Embora o número de veículos aumente significativamente a cada ano, o professor da Escola Politécnica da USP e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva, Francisco Nigro, não responsabiliza os carros e caminhões novos por parte da poluição do ar nas grandes cidades. Os vilões, segundo ele, são os carros antigos, que não rodam dentro das medidas de emissão de gases estabelecidas pelo Proconve. Para ele, a renovação da frota a e inspeção dos carros mais antigos são imprescindíveis para o controle de emissões.
Outra aposta é a busca pela excelência na fabricação do biodiesel. O combustível, processado a partir de oleaginosas é vantajoso também ao meio ambiente. Nigro explica que a mistura de 5% desse combustível ao diesel diminui de 1% a 1,5% a emissão de material particulado. Em Veranópolis, a Oleoplan planeja produzir no ano que vem cerca de 240 milhões de litros.
Para que haja queda nas emissões de gases nocivos, o coordenador-substituto do Proconve, Márcio
Veloso, defende a melhora na
qualidade dos combustíveis. Ele explica que no diesel, a fumaça preta e material particulado, é diretamente proporcional à quantia de enxofre existente no combustível. Sobre o álcool, Nigro acrescenta que o combustível é renovável, e que cerca de 85% do etanol é reabsorvido pela própria cultura da cana.
A TECNOLOGIA FLEX
A tecnologia flex foi criada no final de 2002. O primeiro modelo lançado foi o Gol Total-Flex, da Volkswagen, no início de 2003.
O sistema foi aprovado pelo público, pela possibilidade de escolha do combustível, de acordo com a variação dos preços da gasolina e do álcool. De janeiro a outubro deste ano, do total de veículos de passeio e comerciais leves fabricados no Brasil, quase 85% eram flex.
O CARRO ELÉTRICO
Com o projeto em desenvolvimento desde 2006, a Fiat lançou este ano o Pálio Weekend Elétrico.
As empresas
parceiras que utilizam o Palio elétrico são Itaipu Binacional, KWO, Ampla, CPFL, Copel,
Eletrobrás, Cemig e Fiat.O objetivo do projeto é produzir 50 veículos até o primeiro semestre de 2010. O modelo é um projeto dos parceiros para garantir ao Brasil know how nacional para o carro ecologicamente correto.
Há também modelos de scooters elétricas disponíveis no mercado.
No mundo, praticamente todas as montadoras já trabalham com projetos de veículos híbridos que utilizam eletricidade como fonte de energia. O mais conhecido é o o Prius, da Toyota. O modelo foi lançado há 10 anos, combina motor elétrico e a combustão e faz pelo menos 20 quilômetros com um litro de combustível. Quando para em congestionamentos, por exemplo, usa apenas eletricidade, sem consumir combustível. O maior concorrente do Prius é o Insight, fabricado pela Honda, lançado no início deste ano.
Outro modelo, o Volt, da General Motors, tem a chegada ao mercado prevista para o início de 2011.
O QUE MOVE OS
PESADOS
Diesel - Tem motor a combustão. Para veículos pesados, o processo
de queima do diesel é o mais eficiente, porque tira mais energia do combustível. O diesel derivado do petróleo libera na atmosfera poluentes responsáveis pelo efeito estufa e nocivos à saúde.
Biodiesel - A possibilidade de um combustível como o diesel e renovável é a combinação de sustentabilidade e viabilidade comercial. A alternativa já existe: é o biodiesel que, gradativamente, está sendo adicionado ao diesel. Atualmente a adição é de 4% de biodiesel no diesel. A partir de 1º de janeiro será 5%.
Álcool - Essa possibilidade de combustível para ônibus ainda está em estudo. O obstáculo é que a queima do álcool no sistema precisa de aditivos, porque é muito rápida e pode danificar o motor, também a combustão.
Como alternativa sustentável, é semelhante ao biodiesel. Ao invés de tirar gás carbônico (CO2) do subsolo, a cana de açúcar (ou outra planta, no caso de outro biocombustível) absorve o gás da atmosfera. Dela é extraído o etanol, que é queimado e
lança o mesmo CO2 na atmosfera, que
será absorvido novamente pela planta.
Eletricidade - Funciona com baterias, que precisam ser recarregadas.
Hidrogênio - O primeiro modelo a circular no país é o desenvolvido pela empresa caxiense Tuttotrasporti. A tecnologia elimina na atmosfera apenas vapor d’água. Para abastecer as células de combustível a hidrogênio, usa-se a eletrólise, uma carga elétrica separa oxigênio do hidrogênio da água. O obstáculo dessa tecnologia é que ela ainda é muito cara.
Híbridos - Já existe uma nova tendência no mercado, de veículos híbridos. Eles possuem um motor de combustão e baterias elétricas. A tecnologia é principalmente para ônibus e caminhões urbanos que tenham como característica diversas paradas no trajeto. Há exemplos de aplicação em Nova York.
Fonte: coordenador da comissão técnica de tecnologia do diesel da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade, Rubens Avanzini
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