Caxias do Sul – Grande parte da frota brasileira de transporte de cargas e de passageiros é produzida por empresas de Serra gaúcha. Junto com esses veículos, carros e motos emitem gases poluentes na atmosfera, causadores de doenças e e responsáveis, em parte, pelo efeito estufa. Só em Caxias do Sul, são 213,4 mil veículos. Diante do aquecimento global, esse modelo cultural e econômico começa a ser repensado. Líderes de 192 países participam até dia 18 deste mês da cúpula da União das Nações Unidas (ONU) sobre mudança climática (COP15), em Copenhague, na Dinamarca. Na Conferência Mundial do Clima, eles discutem alternativas para que o progresso não seja o responsável pela degradação do planeta.
Há empresas que já investem em tecnologia, manutenção dos veículos e na busca por combustíveis mais limpos. Se grande parte dos veículos de passeio que hoje saem de fábrica possuem tecnologia flex, ainda há um longo caminho a percorrer para que haja a popularização do hidrogênio e
eletricidade como fontes de
energia. Com a implantação de um nova tecnologia em larga escala, também será preciso preparar o bolso, tanto de quem produz quanto de quem compra. E o custo alto é apenas uma barreiras de um setor ainda dependente dos derivados do petróleo.
A partir da adaptação de 281 chassis para a rede de trólebus (ônibus ligados a cabos da rede elétrica) em São Paulo, a Tuttotrasporti resolveu entrar de vez na pesquisa e aperfeiçoamento de veículos movidos a combustíveis alternativos. A empresa de Caxias já tem seu primeiro ônibus movido a hidrogênio com células da linha automotiva rodando pelas ruas da capital paulista. Segundo o diretor da empresa, Agenor Boff, mais três ônibus devem entrar em funcionamento no ano que vem.
Para controlar as emissões de fumaça preta e gases poluentes, a Viação Santa Tereza (Visate) faz o controle trimestral dos 328 ônibus da empresa. A medição, feita há 10 anos, aponta os veículos que precisam ser regulados, gerando melhor aproveitamento da queima
do combustível e
diminuindo a emissão de gases. O gerente de manutenção de frota, João Carlos Cardoso, explica que a empresa está atualizada sobre fontes alternativas de energia. Porém, elas ainda custam caro, e o passageiro teria que ajudar a pagar a conta. Por enquanto, a empresa busca outras soluções.
– Estamos investindo em um equipamento que vai monitorar como o motorista dirige, evitando arrancadas e freadas bruscas, que desperdiçam combustível e geram desconforto ao passageiro – explica.
Desde a metade da década de 1980, o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, atua com medidas restritivas à emissão de poluentes. O programa dialoga com as montadoras e fornecedoras de combustíveis. Para um veículo novo rodar precisa estar dentro dos padrões estabelecidos. No caso dos fabricantes de motores e chassis, como a caxiense Agrale, também é preciso trabalhar com essas determinações. A busca por fontes de
energia alternativas também é
uma realidade dentro da empresa, que em 2003 lançou um ônibus movido a gás natural veicular (GNV). Na tecnologia de implementos agrícolas, a linha 4000 de tratores de pequeno porte já está apta a utilizar a mistura de 25% do biodiesel ao diesel, diminuindo a emissão de poluentes.
Mesmo para quem não faz os chassis, como no caso da Marcopolo, existe a preocupação de investir na pesquisa por desenvolvimento de tecnologias mais limpas. O diretor de Engenharia e Operações Industriais, Edson Mainieri, explica que a empresa tem parceria com as montadoras para desenvolver ônibus com tecnologia híbrida. Para evitar o desperdício de combustível e o excesso de queima e emissão de poluentes, a empresa investe na aerodinâmica e no design do ônibus.
Apesar da discussão sobre o uso de combustíveis mais limpos, o diesel ainda é o combustível mais barato, embora seja o campeão no quesito poluição. O etanol, que tem as emissões praticamente neutralizadas devido às plantações de cana, é
uma das apostas do país.
Em 2010, 5% do diesel será composto por biodiesel, diminuindo as emissões e fomentando a produção nacional do combustível e a agricultura familiar.
Até o dia 18 deste mês, está nas mãos dos líderes mundiais o plano de ação para os próximos anos. O problema é global, mas iniciativas encontradas bem mais perto do que se imagina, podem dar exemplo.
| Etanol mais barato |
| A Universidade de Caxias do Sul (UCS) assina no dia 16 um acordo de colaboração com Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A parceria visa ao desenvolvimento de um processo mais econômico para a obtenção das enzimas responsáveis pela quebra do bagaço e da palha de cana-de-açúcar, liberando açúcares para a produção de etanol por fermentação. |
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