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  • 10 de fevereiro de 2012

O PIONEIRO - Jornal de Caxias com notícias, esportes, colunistas e mais

23/09/2009 | N° 10539AlertaVoltar para a edição de hoje

ZIRALDO

Vínculo infantil

Ziraldo esteve em Caxias para estimular leitura em escolas

Jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e caricato, escritor e autor do personagem O Menino Maluquinho, embaixador do estímulo à leitura entre as crianças.

Este é Ziraldo, que voltou a Caxias na última semana para uma visita aos colégios La Salle e La Salle/Carmo a fim de divulgar um projeto de produção de gibis e revistas.

Com 76 anos, se sente à vontade em meio às crianças, eufóricas com sua presença. Promove um bate-papo, não profere palestra, deixa que as crianças o entrevistem. Tamanha aproximação ele conquistou por meio dos livros. Em conversa com o Pioneiro, Ziraldo ensina como chegar mais perto das crianças e critica a forma como a internet é usada. Confira:

Pioneiro: O que deve ser feito para que a leitura se torne um hábito entre os brasileiros?

Ziraldo:
A gente fica muito preocupado com esse negócio de hábito. Primeiro temos que procurar fazer com que a criança tenha uma intensa convivência com o livro. Se você tem como dar presentes, encha a casa de livro. Deixa o seu filho ver você com um livro na mão, converse sobre o livro e, principalmente, leia para ele. Qualquer livro que você ler para ele, ele vai gostar. Até os Os Irmãos Karamázov (de Fiódor Dostoiévski).

Pioneiro: Como se vende 8,5 milhões de exemplares (só por uma editora) num país que lê pouco?

Ziraldo:
Vocês gaúchos não podem falar isso. Vocês leem muito perto do resto do Brasil. Tem aquela coisa do frio, que (Vitor) Ramil falou na Estética do Frio, o frio te convida à reflexão. Faço sucesso porque eu escrevo para criança, e eu descobri que não escrevo só para elas, mas para o núcleo familiar, pai e mãe. E porque faço livros cúmplices. Meu livro não quer ensinar nada, ele é verdadeiro, e a verdade é encantadora.

Pioneiro: Depois de falar de menino, o senhor agora fala de menina. Que projeto é esse ‘Uma Menina Chamada Julieta’, no que ele difere de ‘Menina das Estrelas’? Falar para garotas é diferente?

Ziraldo:
Agora estou entendendo de menina. Eu descobri que elas leem mais que meninos, porque menina é mais acertada. Demorei 30 anos para descobrir que ela é mais curiosa. A Menina das Estrelas é uma reflexão sobre a condição feminina. Quem sacou essa figura foi Lewis Carroll. Alice (de Alice no País das Maravilhas) é a figura feminina. Ela cai num buraco e começa a chorar, chora tanto que o buraco enche de água. E como ela escapa? Nadando nas próprias lágrimas. Tem alguma coisa mais feminina do que isso? Já a Julieta é uma menina de oito anos, que é meio maluquinha também.

Pioneiro: Sua história com o público infantil começou com ‘Flicts’, há 40 anos. Esse público continua sendo o mesmo apesar de toda a tecnologia?

Ziraldo:
O homem ainda não tomou posse do universo. O universo ainda é um fascínio. É engraçado, porque é um extremo de histórias que fascinam as crianças: a dos astronautas, que é o mistério do futuro, e a dos dinossauros, que é o mistério do passado. Antes fazíamos nossos brinquedos, agora você tem tudo pronto. Mas criança não muda. A essência do ser humano não muda. O ser humano não ficou melhor, continua matando e amando pelas mesmas razões.

Pioneiro: Como lidar com a internet e preservar os livros?

Ziraldo:
Eu tenho blog, mas não criei Twitter. Eu já sou muito exibido. Se eu criar Twitter, quem vai me aguentar? Já tenho o meu site e o site do Menino Maluquinho.Ser humano não é virtual. Agora, você não pode viver sem internet. Você vai ser um dos dominadores da internet se tiver passado pelo livro, se ele tiver despertado e organizado sua inteligência. Se você for direto do curso primário, será sempre um imbecil da internet, que é a maioria que está lá.

Histórias
 

A nova história de Ziraldo é sobre Ju, Juju, a Julieta. O nome dela é o nome da avó e também da avó da avó dela. Ela adora mexer nas velhas gavetas e descobrir o tempo. O livro Uma Menina Chamada Julieta foi lançado neste ano. Já Flicts, editado pela primeira vez em 1969, conta a história de uma cor procurando o seu lugar no mundo. O livro foi traduzido para diversos idiomas.

babiana.mugnol@pioneiro.com

BABIANA MUGNOL

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