Caxias do Sul – A cidade perdeu domingo uma artista que tem seu trabalho cultuado em milhares de altares da cidade.
Ludowina Valesca Klein Reis, a dona Valesca, morreu aos 92 anos. E seu reconhecimento se deve ao único trabalho que teve em Caxias: esculpir imagens sacras.
Foi no antigo Atelier Zambelli que ela foi empregada em 12 de janeiro de 1948, mesmo ano em que chegou em Caxias, vinda de Canela depois de sair de Venâncio Aires junto com o marido à procura de emprego. Ele conseguiu trabalho em uma metalúrgica da cidade.
Ela nunca havia trabalhado e bateu à porta do atelier disposta a aprender uma arte que, como religiosa, somente apreciava.
Tendo trabalhado com o escultor Michelângelo Zambelli, filho do fundador do atelier, Tarquínio Zambelli, por um ano, teve neste tempo suas aulas de arte. Foi com o ofício de lixar e limpar as imagens sacras que aprendeu com o grande escultor em como transformar barro, gesso e cimento em obras
sacras que encantavam os clientes.
A
vida de Valesca era o trabalho no atelier. Em entrevista cedida ao banco de memória do município, em 1991, ela revelou que no início trabalhava para sustentar a família e, depois que a necessidade foi superada, manteve o ofício porque gostava de ver os clientes satisfeitos, como mostra este trecho: “Eu me sinto feliz de fazer uma imagem que os outros gostam. Se um dia alguém chegar para mim e dizer que não gostou, que está mal feita, aí eu vou deixar de trabalhar”.
Nunca cliente algum reclamou, e por isso ela parou de trabalhar somente em 2003, aos 85 anos, quando teve um derrame.
vanessa.franzosi@pioneiro.com
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