Viamão – A punição a um
aluno que pichou a escola dias após um
mutirão da comunidade ter pintado o
prédio virou motivo de polêmica e ganhou
repercussão nacional por meio da imprensa.
Após a identificação do
estudante, a professora que liderou o movimento
determinou que ele apagasse as marcas e fizesse
retoques na pintura de outras oito salas de aula da
Escola Estadual de Ensino Médio Barão
de Lucena, na Vila São Tomé.
Diante da repercussão, a Secretaria Estadual
de Educação afirmou que o fato
será apurado pela 28ª Coordenadoria de
Educação. Caso seja confirmado que
houve excesso por parte da docente, ela poderá
ser advertida. Parte da punição
aplicada ao aluno de 14 anos, que estuda na 6ª
série, foi gravada em vídeo por colegas
de outras turmas e entregue ao pai do aluno.
Revoltados, os familiares se queixaram à
direção da escola e encaminharam e-mail
à Secretaria da Educação
criticando a ação da professora.
No vídeo, a professora emprega
expressões como “bobo da corte” e
ameaça colocar as imagens no site YouTube.
Gravadas por alunos que pretendiam registrar um jogo
na escola, as cenas indignaram os pais.
– Ele foi humilhado, agora não quer mais
nem ir na escola, já perdeu duas provas. Ele
está com vergonha e chora muito. Sabemos que
ele errou, mas não precisavam fazer isso
– queixa-se a mãe, uma dona de casa de
35 anos.
O pai do aluno, um gerente de pista de um posto de
combustíveis de 40 anos, condena a
professora:
– Temos um vídeo mostrando como a
professora humilhou ele, temos testemunhas. Afirmo
categoricamente: ele errou na sala de aula dele,
escreveu nome dele na parede. Eu o repreendi. Falei
para ele que poderia ajudar a pintar. Só que
isso não dá o direito de ela pegar meu
filho e levar em mais oito salas, apresentando ele
como pichador da escola e de falar as coisas que
falou.
Ao fim do vídeo, a professora desabafa em
frente aos estudantes:
– A gente ficou com os braços doendo,
pintamos das oito da manhã às sete da
noite. É inadmissível, comecem a
denunciar: “professora, eu vi”. Olha a
diferença dessa escola! Não custa
ajudar, é a escola da gente.
| Como estabelecer limites na escola sem autoritarismo: |
| - Em vez de impor regras, construa-as coletivamente, em discussão com a turma |
| - Em casos de algum conflito, reúna a turma e converse sobre a situação, buscando soluções compartilhadas |
| - Não é preciso expor as pessoas diretamente envolvidas, e sim a situação |
| - Em hipótese alguma se dirija ao estudante de forma pejorativa |
| - Em caso de dúvida, peça ajuda. O professor não precisa tomar as decisões sozinho, ele deve contar com o apoio dos serviços pedagógicos |
| - O aluno deve ser levado a refletir sobre as consequências do seu ato, mas de forma educativa e não punitiva |
| Fonte: fontes: Fabiani Portella, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia no RS, e Tania Beatriz Iwaszko Marques, professora de Psicologia da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul |
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