Porto Alegre – Se você sofre ou já
sofreu com apelidos ou perseguições de
colegas, não se intimide. De Elvis Presley a
Gisele Bündchen, muita gente talentosa
também passou por isso em seu tempo de
estudante.
Conhecida como bullying, a violência
sistemática, rotineira e sem motivo aparente
ocorrida dentro escola está associada a casos
de depressão e até tentativa de
suicídio entre adolescentes, mas pode ser
superada. Apelidada de saracura por ser magra e alta,
a supertop de Horizontina encontrou nos cursos para
melhorar a postura um atalho para a vida de modelo,
enquanto o tímido Elvis Presley descobriu na
música um refúgio para o isolamento
experimentado em sala de aula.
O cantor Tonho Crocco, ex-vocalista da banda
gaúcha Ultramen, atualmente em carreira solo,
também enfrentou brincadeiras de mau gosto.
Mas resistiu. Mesmo tendo sido chamado de todas as
variantes de gordo em seu tempo de estudante, nunca
entrou em depressão, nem se sentia
diminuído. A receita? Ignorar as
provocações:
– Apelido todo mundo tem, mas eu não
dava bola. Se der bola, pega.
Conhecido como quatro olhos no tempo de
colégio, pelos óculos com lentes fundo
de garrafa que usava, o vocalista da banda Cachorro
Grande, Beto Bruno, adotou a estratégia
inversa para se defender: reagia colocando apelidos
em outros colegas.
– Tinha um pequeninho que apelidamos de
morceguinho, outro que tinha uma testa grande e era o
testa. Mas a gente gostava de todo mundo, ria junto.
Não era tão violento como agora –
compara.
A universitária Daniele Vuoto, 22 anos, sabe o
quanto essa violência sutil pode ser perversa:
acostumada a defender colegas que eram motivos de
risada, acabou sendo perseguida. Tudo virava motivo
de chacota: ser muito branca, muito loira, tirar
notas altas. A seqüência de
humilhações fez com que entrasse em
depressão e chegasse a tentar o
suicídio. Recuperada, encontrou um jeito nobre
para responder aos ataques: criou um blog para
compartilhar informações com outras
vítimas.
– Normalmente esses alunos sofrem calados, o
que só aumenta a dor – orienta.
| Em seu blog, a universitária Daniele Vuoto dá dicas para combater o bullying, que atinge 45% dos estudantes do ensino fundamental, segundo estudos do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar. Confira: |
| - Peça ajuda: seu silêncio só prolongará o sofrimento. Conte para alguém de confiança o que está acontecendo, para que avisem a direção da escola. |
| - Guarde provas: se você receber ameaças ou xingamentos pela internet, não delete. Preserve o maior número de provas e registre em cartório. Leve essas provas para a polícia. |
| - Não se culpe: algumas pessoas respondem aos agressores e isso resolve, outras respondem e a situação piora. O mais importante é perceber que sofrer bullying não é motivo de vergonha. |
| - Busque atividades prazerosas: fazer terapia, algum curso fora da escola de algo que tenha interesse (música, teatro, pintura etc), ganhar um bichinho de estimação, tudo isso ajuda a recuperar a auto-estima perdida. |
| - Elvis Presley: zombado na escola por ser um menino tímido, dificilmente fazia amigos. |
| - Gisele Bündchen: a top model aturou muitas piadinhas sem graça por ser magra e alta. Tinha três apelidos: Saracura, Olívia Palito e Somaliana. |
| - Alinne Moraes: a bela era atormentada por coleguinhas de sua escola em Sorocaba (SP), por causa de sua boca. Tinha um apelido que detestava, Bocão, e pensou em fazer cirurgia plástica para diminuir os lábios. |
| - Kate Winslet: a Rose, de Titanic, padecia na escola por ser gordinha e era chamada de baleia. |
| - Tom Cruise: passou maus bocados no colégio por ser disléxico, um distúrbio que interfere na aprendizagem. |
| - Orlando Bloom: era discriminado por estar acima do peso e ser disléxico. |
| - Sophia Loren: a musa sofria quando era chamada de palito-de-dente e vareta pelos colegas. |
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