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Jornal de Santa Catarina

22/02/2012 | N° 12500AlertaVoltar para a edição de hoje

FOGO

Bombeiros apontam que incêndio foi criminoso

Chamas atingiram salas de um escritório de advocacia no Bairro Victor Konder

BLUMENAU - A 1ª Delegacia de Polícia Civil investiga a hipótese de intenção criminosa no incêndio ocorrido ontem pela manhã no escritório da Hasse Consultoria e Advocacia, no Bairro Victor Konder. Por volta das 6h30min, o Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas que já tomavam duas salas do escritório, instalado numa casa de dois pavimentos na Rua Eugen Fouquet. Conforme os bombeiros, os invasores usaram a abertura da parede lateral, destinada ao ar-condicionado, para entrar e desativar o alarme.

A sala dos fundos ficou totalmente incendiada. Os livros jurídicos, as pilhas de documentos e o computador foram atingidos. Na sala ao lado, a parede e parte dos documentos também viraram cinzas. Uma suástica, símbolo do regime nazista, foi desenhada com cola no centro da recepção do escritório. Os invasores também deixaram bilhetes com mensagens dizendo que sairiam impunes. Antes de atear fogo, eles abriram o frigobar do escritório frontal da casa e consumiram biscoitos, leite e chá. Um notebook, aparelhos da central telefônica e um computador não foram encontrados pela proprietária, que ainda não tinha estimativa do tamanho do prejuízo.

O tenente do Corpo de Bombeiros, Márcio Reinert, que trabalhou na contenção das chamas, acredita que a ação foi criminosa. Sócia do escritório, a advogada Rosana Hasse suspeita que a ação esteja relacionada a algum processo que o escritório tenha trabalhado. Instalado há 15 anos em Blumenau, com outro escritório em Jaraguá do Sul, atua nas áreas do direito bancário, tributário e trabalhista, prestando consultoria também para empresas da região.

– Temos alguns nomes em mente. Os vizinhos nos disseram que na noite de segunda perceberam movimentação de estranhos perto do escritório. Agora é aguardar a investigação da polícia – explica Rosana.

OAB vai acompanhar investigações sobre o incêndio

A maior parte dos documentos relacionados aos processos foi salva, porque os invasores não violaram o disco rígido do servidor. O Instituto Geral de Perícias coletou impressões digitais, amostras de DNA e evidências sobre a execução do crime. Segundo o coordenador do IGP, Daniel Kock, as análises serão confrontadas com as características dos suspeitos apontados pela investigação da Polícia Civil.

Presidente da subseção de Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil, César Wolff informa que o órgão vai acompanhar a investigação do caso e solicitar hoje aos tribunais o prolongamento dos prazos dos processos sob responsabilidade do escritório, para que os clientes não sejam prejudicados.

– Uma ação dessa dá a entender que é uma forma de coação ao exercício profissional da advocacia. Desde que sou advogado, nunca vi isso no Estado. Vamos nos mobilizar para que isso não se repita – declara Wolff.

cristian.weiss@santa.com.br

CRISTIAN WEISS

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