Quanto rebuliço deu na virada do mês de janeiro para o mês de fevereiro de 2008. Lembro que era Carnaval ainda por cima e por coincidência, e bateu horror em todo mundo. Foi um berreiro só dos donos de restaurantes e bares à margem das rodovias, que não poderiam mais vender bebidas alcoólicas. Aqui em Caxias foi uma choradeira imensa, quase comovente, mas que não poderia comover, porque vidas humanas são, logicamente, muito mais importantes do que interesses circunstanciais de alguns comerciantes, que de uma ou de outra forma poderiam ser contornados.
À época, os donos de restaurantes, bares e mercados previram o pior, a catástrofe, o fechamento, acenaram com sérias consequências no âmbito do mercado de trabalho. Como era de esperar, logo a legislação foi perdendo a força, como sempre acontece em nosso país. Para ser justo, apenas a Polícia Rodoviária Federal, esse tempo todo, tem feito operações sistemáticas para flagrar motoristas sob efeito de bebida alcoólica. No âmbito da zona urbana e das rodovias estaduais, Brigada e fiscalização de trânsito negligenciam lamentavelmente, e as operações que fazem são esporádicas, à custa de muita pressão de moradores prejudicados em seu sossego e por parte da imprensa.
A consequência não poderia ser outra: os motoristas seguem a beber e a dirigir, como se fosse a coisa mais normal do mundo. E volta e meia provocam acidentes dramáticos e trágicos, como o que causou a morte de um taxista, uma trombada desse tamanho em uma esquina central de São Pelegrino.
Quando isso acontece, cai a casa. O motorista e a família do motorista que bebeu e dirigiu alegam santa inocência, que ora vejam, que isso e que aquilo, mas é preciso ser duríssimo com quem bebe e dirige. E também é preciso lamentar a negligência das famílias, que normalmente descuidam e desprezam a orientação e a advertência à rapaziada, para quem, depois do caso acontecido, mesmo o motorista que bebeu e dirigiu sempre foi a melhor das criaturas. O que não faz a menor importância, pois tem gente que já está morta e não há mais retorno.
Negligência familiar é passar a mão na cabeça, tudo o que não pode acontecer. Ora, quando essa gente já adulta irá acordar e agir com maturidade? Afinal, dentro do táxi, havia um taxista, que agora está morto.
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