Ontem, meu celular tocou por volta das 10h45min. Era um número desconhecido:
– Braga, você está em Chapecó?
Na linha, o presidente do Metropolitano, Vadinho. Informou que estava convocando a imprensa que foi cobrir o jogo para uma coletiva no Hotel Lang, onde estava o clube. Dali a uma hora.
Segui para lá pronto para incluir as palavras de Vadinho na cobertura online em tempo real que fiz para o Santa. Mas, numa sala reservada do hotel, com poucas cadeiras e algumas garrafinhas de água, ele disparou:
– Serei sincero com vocês, o Lopes desapareceu – disse o presidente, para surpresa geral. Ao lado dele, um Viton com semblante preocupado. Cesar Paulista preferiu não participar. Vadinho contou que o último contato com Lopes foi na sexta à noite. Depois disso, não se apresentou para o treino e a viagem no sábado. O próprio presidente foi ao apartamento do jogador, na Rua Max Hering, e lá primeiro ouviu da zeladora do prédio que Lopes estava em casa (havia saído e retornado). Mas não atendeu aos chamados. Na segunda tentativa, o carro do jogador, um Fiat Uno comprado na sexta-feira, já não estava mais na garagem.
Até aquele momento, ninguém no clube sabia ao certo o paradeiro de Lopes. Alguns no elenco chegaram a temer algo pior, e o ambiente estava tenso no hotel.
Depois de falar com a imprensa presente em Chapecó, Vadinho reuniu o elenco para tratar do caso. Acalmou os mais preocupados e cobrou foco total no jogo, o que se viu em campo. Aos jornalistas, pediu que, pelo menos até a hora do jogo, não se tratasse do tema. O constrangimento geral era evidente.
A decepção com a atitude de Lopes estava estampada no rosto de toda a direção do Metrô presente em Chapecó. Pelo empenho nos treinos, e pela estreia promissora nos poucos minutos em Ibirama, o golpe foi duro. Vadinho chegou a admitir que a direção estava ciente de que isso poderia acontecer, pelo histórico do jogador, mas não esperava logo agora.
Vadinho disse que a decisão sobre o futuro de Lopes será tomada pelo departamento de Futebol. Ele promete acatar. Senti que, se dependesse do presidente, o jogador seria perdoado, no máximo multado. Pesaria a qualidade técnica, bem superior à praticada em gramados catarinenses em geral. Se a opção for pela dispensa, a multa estipulada em contrato é de simbólicos R$ 500.
Empate justo em um jogo muito bom e sem interferência grave da arbitragem, apesar dos protestos da torcida. Mas Tiago Cristian, o melhor em campo, perdeu duas chances claras de trazer três pontos preciosos...
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