Ele tem cinco anos e a mania de dormir cada noite com um brinquedo diferente. Deixa os brinquedos ao lado ou debaixo do travesseiro, quando não os segura firme na mão até adormecer. Há dois dias, buscou no fundo da prateleira do seu quarto um Pluto de pelúcia que havia ganho aos dois anos. Quis dormir com ele, estava com saudades daquele brinquedo que ganhara há “tanto” tempo. Dormiu abraçado, como que protegendo o Pluto de qualquer mal, qualquer sonho ruim, como que querendo proteção também. Eles ali pareciam amigos que se redescobriram.
Foi uma cena perfeita para os sentimentos natalinos que nessa época afloram. Pensar nos amigos que temos, que redescobrimos, que mesmo distante queremos bem. E que queremos proteger de qualquer mal, doença, pesadelo. É um sentimento natalino bem diferente daquele que nos ofertam as lojas, sempre com aquela batelada de televisores tela plana de muitas polegadas a juros baixos.
Justificar-se amigo hoje em dia é um sentimento da mais pura nobreza. Porque às vezes não notamos que os amigos ainda estão do nosso lado. O corriqueiro trabalho, o corriqueiro final de semana, os corriqueiros planos para o futuro muitas vezes nos afastam de quem está sempre perto, e então o tempo vai passando e vamos ficando velhos sem perceber isso.
Mas de repente, como a criança de cinco anos redescobre o brinquedo que ganhou aos dois, nos damos conta de que nossos amigos precisam ser redescobertos, que precisamos tirar a poeira não só das velhas amizades, mas de amigos contemporâneos que temos no coração e que sentam próximo no ambiente de trabalho, freqüentam o mesmo restaurante, são vizinhos, são ex-vizinhos, são colegas de aula, o que quer que sejam. Abraçando-os teremos um bom Natal.
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E eu que pensava que não iria receber nenhum cartão de Natal. Pois a leitora Mirna Diehl Bulso surpreendeu-me, sensibilizada com a crônica da última semana, e enviou-me um cartão clássico, na capa o Papai Noel pronto para descer a chaminé. Dona Mirna, que seu Natal seja irradiado pelo amor Divino, assim como desejou-me. Um abraço.
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