De boas intenções a Série C está cheia. Um grupo de juventudistas que assumiu o clube, há dois anos, com a melhor das intenções e cercado de grande expectativa, o mergulhou em uma das piores crises de sua história. Uma pena.
Ao final de 2007, o Juventude era um clube recém-rebaixado à Série B e sem dívidas, graças à venda da sede campestre. Dois anos depois, está na Série C e, extraoficialmente, fecha o ano cerca de R$ 10 milhões no vermelho.
As ideias eram arejadas. O planejamento, na teoria, promissor.
A execução, porém, fracassou de forma retumbante. Pode ter faltado experiência. E aí chegamos ao primeiro e crucial pecado desta gestão, cometido ainda no primeiro mandato, em 2008: o isolamento. No afã de fazer o melhor e romper com modelos que julgavam viciados e ultrapassados, os novos mandatários relegaram a vivência de inúmeros ex-dirigentes.
O Juventude é um só e deveria estar acima de tudo. Essa premissa primordial foi deixada de lado, tanto por quem se isolou, quanto por quem se afastou.
Vale lembrar que a atual diretoria foi reeleita há um ano sem oposição, ou seja, mesmo quem discordava dos rumos do clube se omitiu. Entre situação e oposição, vítimas ou culpados (papéis que se confundem), o resultado hoje é um só: todos estão na terceira divisão.
Cartilha – Os erros desta temporada mostram o quanto a teoria se distanciou da prática. No começo do ano, se aceitou e entendeu a mera participação no Gauchão, com um grupo de jogadores jovens. Esperava-se a necessária e prometida contratação de reforços de qualidade e experiência para a Série B.
O fracasso no Gauchão não surpreendeu. Mas foi na transição entre o estadual e a segunda divisão, em abril, que o Juventude se perdeu.
Com orçamento apertado, não encontrou qualidade, recorreu à quantidade. Trouxe aos borbotões jogadores iguais ou piores aos que já tinha. Quando, tardiamente, partiu em busca da qualificação, encontrou um mercado restrito a atletas com histórico de lesões ou há algum tempo sem jogar.
O erro da aposta em Gilmar Iser só foi descoberto na segunda rodada. Sua substituição por Zé Teodoro, por convicção e imposição presidenciais, saiu pior do que a encomenda e deixou uma herança desastrosa na preparação física.
Restou recorrer à eterna saída Ivo Wortmann. Que no começo ensaiou uma reação, até ser alvejado por uma sequência inacreditável de lesões. Aos poucos, foi também engolido pela espiral descendente e mostrou-se impotente, a ponto de cometer na reta final erros impensáveis para quem viu, por exemplo, seu ótimo trabalho em 2004 no próprio Juventude.
Matemática – Com toda essa sucessão de erros e a falta de sorte (uma parece atrair a outra), o Juventude não passou dos 44 pontos e caiu para a Série C.
Com 46, como se projetava, o América escapou.
Apesar de cumprir de cabo a rabo a cartilha de como não fazer futebol, com mais três pontinhos apenas, de um total de 114 em disputa, o Juventude escapava. Era só ter ganho do Bahia. Ou do Campinense.
Era preciso se superar para cair.
O Juventude conseguiu.
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