Tem feito noites terríveis, outras no mínimo complicadas, com frio e umidade, mas o acampamento de barracas de lona no terreno da antiga Antárctica, ali perto da Estação Rodoviária, se mantém, uma semana depois de ter sido noticiada a sua existência.
Pelo visto, o pessoal vai prosseguir acampado por ali indefinidamente. Os donos do terreno não dão mostras de preocupação em retirá-los, e a assistência social do município não sabe exatamente o que fazer com eles. A bem da verdade, a situação é delicada e mais ampla: a cidade não sabe o que fazer com eles. Retirá-los dali? Mandá-los para onde?
Ninguém se arrisca a opinar sobre o que fazer. Os acampados da Antárctica tornam-se, assim, uma questão intrincada, barracos de plástico em um terreno na região central da cidade. O silêncio e a inércia são uma confissão de que a cidade não sabe o que fazer com eles. Do contrário, já teria feito, adotado alguma providência, mas os dias passam e nada acontece. Ou será que a medida entendida como a melhor e mais adequada é deixá-los por ali mesmo, e por isso foram ficando? E é impressionante: os acampados da Antárctica não foram tema de nenhum comentário de nossos vereadores. É mais um silêncio da Câmara, entre tantos. O assunto, decerto, não é importante e não merece suas atenções.
Convivem nesse caso problemas de evidente natureza social, materializados na dificuldade de oportunidades, com o desinteresse dos acampados, alguns deles catadores de material reciclável, por algum encaminhamento que os aproxime de regras a serem seguidas, o que os permite passar dormindo praticamente a segunda-feira inteira, como confessou o síndico deles, há uma semana.
Uma coisa, no entanto, é certa: a pior situação é mantê-los acampados nas condições em que estão. Esse grupo de pessoas coloca diante da cidade o desafio de saber o que fazer com eles. O que só se resolverá conversando, com a exposição clara e franca da situação e das alternativas possíveis.
Por ora, ninguém os molesta, a ajuda chega pingada, e os acampados vão ficando. Resta o exemplo de que é só ir chegando, e a identificação visual de uma questão com a qual a cidade não sabe lidar. Não é bom para ninguém. Nem para a cidade, nem para os acampados.
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