Campinas – Quando os jogadores se encaminhavam de ônibus para o Hotel Nacional Inn depois da derrota de 2 a 1 para o Guarani, sábado, em Campinas, pela última rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, dois funcionários do Juventude juntavam os cacos no vestiário dos visitantes do Estádio Brinco de Ouro da Princesa.
Aos prantos pelo rebaixamento do time para a terceira divisão nacional, o massagista Massa enxugava as lágrimas com uma toalha de rosto. Do outro lado, o roupeiro Zico olhava para o infinito, como se estivesse vendo um filme sobre a sua trajetória no clube.
Edson de Camargo, o Massa, e Nilton Antônio Soares, o Zico, representam a própria história do Juventude. Presentes nos maiores títulos, como o Campeonato Gaúcho de 1998 e a Copa do Brasil de 1999, a dupla de apoio chegou ao fundo do poço no sábado. De 2007 a 2009, eles acompanharam de perto o time despencar da Série A para a Série C. Testemunharam choros, discussões e decepções. No Brinco de Ouro, Zico
viu os atletas rebaixados
chegarem ao vestiário em clima de velório.
– Ninguém falou nada, ficaram em silêncio total. Foi muito triste mesmo.
O atacante Mendes, que saiu de campo chorando como uma criança, só conseguiu falar algumas frases à imprensa:
– Amo muito esse clube. Estou muito triste, não queria passar por isso.
Mais abatido ainda, o presidente Sérgio Florian também chorou em seu depoimento aos repórteres:
– É triste. A gente tenta, faz o que pode e não consegue. Uma frustração só. Peço desculpas ao torcedor.
Massa e Zico não falaram nos microfones como Mendes e Florian. Ficaram isolados no vestiário vendo jogadores e dirigentes saírem um a um. Juntaram os uniformes, limparam tudo e carregaram as caixas de metal numa van.
– Os jogadores vão embora do clube, mas a gente fica. Nós é que vamos ter de dar explicação na padaria, na farmácia, no supermercado – previu o
massagista.
No estacionamento do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, ontem de manhã, Massa e Zico
carregavam mais uma van com material. Enquanto a maioria da delegação alviverde ficava na Capital, como o técnico Ivo Wortmann, ou seguia para outras cidades em carros de familiares para evitar qualquer tipo de protestos da torcida em Caxias do Sul, os dois se preparavam para retornar à Serra junto com o preparador físico Luis Inarra. Coragem que muitos não tiveram.
– A gente é que vai ter que dar a cara para bater – desabafou Massa, antes de subir na van rumo ao Alfredo Jaconi, o estádio do mais novo time da Série C.
adao.junior@pioneiro.com juan.barbosa@pioneiro.com
| O América contribuiu |
| Um dos três resultados paralelos que o Ju precisava, em caso de vitória sobre o Guarani, ocorreu. Ceará e América-RN empataram em 0 a 0 no Castelão, em Fortaleza. |
| Se o Juventude vencesse, o time potiguar iria para a Série C. |
| Quem fica, quem sai? |
| O futuro dos jogadores só será definido após a eleição presidencial, que ocorre quinta-feira. A maioria deve deixar o clube, incluindo o atacante Mendes, apesar de ter contrato até o final do Gauchão, e o meia Lopes, com vínculo encerrado. Alguns atletas formados na base, como Tiago Renz, Douglas e Gustavo, permanecem. Outros, como Zezinho e Ivo, devem ser negociados. Sem clima para continuar, Ivo Wortmann será liberado. |
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