Nós estávamos na mesa do Copacabana comemorando o que nessa vida devemos muito comemorar, que é a nossa saúde e a nossa amizade, quando o Cléver, um dos últimos a chegar, foi juntando uma cadeira e dizendo com cara de sério, mas um sério meio na brincadeira:
– Pensei que estivessem todos chorando...
Olhei para ele com cara de não entendi e ele, de supetão, falou:
– Morreu o Michael Jackson.
– Sério?
Daí pra frente foram lamentações, lembranças, histórias sobre esse que foi o maior astro pop que o mundo já conheceu e que muito provavelmente jamais surgirá igual. A partir de quinta-feira passada até hoje e para os próximos meses, Michael esteve e estará nos noticiários como se sua morte fosse algo que não se pudesse pensar, como se fosse algo que jamais aconteceria. Mas tudo tem um fim, um fim inesperado, neste caso.
Sei que vão dizer que Michael era um deus, que será para sempre imortal, que isso e que aquilo. Mas a sua saída física desse mundo torna-se lamentável não só pelo o que ele fez, mas pelo o que ele faria (artisticamente falando, claro, porque as acusações de pedofilia ferem sua integridade).
A série de shows marcados para os meses de julho e agosto que Michael faria o devolveria aos palcos de que jeito? Com que rosto, com que voz? Essa é uma dúvida que ajuda a projetar os mistérios em torno de sua vida e que, de fato, ajudam a provocar o lamento por sua morte.
E na mesa do bar, à certa altura do campeonato, quando já começamos a achar solução para tudo, pensamos mais no Michael do passado, do Michael de quando éramos crianças. Eu mesmo, no corredor de casa, com minha irmã me assistindo, tentava, exaustiva e vergonhosamente, acertar o moonwalk, o passo aquele de andar pra trás. E muito senti medo do videoclipe de Thriller, aquela saga terrível numa supercoreografada noite de terror.
Todos ali naquela mesa de bar teriam uma história para contar sobre Michael. Se você não aguenta mais falar sobre a morte dele, seu legado artístico e sua excêntrica vida pessoal, mas já chegou até aqui neste texto é porque precisamos concordar que o cara, branco ou preto, homem ou mulher, adulto ou criança, vai deixar saudades ao mundo do entretenimento.
Então o assunto na mesa mudou, passamos a discutir o campeonato de futebol, a mega-sena, o salsichão assado na calçada, o que cada um iria fazer depois dali. Mas no rádio, Michael seguia cantando direto, mais vivo do que nunca.
Grupo RBSDúvidas Frequentes| Fale Conosco | Anuncie - © 2000-2012 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.
