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  • 9 de fevereiro de 2010

O PIONEIRO - Jornal de Caxias com notícias, esportes, colunistas e mais

23/09/2009 | N° 10539AlertaVoltar para a edição de hoje

PICHAÇÃO

Punição vira polêmica

Professora obrigou aluno a pintar oito salas de aula e vídeo foi divulgado

Viamão – A punição a um aluno que pichou a escola dias após um mutirão da comunidade ter pintado o prédio virou motivo de polêmica e ganhou repercussão nacional por meio da imprensa. Após a identificação do estudante, a professora que liderou o movimento determinou que ele apagasse as marcas e fizesse retoques na pintura de outras oito salas de aula da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena, na Vila São Tomé.

Diante da repercussão, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que o fato será apurado pela 28ª Coordenadoria de Educação. Caso seja confirmado que houve excesso por parte da docente, ela poderá ser advertida. Parte da punição aplicada ao aluno de 14 anos, que estuda na 6ª série, foi gravada em vídeo por colegas de outras turmas e entregue ao pai do aluno. Revoltados, os familiares se queixaram à direção da escola e encaminharam e-mail à Secretaria da Educação criticando a ação da professora.

No vídeo, a professora emprega expressões como “bobo da corte” e ameaça colocar as imagens no site YouTube. Gravadas por alunos que pretendiam registrar um jogo na escola, as cenas indignaram os pais.

– Ele foi humilhado, agora não quer mais nem ir na escola, já perdeu duas provas. Ele está com vergonha e chora muito. Sabemos que ele errou, mas não precisavam fazer isso – queixa-se a mãe, uma dona de casa de 35 anos.

O pai do aluno, um gerente de pista de um posto de combustíveis de 40 anos, condena a professora:

– Temos um vídeo mostrando como a professora humilhou ele, temos testemunhas. Afirmo categoricamente: ele errou na sala de aula dele, escreveu nome dele na parede. Eu o repreendi. Falei para ele que poderia ajudar a pintar. Só que isso não dá o direito de ela pegar meu filho e levar em mais oito salas, apresentando ele como pichador da escola e de falar as coisas que falou.

Ao fim do vídeo, a professora desabafa em frente aos estudantes:

– A gente ficou com os braços doendo, pintamos das oito da manhã às sete da noite. É inadmissível, comecem a denunciar: “professora, eu vi”. Olha a diferença dessa escola! Não custa ajudar, é a escola da gente.

Como estabelecer limites na escola sem autoritarismo:
- Em vez de impor regras, construa-as coletivamente, em discussão com a turma
- Em casos de algum conflito, reúna a turma e converse sobre a situação, buscando soluções compartilhadas
- Não é preciso expor as pessoas diretamente envolvidas, e sim a situação
- Em hipótese alguma se dirija ao estudante de forma pejorativa
- Em caso de dúvida, peça ajuda. O professor não precisa tomar as decisões sozinho, ele deve contar com o apoio dos serviços pedagógicos
- O aluno deve ser levado a refletir sobre as consequências do seu ato, mas de forma educativa e não punitiva
Fonte: fontes: Fabiani Portella, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia no RS, e Tania Beatriz Iwaszko Marques, professora de Psicologia da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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