em outubro do ano passado. Até o final de dezembro devemos recuperar cerca de 3 mil, cerca de 55% dos cargos perdidos. Mas as perspectivas para o ano que vem são positivas. Talvez lá por abril a gente zere as demissões – prevê Conte.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região registrou quase mil desligamentos em Caxias no final do ano passado. O presidente da instituição, Assis Mello, explica que dezembro é um período em que historicamente há demissões, mas que neste ano as empresas estão em fase de contratação.

– Faz quase uma década que não havia contratações em dezembro. Isso demonstra a retomada do desenvolvimento – comemora Mello.

O auxiliar geral Diego Guerra Freitas, 19, é um exemplo positivo. O rapaz foi contratado há três meses pela Randon e também vai trabalhar neste verão.

– Foi escolha minha não tirar férias neste final de ano. Eu perderia muitos dias de trabalho.

De acordo com Odacir Conte, o setor de exportações é o que se recupera da crise mundial mais lentamente, pois o dólar baixo é desfavorável às vendas externas.

louise.pierosan@pioneiro.com

ESPECIAL PARA O PIONEIRO LOUISE PIEROSAN
Demissões
O Sindicato dos Metalúrgicos divulgou os números de demissões registrados pelo setor. Em novembro, foram 525 desligamentos. Em dezembro,
250.
Exportação
Cerca de 20% da produção do setor metalmecânico de Caxias é exportado. Hoje, esse índice é de pouco mais de 11%. Os dois maiores polos de exportação do Brasil, Argentina e Estados Unidos, ainda não estão reagindo bem à crise, o que
prejudica o país.

 

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