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Como abrir o jogo

Nem sempre os pais e os amigos entendem a sua orientação sexual. Veja como lidar com a situação

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Assim como Lindsay Lohan, que assumiu o relacionamento gay com a DJ Samantha Ronson há pouco tempo, o ator do seriado "Grey´s Anatomy", T.R Knight, parece não se importar mais com o que seus fãs, familiares ou críticos vão pensar sobre ele e seu namorado, Mark Cornelsen - prova disso é o selinho que recebeu, registrado pelos paparazzi. Como ninguém tem nada a ver com isso, eles que sejam felizes, certo? Já na vida real - onde o "problema" é dentro de casa e na escola - a situação se torna muito mais complicada. Nem sempre os pais, os amigos e o resto do mundo entendem a sua orientação sexual. Por isso, é importante ser bem resolvido(a) e esclarecer os fatos, abrir o jogo e ser feliz.
 
Eu já nasci gay?
É justamente na adolescência que os jovens firmam suas identidades. Neste momento importante, onde o garoto ou a garota se desenvolve, uma dessas definições diz respeito à escolha sexual de cada um. Ter 13, 17 ou 20 anos e sentir atração por alguém do mesmo sexo. "Será que tem algo de errado comigo? Isso é mesmo possível?". Sim, é possível, mas dificilmente você vai, de uma hora para outra, se descobrir gay.
 
- É algo que vem se desenrolando e que se consolida melhor na adolescência. Não sustento a idéia de que qualquer pessoa já nasça homossexual e de que seria algo genético, mas sim de que há uma série de fatores (ambientais, psíquicos, culturais, entre outros) que se cruzam até que uma pessoa venha a fazer uma escolha homossexual - explica a especialista em Psicoterapia de crianças e adolescentes, Flávia Ribas Duarte.
 
- A ciência sexológica fala que nascemos com a “orientação", ou seja, uma “inclinação” para um dos três estados (homossexualismo, heterossexualismo ou bissexualismo). Os estudos falam que somente um episódio de violência sexual causado por alguém do mesmo sexo pode mudar a orientação sexual natural da pessoa, pois, para sobreviver ao trauma da violência sexual, ela pode tornar erótico (prazeroso) o sexo de quem praticou a violência - diz a ginecologista e terapeuta sexual, Jaqueline Brendler.

Situação confusa
Se falar de sexo com os pais já é difícil (a maioria das meninas, por exemplo, não conta sobre suas experiências), tocar no assunto sexualidade pode se tornar algo sofrido para um adolescente. Os filhos não se sentem preparados a revelar para a família seus sentimentos e suas inquietações, que, muitas vezes, são formados por um sentimento de culpa, estranheza e vergonha pelo que se está sentindo. O garoto ou a garota pode pensar e até mesmo sentir que seus pais o repudiariam, e por isso se cala.
 
- Ou em outro extremo, o jovem pode utilizar um comportamento mais ativo, se expondo em situações com determinados comportamentos que "falariam por sí só" aquilo que está dificil de expor em palavras - diz a especialista Flávia.
 
Já na escola, o adolescente pode se sentir diferente dos demais e experimentar uma série de sentimentos até então desconhecidos que o fazem sofrer (ser motivo de chacota, por exemplo) o que pode deixá-lo mais triste, sozinho e sem vontade de ir à escola e em outros lugares.
 
Doutora Jaqueline explica que primeiro acontece a atração e/ou a paixão, e depois a pessoa “percebe racionalmente” que o sexo da outra é igual ao seu, e nesse momento pode haver conflito, pois não é o que ela, os pais e a família esperavam. Num segundo momento, a pessoa percebe que “sempre, para ela, foi assim” e que tem que viver em paz e feliz consigo mesma, tem que se aceitar.
 
- O ideal é que a pessoa logo passe para esse estágio, mas até isso acontecer pode haver muito sofrimento e se passar muito tempo. Inclusive isso, muitas vezes, só acontece na idade adulta - conta Jaqueline.
 
Mas lembre-se de que cada família tem seus valores e costumes, portanto as reações podem ser diferentes.
 
Como revelar
Por isso, para revelar a sua orientação sexual sem causar espanto para eles ou constrangimento para si próprio, o primeiro passo é se aceitar, o que, para a Dra. Jaqueline, não é nada fácil.
 
- Pessoas que ainda sofrem com isso deveriam procurar ajuda de uma psicoterapia para se aceitar e perceber como realmente são. Quando a pessoa se aceitar, esse é o momento ideal para falar da sua homossexualidade para pais e amigos - aconselha a doutora.
 
- Os pais sofrem com a revelação. Na grande maioria, as mães são as primeiras a aceitar. Eu diria que com o tempo a maioria dos pais aceita, pois o que está em jogo é a felicidade do(a) filho (a) - completa.
 
Experimentar uma relação homossexual quer dizer que eu seja gay?
É próprio da adolescência fazer descobertas e experimentar coisas novas (matar as curiosidades). Sendo assim, pode acontecer de jovens terem uma relação homossexual sem, no entanto, tornarem-se gays. Pode rolar um beijo com alguém do mesmo sexo, por exemplo, mas não quer dizer que isso mude a escolha para o resto da vida.
 
Ajuda médica
Doutora Jaqueline conta que há dois tipos muito comuns de atendimento em relação à homossexualidade. O primeiro é para aqueles jovens que precisam de ajuda durante a "auto-aceitação", e o segundo acontece quando o garoto ou a garota quer uma consulta porque a família não aceitou a revelação.
 
- Eles vêm sós ou com os pais. Não é raro os pais perguntarem se é possível “mudar a orientação sexual” do(a) filho(a). Então esclarecemos que isso é impossível - diz Jaqueline.
 
Fique sabendo
* Uma pesquisa realizada em maio pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, durante a 12ª Parada do Orgulho Gay, apontou que os adolescentes gays evitam ao máximo procurar unidades de saúde para tratamento médico. Dos 576 jovens com idade até 20 anos, 41% disseram procurar assistência médica em locais considerados apropriados, como postos de saúde, clínicas ou hospitais públicos. Isso quer dizer que o medo do preconceito inibe 59% dos jovens gays de procurar assistência em locais apropriados. Do total de entrevistados, 527 se declararam lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais. Esses jovens afirmaram que gostariam de ser atendidos nos serviços de saúde sem preconceitos e com respeito. 
* Pesquisadores descobriram que cérebro de homossexuais são parecidos com o do sexo oposto. Eles investigaram "dois parâmetros separados, ambos com pouca probabilidade de serem afetados diretamente por padrões e comportamentos apreendidos" em 90 homens e mulheres - 50 heterossexuais e 40 homossexuais - utilizando imagens por ressonância magnética. O resultado revelou que o hemisfério direito do cérebro era maior nos homens heterossexuais e nas mulheres homossexuais, enquanto que os hemisférios cerebrais dos homens homossexuais e das mulheres hetero eram simétricos. Os homens gays mostraram outra similaridade cerebral com as mulheres heterossexuais em suas conexões na amígdala cerebral, que processa algumas emoções, assim como as mulheres homossexuais e os homens heterossexuais.

Débora Vives
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